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“Não faço planos para o futuro”. Essa afirmação do personagem cínico Rick interpretado por Humphrey Bogart no filme clássico
Casablanca, de 1942, deve ser considerada por grandes investidores e gestores de recursos no dia-a-dia. Pelo menos,
enquanto continuar a alta volatilidade do mercado acionário mundial. O personagem Rick disse a célebre frase no turno da
manhã para recusar um possível encontro amoroso que seria agendado para a noite, durante a instabilidade que reinava
naquela cidade do norte da África no auge da segunda guerra mundial.

Não é possível conhecer quando o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atinge o fundo do poço. A horaideal para ir às compras é quando as ações das principais companhias já caíram bastante e estão com preços convidativos. Entre as ações baratas de companhias sólidas e que tradicionalmente apresentam bom desempenho, devese escolher as que têm maior potencial de alta, como ajuda de especialistas e acompanhamento do mercado.

Mesmo que registrem desempenhos mais modestos diante dos efeitos da crise mundial, os grandes bancos como Itaú Unibanco, Bradesco e Brasil vão terminar o ano com lucros recordes. A mineradora Vale e as principais companhias
do setor elétrico certamente apresentarão em dezembro resultados altamente expressivos. Até a Petrobras, que é
alvo de críticas constantes dos analistas quanto às injunções políticas em sua administração, tem condições de repetir os
resultados elevados do primeiro semestre.

Ações que pagam dividendos sobre o lucro líquido, acima do percentual mínimo obrigatório de 25%, não podem ser
desconsideradas no processo de análise de compra. Entre elas estão Tractebel, Cemig e outras companhias do setor
elétrico, Bradesco, Itaú Unibanco, CSN.

Os gestores de recursos nem sempre podem colocar esse pensamento em prática porque são obrigados a comprar e
vender ativos diariamente ou a toda hora para ganhar dinheiro.

Mas fazer projeção sobre o desempenho dos mercados financeiros e a economia é cada vez mais difícil e sujeita a
erros. Grandes gestores são os que mais ganham ou perdem dinheiro em épocas de grande turbulência dos mercados por
serem obrigados a se arriscar no futuro próximo.

Nas fases de “derretimento” dos índices das bolsas, o conselho de se aplicar no máximo entre 20% a 30% da
poupança financeira disponível em ações torna-se ainda mais válido. Ações podem dar grandes lucros ou prejuízos no
curto, médio e longo prazo. São ativos de risco. Os iniciantes no mercado de todas as idades só se dão conta dessa
realidade depois de tomarem prejuízos ou serem obrigados a superar diversas crises econômicas.

Potencial de alta
Aos pequenos e médios investidores, o que se recomenda em cenários turbulentos é a velha prudência mineira. Os
detentores de ações, sem características especulativas, não devem comprar ou vender até a turbulência perder a
intensidade. É hora de fugir do “efeito manada” ou vender ações no mesmo ritmo que todos estão fazendo. Ou quando
a bolsa começar a se recuperar, comprar ações no mesmo ritmo da forte valorização do mercado.

Sempre que ocorre uma crise mundial, a bolsa brasileira recua mais do que as dos EUA e Europa por diversos motivos.
Entre eles, esta o “flight to quality” (fuga para a qualidade): os grandes investidores sacam recursos no Brasil e demais
países emergentes para ficarem mais líquidos ou aplicar em títulos americanos.

O mercado financeiro não deu importância ao rebaixamento da classificação de risco dos EUA pela Standard & Poor´s.
Preferiu acreditar no presidente Barack Obama para quem os EUA sempre têm a classificação máxima dos três As.
Além disso, depois que essas agências de classificação de risco não foram capazes ou não quiserem ver a extensão da
crise financeira de 2008 ao manterem em graus elevados a avaliação dos principais bancos americanos e internacionais
quase quebrados, a credibilidade delas está sendo questionada.

Os treasuries – títulos americanos de 10 anos – passaram a ser mais procurados em agosto passado após o rebaixamento
da nota dos EUA pela S&P. Por isso, seus juros anuais caíram abaixo dos 2% anuais.

Porto seguro
Os pequenos investidores são menos afetados imediatamente pela crise mundial. Podem assim ficar mais tranquilos
temporariamente. O BC não tem condições de reduzir bruscamente a taxa Selic, os juros básicos da economia porque não há certeza sobre o comportamento da economia no curto e médio prazos. A Selic influencia imediatamente as taxas de aplicação nos bancos e depois os juros dos empréstimos.

A caderneta de poupança, que chegou a render 0,70% líquido em agosto, certamente continuará competitiva com
os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), fundos de investimentos financeiros, títulos públicos, que ofereciam
remuneração bruta máxima próxima de 1% no mesmo período. Sobre essas taxas brutas incidem as alíquotas regressivas do
Imposto de Renda que oscilam de 22,5% nas aplicações por seis meses até 15% nas aplicações por dois anos.

Só conseguem a taxa máxima nos CDBs os que aplicam quantias acima de R$ 100 mil, dependendo do porte do
banco e do seu relacionamento do cliente com a instituição financeira. No Tesouro Direto, os títulos públicos pós ou
prefixados só são competitivos com as cadernetas de poupança para os que aplicam por cerca de dois anos.
Estudo recente de consultoria mostrou essa realidade pouco difundida pelos defensores do Tesouro Direto. Na hipótese
do recuo da inflação devido a desaquecimento econômico, os papéis privados e títulos públicos prefixados ficam mais
atrativos. Neles, o investidor fica sabendo ao aplicar quanto vai ganhar. Nos pós-fixados, o ganho final é maior quando a
inflação está em alta.

A “corrida para o ouro” dificilmente é registrada entre pequenos e médios investidores porque é difícil aplicar no metal tipificado
como ativo financeiro na rede bancária. O produto não está disponível. Somente grandes investidores e países fazem
reserva financeira em ouro e pressionam o valor do metal que caminha para os US$ 2 mil a onça-troy (31,1 gramas). O
ouro chegou a registrar valorização de quase 30% neste ano no mercado internacional. Essa alta ficou limitada a menos da
metade até agosto na BovespaBM&F porque a cotação do metal no mercado interno é reduzida pela desvalorização do
dólar frente ao real.

Sem pessimismo
A crise da dívida soberana e do desaquecimento econômico dos EUA e países da Europa pode afetar o Brasil na
mesma proporção da provável redução ainda que limitada do crescimento da China. O país asiático, na posição de
segunda maior economia mundial e caminhando para o primeiro posto, detém a liderança na pauta de exportações
brasileira, altamente concentrada em commodities como minério de ferro.

Se a mineradora Vale e produtores de soja reduzirem suas vendas para a China, menos divisas entram no país. O real
sofre pressões para se desvalorizar perante o dólar numa fase em que o crédito internacional pode ficar mais caro e
escasso, se a crise da dívida soberana principalmente da Europa afetar a liquidez dos bancos do velho continente e
chegar aos EUA.

Nesse cenário, ocorreria uma reviravolta de tendências na economia brasileira. As pressões inflacionárias diminuiriam e o
Produto Interno Bruto (PIB) cresceria menos. Assim, o Banco Central (BC) teria condições de reduzir progressivamente a
taxa Selic.

Economistas como Fernando Honorato Barbosa, coordenador de análises do Bradesco, já trabalham com a possibilidade
de ligeiras quedas nos percentuais da inflação e PIB brasileiro, nos próximos meses, mas sem pessimismo. Ele
disse durante reunião com analistas na APIMEC-MG que a economia brasileira enfrenta a atual crise em situação bem mais favorável do que em 2008. O País possui reservas cambiais de US$ 350 bilhões, depósitos compulsórios no BC no total de R$ 420 bilhões, e provisões de R$ 103 bilhões para crédito de liquidação duvidosa (acima de 90 dias) no sistema financeiro. Se a crise for muito intensa, o PIB brasileiro – previsto atualmente para 2011 entre 3% e 4% , cai meio ponto percentual e a taxa Selic recua um pouco, afirmou.

A bolha no mercado imobiliário como chegou a ser cogitada por publicação estrangeira não existe. Fernando Honorato Barbosa explicou que o brasileiro em geral compra casa é para morar, e o crédito imobiliário só corresponde a 4% do PIB. Citou também que o déficit habitacional no país é estimado em 7,5 milhões de unidades.
O vice-presidente executivo do Bradesco, Domingos Figueiredo de Abreu, ainda lembrou que no caso de a crise internacional se agravar o País tem “gorduras para queimar”. O BC pode reduzir a taxa Selic e o compulsório bancário. Além disso, as empresas brasileiras estão pouco alavancadas no mercado de crédito.

Destaques empresariais
Retorno de 23,2%: – Esse foi o ganho do Bradesco sobre o patrimônio líquido médio no segundo trimestre deste ano. O lucro líquido de R$ 5,563 bilhões alcançado no primeiro semestre corresponde à variação de 20,9% em relação a idêntico período do ano passado. O patrimônio líquido em junho passado somou R$ 52,843 bilhões, 19,3% superior ao mesmo mês do ano passado. A carteira de crédito atingiu R$ 319,802 bilhões ao final do primeiro semestre, correspondente a acréscimo de 23,1% em relação a idêntico período do ano passado.
Ao comentar os bons resultados do banco para os analistas de investimentos na APIMEC-MG, Domingos Figueiredo de Abreu, vice-presidente e diretor de relações com investidores do Bradesco, disse que a inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) nos pagamentos dos empréstimos caiu de 5% do total em 2009 para 3,6% neste ano. A solidez do banco está garantida pela provisão de 189% do total de créditos em atraso.
Expansão: Sem temer os efeitos da crise internacional sobre o mercado de crédito brasileiro, o diretor de RI do Bradesco prevê encerrar o ano com crescimento entre 15% 19% no total de empréstimos. No longo prazo, o diretor de RI aposta no bom desempenho das ações do banco. Como exemplo, citou que nos últimos dez anos, a ação PN do Bradesco registrou valorização de 691%, superior aos 300% do Ibovespa. O investidor ainda recebe dividendos médios de 30%. No primeiro semestre deste ano, o banco pagou dividendos de 35,5% sobre o lucro líquido. O valor de mercado do banco (soma de todas suas ações) alcançou R$ 111,770 bilhões.

Destaque no ensino: – O diretor regional do Bradesco em BH, Almir Rocha, disse que Minas tem posição de destaque no banco que possui mais de 300 agências no Estado, atendendo todos os segmentos de clientes, desde pessoas físicas de baixa renda até os maiores clientes do segmento corporate. Estão em Minas duas das 40 escolas mantidas pela Fundação Bradesco. Mais de cem mil alunos cursam gratuitamente essas escolas – todo o ensino médio -, com recursos da Fundação criada pelo “seu” Amador Aguiar, o fundador do banco. A Fundação Bradesco, por sua vez, se mantém com os dividendos das ações doadas pelo fundador do banco.

Pontos de atenção
Leonardo Senra, diretor de relações com investidores da Souza Cruz SA., na apresentação de resultados para analistas em BH destacou que a companhia tem condições de manter seu desempenho operacional e financeiro, apesar de alguns “pontos de atenção”. Entre eles, citou o consumo de cigarros e tabaco em geral em desaceleração no País, dúvidas sobre a inflação e o câmbio, aumento da tributação pelo governo e crescimento do contrabando de maços de cigarros.
A Souza Cruz que possui em Uberlândia (MG) sua grande fábrica, a outra fica em Cachoeirinha, no RS, e opera com um mercado consumidor de 23 milhões de fumantes no País e exportações de tabaco de 500 mil toneladas no ano passado equivalentes a receita externa de US$ 2,8 bilhões.
Controlada pela multinacional BAT – British American Tobacco, a Souza Cruz continua com boa presença no mercado acionário, onde 24,7% de suas ações encontram-se em negociação (free float). Pagou no primeiro semestre dividendos de 97% sobre o lucro líquido do ano passado. Terminou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 783,6 milhões em relação a idêntico período do ano passado. Sua receita líquida de vendas atingiu 2,6 bilhões, equivalente a crescimento de 6% em relação ao ano anterior.

Modelo
A Tractebel Energia é uma das empresas-modelo do setor elétrico brasileiro, como afirmou José Domingos Vieira Furtado, presidente da APIMEC-MG. É controlada pelo grupo franco-belga GDF SUEZ, líder mundial em energia. Com sede em Florianópolis (SC), possui capacidade instalada de 6.907,6 MW (megawatts) em 22 usinas, das quais 81% hidrelétricas, 17% termelétricas 2% complementares. Terminou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 358,8 milhões correspondente a acréscimo de 33,1% sobre o total de idêntico período do ano passado. O analista de RI da empresa, Rafael Bosio anunciou a seus acionistas que a empresa pagará dividendos de 100% sobre esse resultado.

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