JK: Atacando o grande inimigo chamado subdesenvolvimento
JK: Atacando o grande inimigo chamado subdesenvolvimento
JK: Atacando o grande inimigo chamado subdesenvolvimento
Mercado Comum Jornal on line BH Cultura Economia Política e Variedades

“Desde os primórdios de meu Governo, e dando cabal cumprimento ao conteúdo doutrinário de minha campanha eleitoral, lancei-me com desassombro na tarefa ingente de executar as metas que prometi. Ataquei, sem perda de um momento, o nosso grande inimigo — o subdesenvolvimento — em todas as frentes de batalha, quer promovendo a industrialização progressiva e abrindo novos rumos e mercados para a produção nacional, hoje apresentando níveis e índices impressionantes como o atestam, por exemplo, as indústrias petrolífera e automobilística; quer determinando a utilização, tão larga quanto possível, dos recursos naturais, desejando ressaltar o ofuscante aproveitamento que conseguimos do potencial energético do país — Furnas, Três Marias e tantas outras realizações aí estão para provar aos céticos o quanto pode a inabalável vontade de um povo que acredita em si mesmo; quer estimulando a mecanização e o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas, ao lado da racionalização e diversificação das atividades produtoras agropecuárias; quer desbravando as vastíssimas áreas, ainda sem efetiva ocupação, com o audaz plano das rodovias de integração nacional, do qual as ligações Belém-Brasília, Brasília-Fortaleza e Brasília-Acre são as esmeraldas mais preciosas descobertas pelo esforço bandeirante dos pioneiros do século vinte; quer reequipando e expandindo os sistemas ferroviários e a Rede Portuária do país, numa luta constante contra o obsoleto e o precário, agravado pelo inenarrável acúmulo de erros do passado.

Na cúpula dos empreendimentos em que arrojou meu Governo para acelerar, em bases sólidas o desenvolvimento da Nação, Brasília se situa como a “meta síntese”, a meta símbolo, a realidade tangível que, rebelando-se contra a assimetria desagregadora, veio consagrar um conceito irreversível de equilíbrio político, econômico e social de transcendente benefício para a nossa Pátria. Por outro lado, a busca da supremacia universal foi irresistivelmente arrastada em direção do objetivo de conquistar, para a esfera de um dos dois blocos em choque, a massa de povos que constituem as nações ditas subdesenvolvidas, englobando setenta por cento dos habitantes da terra. Esses povos, perseguindo a afirmação de sua autonomia econômica e política, vacilantes no rumo a seguir, sentem-se tomados de perplexidade diante das opções que lhes são oferecidas.

Enquanto as nações capitalistas procuram demonstrar a superioridade do regime democrático, do sistema da livre empresa e da ordem baseada no respeito à dignidade humana, muitas vezes se esquecem de que essa mensagem está mais ao alcance dos países avançados e cultos do que das nações subdesenvolvidas e iletradas. O nacionalismo, como revolução de um povo por meio do aproveitamento de todos os seus recursos naturais, a industrialização rápida e a elevação dos níveis de vida das camadas menos favorecidas, constitui a linguagem mais inteligível para todas as populações em processo de desenvolvimento”.

(Trecho do discurso proferido durante solenidade de recebimento do título de Doutor Honoris Causa da Faculdade de Direito da Universidade de Goiás, Goiânia – GO – 18 de dezembro de 1960 – Texto extraído da Coletânea de 3 livros – 2.336 páginas intitulada JK : Profeta do Desenvolvimento – Exemplos e Lições ao Brasil do Século XXI, de autoria de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira/MercadoComum).

Mercado Comum Jornal on line BH Cultura Economia Política e Variedades