Jayme Vita Roso

Advogado | vitaroso@vitaroso.com.br

Exatamente no mês e ano da graça de 1997, eu tivera acesso à leitura de Os Caminhos de Sabedoria: Tratado do labirinto (Librairie Arthème Fayard, 1996) de autoria de Jacques Attali. Tiragem inicial de 43000 exemplares. Pela Fayard, Attali coleciona sucessos: mais de 170000 exemplares vendidos. Eu, com seu livro, outra vez, me fascinei. E retroajo!
Conheci Attali, quando ele lecionava em 1975 na Escola Politécnica de Paris, França, e, secundando a Escola Normal Superior de Paris, lecionava, publicava e provocava com os livros L’anti-économique (Paris: Presses Universitaires de France, 1975) e La parole et l’outil (Paris: Presses Universitaires de France, 1974).
E saúdo sua biografia: “nascido em 1 de novembro de 1943, em Argel, Argélia Francesa, é um economista e teórico social francês, escritor, funcionário público e conselheiro político, que serviu como conselheiro do Presidente François Miterrand, de 1981 a 1991, sendo também o primeiro chefe do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento em 1991-1993. Em 1997, Attali propôs uma reforma do sistema de ensino superior. Em 2008-2010, ele liderou o comitê do governo sobre como iniciar o crescimento da economia francesa, sob o mandato do presidente Sarkozy” (disponível em: https://fr.wikipedia.org/wiki/Jacques_Attali ).
Para coroar sua biografia, foi galhardeado com o Prêmio Henri-Poincaré (Escola Politécnica), o Prêmio da Academia de Ciências pela publicação de Analyse économique de la vie politique e Modèles politiques; em 1972, aos 29 anos de idade, Prémio Harvey, dado pelo Instituto de Tecnologia de Israel, em Haifa, também o de Kent e, em 2009, tido como um dos maiores “pensadores do mundo”, pelo Foreign Policy.
Encantado com seu rigoroso criterioso pensamento, li mais de vinte de seus livros (dentre os mais de cinquenta publicados), ainda quando florescia como escritor.
E Attali cuida e trata da economia sem perder de vista a vida concreta, com visão global, assim referenciado pela Wikipedia, como podemos ver nos últimos dez anos de suas publicações:
Tous ruinés dans dix ans ? Dette publique : la dernière chance (Fayard, 2010). Em resumo: Estaremos todos arruinados em dez anos? Nunca, em meio a uma guerra global, o público publicou o grande país do Ocidente na época também. Nunca os perigos que constituem a democracia nestes tumultos. Para entender os motivos pelos quais a juventude leva Estados como a Islândia ou a Grécia à falência, Jacques Attali traça a história da dívida pública, que é também a constituição progressiva da função soberana e que ameaça destruí-la.
Demain, qui gouvernera le monde ? (Fayard, 2011). Em resumo: Amanhã, quem governará o mundo? Estados Unidos? China? Índia? Europa? O G20? A ONU? As multinacionais? As máfias? (…) Um dia a humanidade entenderá que tem tudo a ganhar se, unindo em torno de um governo democrático do mundo, indo além dos interesses das nações mais poderosas, protegendo a identidade de cada civilização e administrando os interesses do mundo da melhor maneira, com humanidade. Esse governo existirá um dia? Após um desastre, ou em seu lugar. É urgente ousar pensar nisso, pelo melhor do mundo.
Pour une économie positive, (Fayard, 2013). Em resumo: Como podemos encontrar uma saída para a crise sistêmica que estamos passando? Mudando para um novo modelo: a economia positiva. Uma economia onde a riqueza criada não é um fim em si mesma, mas um meio para servir a valores altruístas superiores. Uma economia ao serviço das gerações futuras e que promova um crescimento responsável, sustentável e inclusivo. Uma economia que respeite o meio ambiente e que estará, antes de mais, a serviço da sociedade. Como implementar essa mudança de forma concreta?
Comment nous protéger des prochaines crises (Fayard, 2018). Em resumo: A questão não é se uma próxima crise explodirá, mas quando e o que a desencadeará e revelará. Sejam financeiras, ecológicas ou geopolíticas, ou ligadas por um efeito dominó, essas crises terão sua origem na prioridade dada ao escoamento de estoques, ao consumo sobre a poupança e ao investimento. Posso imaginar aqui os vários cenários prováveis de curto prazo e suas consequências devastadoras em nível planetário. No entanto, este não é o momento para pessimismo ou resignação, mas para ações positivas.
Finalmente, nesta década, sobre economia:
L’Économie de la vie (Fayard, 2020). Em resumo: Para garantir a sobrevivência da humanidade, ameaçada como nunca pela crise gerada pela pandemia Covid-19 e seu manejo, uma nova economia da vida deve ser criada. Reunindo todos os setores econômicos que têm como missão a defesa da vida, este novo paradigma é o único capaz de garantir um futuro desejável para a humanidade.
Com este apanhado, deixo ao leitor à reflexão!
Vale conhecer o pensamento deste economista que pensa e reflete como ser humano, não como uma tábua de algoritmos!


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