Oitenta e cinco por cento das empresas consultadas no estudo “Maturidade do compliance no Brasil — 4ª edição”, da KPMG, apontam os desafios de identificar, avaliar e monitorar os aspectos regulatórios como os mais complexos nesse tema. Segundo o levantamento, as empresas de Governo e Infraestrutura apresentam nível de maturidade do compliance inferior aos outros setores pesquisados, registrando um índice de 0,34 abaixo da média das empresas brasileiras.

De acordo com o levantamento, Por outro lado, houve um avanço na postura dos executivos quanto à revisão e aprovação do Programa de Ética e Compliance, que passou de 55% dos entrevistados da edição anterior da pesquisa, para 71%, na atual.

“Quando uma organização consegue realizar uma avaliação de risco de compliance é porque existe fundamento para o constante aprimoramento do programa. Com isso, há controle maior dos riscos que podem surgir, propiciando resultados mais consistentes”, pondera o sócio-líder da Prática de Compliance da KPMG no Brasil, Emerson Melo.

Segundo o estudo, as empresas precisam avaliar incessantemente como estão fortalecendo a responsabilidade dos colaboradores e de terceiros, por meio de incentivos, ações disciplinares e, principalmente, treinamento e comunicação com foco no estabelecimento da cultura de compliance no ecossistema. Dentre os pontos que precisam ser considerados, estão os seguintes: clareza dos procedimentos de responsabilização; estrutura de remuneração alinhada com a governança e cultura de compliance; estruturação de reporte e subordinação independentes das três linhas de defesa; unir os talentos certo em suas três linhas de defesa.

Dentre as principais responsabilidades da função de compliance, de acordo com o estudo, a questão de monitoramento dos indicadores-chave foi a mais aplicada este ano, com 85%. Comparando com a edição anterior, a diferença foi de apenas 2%. Entretanto, a principal função, há dois anos, era manter as políticas e os procedimentos atualizados, com 88%. Porém, na atual, caiu 13%, tornando-se uma das menos aplicadas.

“Dividimos a avaliação do risco de compliance em cinco estágios. O que vemos no mercado é que, a cada ano que passa, as organizações estão em um estágio mais maduro, com estrutura, funções e responsabilidades que dão suporte ao funcionamento do Programa de Ética e Compliance. Claro que o ideal é as empresas terem uma equipe qualificada e processo robustos, além de uma plataforma sistemática para a automatização dos processos de compliance, o que elevaria essa curva de maturidade aos estágios de integrado e avançado, respectivamente”, explica o sócio.