JK: Conselhos aos Economistas Brasileiros
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DIA DO ECONOMISTA – 13 de agosto

1 – “Quando praticamos uma ação boa — afirmou o doutrinador da democracia brasileira — não sabemos se é para hoje ou para quando. O caso é que os seus frutos podem ser tardios, mas são certos. Uns plantam a semente da couve para o prato de amanhã, outros a semente do carvalho para o abrigo do futuro. Aqueles cavam para si mesmos. Estes lavram para seus país, para a felicidade dos seus descendentes, para o benefício do gênero humano.”

Esta é, nas próprias palavras do mestre, a lição de Rui Barbosa, que deveis levar na memória como lema de vossos estandartes de batalha.

De preferência, cuidai de plantar carvalhos, jovens economistas. Por mais de uma vez tenho afirmado que o futuro é a dimensão de nossa Pátria. O horizonte do futuro, com a amplidão das extensões infinitas, é que nos deve atrair, no ritmo acelerado de nossa caminhada. 

            A política imediatista do plantio da couve é que tem desviado o nosso país do encontro com a sua grandeza efetiva. Na linha dessa política, ficaram relegadas aos cuidados do futuro algumas das soluções fundamentais da realidade nacional. O interesse da administração pública se concentrava de preferência nos problemas do presente. Daí o desencontro flagrante entre o país e o equacionamento de seus problemas de base, legado indefinidamente transferido às gerações que se sucediam.

O Brasil não é apenas a nossa casa nem somente o dia de hoje: é todo o seu território e a sua ilimitada continuidade no tempo.

Assumi para com a Nação os mais pesados encargos, que se traduzem no sistema de metas de meu programa administrativo, e posso aqui afirmar-vos, de consciência tranquila, que esses amplos objetivos estão sendo plenamente alcançados. Nenhuma das etapas que me propus foi posta de lado como solução inatingível. 

Meus jovens amigos! Este não é o momento da tristeza que advém do sentimento da despedida. É o momento de pores em ação a vossa fé nos supremos destinos da Pátria. A turma de antigos companheiros de estudos se dispersa para cumprir o seu dever de ser útil à Nação. Levais convosco uma bandeira de ideal. Como os homens perfeitos da definição de Vigny, as grandes nações realizam na maturidade os seus sonhos de juventude. E é na hora da maturidade que o Brasil vos recebe. Ajudai-o a ser grande, para que se realize em plenitude o sonho de todos aqueles que pensaram na ordem e no progresso como lema de nossa bandeira — a bandeira do vosso ideal e do Brasil.”

2 – “Em geral, a literatura sobre economia se baseia na experiência dos países desenvolvidos, traduzida em ensinamentos teóricos que costumam ser influenciados pelos interesses dominantes nesses países. Assim, não se pode esperar que tais estudos indiquem soluções adequadas para os problemas dos povos menos prósperos.

Cumpre que os nossos economistas evitem explicar aqueles problemas, sem antes submetê-los a uma crítica severa. E, o que é mais importante, cumpre-lhes, através da constante análise e interpretação imparcial dos nossos problemas, descobrir elementos que contribuam para o aperfeiçoamento da teoria econômica e sua maior generalização. Esta deve ser objetiva, deve ser a expansão da realidade econômica. Sempre que se distanciar dessa realidade — como ocorre, em vários de seus aspectos, com os fatos econômicos da América Latina — essa teoria deverá ser revista e aceita com as necessárias ressalvas.

Não menos relevante é o papel do economista de países subdesenvolvidos, no terreno da política econômica. É fato comprovado que, por força de circunstâncias históricas, países como o Brasil já não terão oportunidades para atingir um desenvolvimento econômico rápido e espontâneo, nos moldes do que ocorreu nos Estados Unidos. A aceleração do processo de crescimento, nas economias pouco desenvolvidas, requer a intervenção do Estado, mediante o estabelecimento de uma política de programação, com vistas a assegurar a mais eficaz utilização dos recursos disponíveis. A elaboração de um plano de desenvolvimento econômico é, no entanto, tarefa sobremodo complexa que requer os serviços do economista profissional, em todas as suas fases.”

Textos adaptados dos discursos proferidos por JK, 1) –  no dia 9 de dezembro de 1958, no Rio de Janeiro, como paraninfo dos formandos dos cursos de Análise Econômica do Conselho Nacional de Economia e 2) em 21 de janeiro de 1959, no Rio de Janeiro, como paraninfo da turma de economistas egressos da Faculdade Ciências Econômicas do Distrito Federal. Extraído da Coletânea “Juscelino Kubitschek: Profeta do Desenvolvimento: Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI”, de autoria de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira e publicados por MercadoComum.

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