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A ÁGUA QUE BEBO EU A COLHI NA FONTE

(Trecho do discurso proferido no Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP, no Rio de Janeiro – DF -, ao ensejo das comemorações do 21º aniversário de fundação, em 30 de julho de 1959.)

“Tendo voltado minha maior atenção para os problemas que se relacionam com o desenvolvimento nacional e que por isso mesmo se projetam no sentido de nosso futuro como uma das grandes Nações da terra, posso afirmar-vos agora, na oportunidade deste novo encontro, que não me descuidei do presente, na realidade administrativa da vida brasileira.

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Na sua extrema complexidade, uma obra de governo implica necessariamente nas três dimensões do tempo: é passado, é presente e é futuro. Passado, por suas vinculações com o dia de ontem, reflexo de nossas tendências e tradições; presente, pela atenção vigilante aos problemas da hora que passa; e futuro, pelo sentido de continuidade no tempo que nos faz responsáveis pela Nação de amanhã.

Acercando-me agora da etapa final de meu mandato, quando o exercício do governo perde em parte a sua substância polêmica e assume a feição dos grandes balanços realistas diante do povo, é com orgulho do dever fielmente cumprido que neste momento vos confesso, obedecendo à lealdade de meu feitio, ter sempre buscado alcançar, na minha obra de presidente da República, as três dimensões do tempo, na vigilância deste ríspido combate em favor da grandeza do Brasil.

Longe de interpretar o exercício da chefia suprema do governo como uma reclusão nos palácios presidenciais, que me confinaria ao amável convívio administrativo e político das sucessivas audiências, preferi sair ao encontro do país, buscando os seus problemas essenciais — e vi o que só se vê quando se abandona o comodismo da vida palaciana para olhar de perto o Brasil no drama pungente de seu subdesenvolvimento.

Os combates que tenho travado, dia e noite, sem largas horas de descanso, no porfiado afã de acelerar o progresso nacional, não constituem simples meditações de gabinete, mas o conhecimento direto da realidade brasileira. Posso dizer, portanto, numa imagem, que a água que bebo eu a colhi na fonte. Muitas e muitas vezes, trocando o conforto urbano de que não se privam os que salvam unicamente a Pátria com palavras, tenho acampado, à beira das estradas, com os nossos patrícios do interior, e venho fortalecido do exemplo daquela fibra de obscuros titãs matutos que derrubaram florestas virgens com a ponta de seus machados e estenderam a faixa livre de terra aplainada por onde transitarão em breve os automóveis e caminhões brasileiros, impulsionados por combustível brasileiro e a serviço da redenção também brasileira, e que ligarão o país em todas as direções, completando a obra de conquista do território nacional.

Aquilo que seria fatalmente uma utopia, perenemente à espera de um amanhã destinado a não sair jamais das sombras do futuro, ergue hoje as suas vigas de ferro e as suas paredes de cimento, no Planalto Central — a nova Capital brasileira, espelho de nossa capacidade de fazer, exemplo de nossa vitalidade, lição de nossa cultura e de nossa técnica.

Nesta hora de evolução brasileira, se não levássemos adiante o empreendimento de Brasília, estávamos realizando diante do mundo e diante do porvir a anomalia de um desencontro do país consigo mesmo. Dispondo de grandes urbanistas e de grandes arquitetos, que impuseram os seus nomes e as suas obras à admiração internacional, não podíamos deixar que o tempo se escoasse sem fazer convergir para o empreendimento modelar da grande cidade do planalto a experiência e a visão daqueles técnicos. E por isso fomos plantar, com a pressa de quem necessita recuperar o tempo perdido, o maravilhoso núcleo urbanístico que já se desenha no horizonte. E os que ontem riam pelo tamanho do nosso sonho, já se surpreendem agora com o tamanho da realidade que lá está”.

 

A BATALHA DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL É A PRÓPRIA LUTA PELA NOSSA SOBREVIVÊNCIA

(Trechos do discurso proferido, durante o jantar oferecido pela revista “O Cruzeiro”, sobre o Desenvolvimento Nacional – Rio de Janeiro – RJ – 13 de novembro de 1960.)

“Avançamos, nos jogamos numa precipitada fuga ao atraso e à estagnação em que jazíamos. Isso foi aqui, neste momento, reconhecido por um homem credenciado diante do público, não só pelo valor de sua inteligência, como pelo seu bastante provado desinteresse pessoal.

Quase tudo aquilo a que aspirei fazer em prol do Brasil eu o fiz. E surpreendo-me de o ter conseguido, porque me foram oferecidas dificuldades imensas, ciladas e resistências de toda ordem.

Vi-me envolvido em numerosas batalhas, nas quais me empenhei, juntamente com auxiliares capazes e obstinados, socorrendo-me de uma energia que não era minha, mas que Deus me emprestou caridosamente quando ela se fez necessária.

Tive de atirar-me à luta — pela integração do Brasil em si mesmo —, enfrentando não só constantes perigos, como resistindo ao perigo maior, que foi o de não me deixar seduzir pelos que me aconselhavam a deixar que corressem com tranquilidade os meus dias, e que eu teria todo o proveito em não desafiar os defensores do atraso, e todos aqueles que acham verdadeiro crime uma nação tão perigosamente grande como esta nossa tomar decisivas e urgentes providências para cumprir o seu destino.

Não tenho medo da impressão que possa causar, repetindo e reafirmando que a batalha do desenvolvimento nacional é a própria luta pela nossa sobrevivência. Dia virá em que as minhas palavras terão um sentido bem mais claro — quando homens, sem prevenções examinarem o que aconteceu neste quinquênio, e não apenas contabilizando a favor desta administração tudo o que foi possível levar a ódios, neste efeito, mas dando-se também conta dos obstáculos encontrados pelo caminho.

Aí então, à luz do julgamento sereno, ficará patente que as afirmações que tenho feito não obedeceram ao simples gosto de falar ou de autopropaganda, mas a uma necessidade de campanha, a uma obrigação de alertar o país contra os partidários do atraso, contra as resistências ao nosso dever de apressar o Brasil, de retirá-lo da letal lentidão em que se arrastava.

Não chegou ainda a hora de provar o acerto com que deixamos de lado certas regras e doutrinas, as quais, adotadas com o rigor reclamado por alguns teóricos, nos impediriam de resolver nossos problemas de estrangulamento.

Dentro de alguns anos — livres das paixões polêmicas, dos choques resultantes das divergências de pontos de vista antagônicos — é que teremos as conclusões exatas, a verificação de que agimos de acordo com a necessidade de defender a unidade nacional e a nossa própria sobrevivência.

Não me arrependo do que fiz. Não me arrependo de ter levado em consideração o interesse de preservar o nosso dia de amanhã — o futuro da pátria brasileira”.

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