Juros no Brasil pousando em Marte
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Copom eleva Selic em 50 pontos e indica que ciclo de aperto terá continuidade

Em reunião de política monetária realizada no dia 15 de junho último, o Copom elevou a sua taxa básica de juros, a Selic, em 50 pontos-base, para 13,25% ao ano.

De acordo com a LCA Consultores Econômico, “a decisão, novamente unânime, veio em linha com a nossa expectativa e com a expectativa largamente predominante nos mercados”.

No comunicado da decisão, o Copom avaliou que o ambiente externo continuou a se deteriorar, com piora nas expectativas de crescimento global em meio a “fortes e persistentes pressões inflacionárias”; mas afirmou que a atividade econômica doméstica vem crescendo “acima do que era esperado pelo Comitê”. Já a inflação “seguiu surpreendendo negativamente” na avaliação do Copom.

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Com isso, as projeções do Banco Central para a inflação novamente sofreram revisões para cima. Mas a autoridade alertou que as “projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação”.

De acordo com a LCA, “não obstante, o Copom indicou que, em sua avaliação, ‘as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária’ – em linha com nossa avaliação.

As medidas tributárias recentes, bem como as várias iniciativas pontuais de estímulo que vem sendo adotadas desde o final do ano passado, levaram o Copom a incluir, no comunicado desta reunião, a adoção de “políticas fiscais que impliquem sustentação da demanda agregada” como fator adicional de incerteza. O comunicado também reiterou que “a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual”, e acrescentou que esta incerteza “cresceu desde a última reunião”.

Já no trecho prospectivo do comunicado, o Copom reiterou que continua a avaliar como “apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”; e sinalizou que, para a próxima reunião, “antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude”.

Ou seja, o Copom ainda não deu por encerrado o ciclo de aperto monetário; e deverá elevar a Selic em ao menos mais 25 pontos-base, para 13,5% ao ano, na reunião de 03 de agosto. A possibilidade de que o ciclo de aperto seja estendido ainda mais permanece relevante. Aguardaremos a ata desta reunião, que será publicada na próxima 3ª-feira (dia 21), para concluir a revisão da nossa curva projetada para a taxa básica de juros”.

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Brasil lidera com folga o Ranking Mundial de Juros Reais

Com a nova taxa básica da economia (Selic), de 13,25%, o Brasil mantém a liderança do ranking de juros reais (descontada a inflação) de acordo com estudo elaborado pela Infinity Asset Management, que com base nos juros reais de 40 países.De acordo com a Infinity, a liderança brasileira, conquistada na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio, está se consolidando. Conforme o ranking elaborado pelo economista-chefe da Infinity, Jason Vieira, considerando a inflação projetada para os próximos 12 meses, de 5,32%, os juros reais brasileiros passaram para 8,10% ao ano com a nova Selic.

“Continua a pressão da inflação global, a qual se acelerou na maioria das medidas, dadas as ainda contínuas pressões e choques de oferta ao atacado e aceleração de demanda, em vista ao processo de reabertura de diversas localidades, convertendo a maioria das taxas em terreno negativo”, destacou Vieira. “Aos 0,5% de alta, o Brasil reforça a 1ª colocação no ranking mundial de juros reais, ganhando o pódio desde a penúltima reunião e acima de México, Colômbia, Chile e Indonésia, com uma combinação de inflação projetada para os próximos 12 meses”, acrescentou.

Os Estados Unidos, que também aumentaram a taxa básica em 0,75% no mesmo dia em que ocorreu a decisão brasileira, ficaram na 25º colocação, com juros reais anuais negativos de 3,07% ao ano. A média de juro real da listagem da Infinity ficou em -1,70% ao ano e a Argentina, que lidera a listagem de juros nominais, com taxa básica anual de 49%, ficou na lanterna do ranking, com juro real de -14,16% ao ano.

No rol dos juros nominais, o Brasil ficou na terceira colocação, atrás apenas de Argentina e da Turquia, com taxa de juros básica de 14% ao ano. Na lanterna, ficou a Suíça, com juros nominais de -0,75% ao ano. – (Fonte: Correio Braziliense)

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FED intensifica ritmo de elevação de juros e sinaliza com avanço da política monetária para terreno claramente mais restritivo até o final de 2022

Em reunião do comitê de política monetária (FOMC) realizada nesta 4ª-feira, dia 15, o banco central dos EUA (FED) decidiu elevar a sua taxa básica de juros em 75 pontos-base, para o intervalo de 1,5% a 1,75% ao ano. A decisão não foi unânime, pois a presidente do escritório regional do FED de Kansas City, Esther L. George, votou por um aumento menor, de 50 pontos-base.

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Para a LCA Consultores Econômicos, no comunicado de política monetária o FED parece deixar claro que o seu balanço de riscos está substancialmente inclinado para o lado da inflação. No documento, a autoridade avalia que a atividade econômica ganhou fôlego, num contexto em que o mercado de trabalho continua a se fortalecer. Ao lado disso, o trecho em que o Comitê antecipava um retorno da inflação para o objetivo de 2% foi suprimido do comunicado – e, em seu lugar, o FED introduziu um trecho afirmando estar “fortemente comprometido” em trazer a inflação para o objetivo de 2%.

As projeções oficiais sofreram ajustes significativos. A mediana das projeções dos diretores do FED para a inflação se elevou, sobretudo para o curto prazo, ao passo que as medianas das projeções para o crescimento do PIB e para a taxa de desemprego pioraram. Mais importante, a mediana das projeções para a evolução da taxa básica de juros deslocou-se significativamente para cima (Gráfico 1) – passando a indicar que a política monetária avançará para terreno claramente mais restritivo, no qual deverá permanecer até o final de 2024”.

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Acrescenta a LCA que, à luz da decisão do FOMC e do comunicado de política monetária, a nossa curva projetada para a taxa básica do FED será revista para cima nas próximas semanas. Com a política monetária mais restritiva, ajustes para baixo em nossas projeções para o crescimento do PIB dos EUA – que já se encontram abaixo da mediana das projeções de mercado (e próximas às estimativas recém-revisadas do FED) – poderão se fazer necessários.

Selic a 13,25%: Fim do aperto monetário no Brasil está próximo?

Copom e FED aumentam novamente taxa básica de juros para conter a inflação; os impactos nos investimentos

O Banco Central (BC) anunciou um novo aumento na taxa Selic, desta vez em meio ponto percentual, chegando na casa dos 13,25% ao ano. Mesmo com uma ligeira desaceleração em maio, a preocupação com a inflação permanece, assim como a guerra no leste europeu e o retorno (mais uma vez) de medidas restritivas na China por conta da pandemia, são fatores que fazem o mercado rever suas projeções até o fim de 2023.

O boletim parcial do Relatório Focus divulgado no início de junho (06/06), revelou que as expectativas do mercado para a Selic permaneceram estáveis no fim de 2022, a 13,25%. Já para 2023, as projeções subiram de 9,25% para 9,75% ao ano. A publicação regular do relatório está sendo afetada há meses por conta de uma greve conduzida pelos servidores do BC.

“A inflação no mundo está em ritmo maior do que o esperado. Na última reunião do FED, havia a expectativa que os impactos do aumento nas taxas de juros seriam suficientes para arrefecer a inflação, porém, na semana passada, com a publicação do CPI, o indicador de variação nos preços dos Estados Unidos, ficou claro que isso não aconteceu e que medidas mais rigorosas deveriam ser tomadas. Por essa razão, não acharia estranho a taxa de juros no Brasil atingir patamares próximos de 15% no fim do ano, e as bolsas no mundo sofrendo com fortes quedas”, explica Lucas Sharau, assessor de investimentos na iHUB Investimentos.

Para tomar a decisão de subir ou descer os juros, além de indicadores de atividade econômica, fluxo cambial, emprego e a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), o Comitê de Política Monetária (COPOM) utiliza-se principalmente do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o principal indicador que a diretoria do Banco Central utiliza para sua tomada de decisão.

Em maio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA medido foi de 0,47%, considerado o menor resultado desde abril de 2021, quando o IPCA ficou em 0,31% no mês. Ainda em maio, o percentual também ficou abaixo da estimativa do mercado financeiro, que esperava uma variação de 0,6% dos preços no mês.

Contudo, um dado que preocupa economistas e especialistas no mercado é o índice acumulado dos últimos 12 meses, que ainda está na casa de 11,73%, contra uma meta de 3,5% prevista para o final do ano de 2022.

Renda fixa rende mais de 1% ao mês

A Selic é a taxa que o Banco Central utiliza para remunerar o investidor em seu principal título de investimento: o Tesouro Selic. Também conhecido por LFT (antiga Letra Financeira do Tesouro), é a principal opção para o investidor que busca reserva de liquidez, além de ser o investimento com maior grau de segurança no país.

Na sequência, os investimentos que também são favorecidos pagam taxas de juros bancárias, o CDI, por exemplo, por ser uma taxa praticada pelos bancos privados muito próxima da Selic.

Além do Tesouro Direto, o especialista da iHUB, Lucas Sharau, cita mais cinco opções de investimentos que, atreladas ao CDI, estão rendendo mais após a recente alta da Selic:

1) CDBs – Certificado de Depósito Bancário

2) LCI – Letra de Crédito Imobiliário:

3) LCA – Letra de Crédito do Agronegócio

4) LC – Letra de Câmbio

5) Fundos de investimento Referenciados DI

FED agressivo e novas altas de juros nos EUA

O aperto monetário nos Estados Unidos ganhou novos contornos neste mês de junho. No dia 11 de junho último, foi divulgado o CPI – Índice de Preços ao Consumidor -, referente a maio, e o aumento de 1% nos preços mostrou que os Estados Unidos estão com dificuldades para controlar a inflação.

Por conta deste dado, o mercado começa a especular que o Federal Reserve (FED) precisará realizar medidas mais agressivas no controle da inflação. Para isso, é possível que ocorram mais aumentos e com impactos maiores nos juros para as próximas reuniões do FED.

Essa expectativa fez com que o mercado se antecipasse à decisão do órgão e precificasse na curva de juros norte-americana uma alta de 0,75%, afetando todos os títulos do mercado. Caso a expectativa do mercado se confirme, os juros nos EUA podem ultrapassar os 3% ainda em 2022.

“O fato dos juros nos EUA estarem subindo faz com que uma grande quantidade de dinheiro vá em busca da segurança que o Tesouro Americano pode oferecer em rentabilidades mais atrativas, sobrando um pouco menos de dinheiro para posições mais especulativas como no Brasil e outros países emergentes”, comenta.

Ainda segundo o especialista, os gestores que lidam com grandes fortunas precisam rebalancear o que é mais importante neste momento: manter a segurança da existência de seu portfólio e equilibrar os mais diversos aspectos de rentabilidade com manutenção do poder de compra e diversificação com coerência, junto das principais expectativas do mercado.

Fato que torna esse trabalho ainda mais difícil no momento, uma vez que um dos principais elementos nesta tomada de decisão é a previsibilidade que o mercado transmite para seus integrantes.

Como fica a B3 neste cenário?

Em menos de cinco meses, a bolsa brasileira já ultrapassou os 120 mil pontos e agora está na “beira” dos 100 mil pontos, ou seja, a volatilidade é uma constante no momento.

“A bolsa brasileira é composta na sua maior parte por commodities, mas também possui em sua composição outros segmentos, cada um em seu momento, temos ainda perspectivas positivas de crescimento para investimentos mais longos do que seis meses a um ano”, afirma Sharau.

No próprio segmento de commodities, segundo o especialista, existem resquícios dos impactos da pandemia, e os preços de algumas empresas ainda podem estar descontados em relação aos preços considerados “justos” por suas ações.

Além disso, Lucas Sharau explica que a eleição no Brasil, por mais que esteja precificada pelo mercado, ainda pode causar impactos na bolsa e na economia nacional, principalmente com o cenário de recessão global ganhando força nas últimas semanas.

A iHUB Investimentos é uma empresa especializada em assessoria de investimentos credenciada pela XP Investimentos. Possui mais de 3,5 mil clientes, somando mais de R$1 bilhão em valores investidos sob custódia.

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Juros em alta deixam cenário ainda mais desafiador para a compra de imóveis

Rogério Santos (*)

A elevação de 0,5% da taxa básica de juros (Selic), para 13,25%, divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 15 de junho último, torna o cenário mais desafiador para a compra de imóveis residenciais. Foi a décima-primeira alta consecutiva da Selic, e há sinalizações de que outro aumento deve ser anunciado, em agosto, pelo Copom.

Em linhas gerais, o aumento gradual da Selic de 2% – patamar de janeiro do ano passado – para 13% fez com que 4 milhões de famílias deixassem de ter renda qualificada para acessar o financiamento habitacional, segundo estimativa do coordenador do curso de Mercado Imobiliário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alberto Ajzental.

A projeção considerou que o custo efetivo total (CET) do financiamento imobiliário sobe 1 ponto percentual a cada 2,3 pontos percentuais de alta da Selic e teve como base a busca de 80% de crédito para a compra de unidade de dois dormitórios com valor de R$ 250 mil.

Sabemos que a correção das taxas dos bancos que oferecem financiamento imobiliário com recursos da poupança não é automática e proporcional a cada variação da Selic, até porque as instituições monitoram o comportamento dos bancos concorrentes pelos clientes.

De qualquer forma, os rumos da taxa básica de juros do país, são o principal norte dos bancos para definirem os custos a serem cobrados. Isso indica que, com esse novo aumento, menos gente conseguirá enquadrar a parcela do crédito na fatia máxima de 30% da renda exigida para a liberação do financiamento.

O raciocínio vale, principalmente, para compradores da classe média. A baixa renda é atendida pelo programa habitacional Casa Verde e Amarela, com regras próprias de juros e subsídios, enquanto o público de alto padrão depende menos de financiamento por ter mais recursos próprios para aquisição de imóveis.

Juros maiores significam também incremento do valor total a ser pago pela unidade financiada. Conforme o perfil do comprador, taxas elevadas resultam na opção de deixar os recursos disponíveis em aplicações financeiras e continuar morando de aluguel. Na prática, podem levar à postergação do momento de o comprador apostar na segurança que investir em tijolo oferece.

Nesse contexto, a demanda por aluguel tende a crescer ainda mais. Em maio, as buscas por locação de imóveis residenciais da plataforma da UBlink cresceram 14 vezes mais do que a procura por unidades para compra. Com mais liquidez, o tempo médio de disponibilidade das unidades para aluguel tem caído na nossa plataforma.

Do lado da oferta, porém, observamos o movimento inverso. Na nossa base, há mais entrada de unidades residenciais para venda do que para aluguel.

Nossas décadas de experiência no setor imobiliário nos mostram que, de acordo com o cenário macroeconômico, a demanda tende a ser maior pela compra ou pelo aluguel de imóveis. Com atuação nas duas pontas, a UBlink foi criada para oferecer a melhor experiência aos clientes em qualquer momento do ciclo imobiliário em que o país estiver.

*Um dos fundadores da UBlink

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