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A péssima estimativa do cenário econômico nacional, com previsão de crescimento abaixo de 1% para 2015, criou um alerta em todo o meio empresarial, que agora se esforça para criar alternativas emergenciais a fim de reverter a estagnação que tomou conta de todo o País. As duas quedas consecutivas do Produto Interno Bruto (PIB) – que tende a ter o pior desempenho desde 2009 – e a alta carga tributária brasileira são os principais motivos de apreensão para executivos de finanças e dirigentes industriais. Foi esta a preocupação que reuniu centenas de dirigentes empresariais, executivos e líderes governamentais brasileiros entre os dias 17 e 19 de setembro, no Hotel Mercure, em Belo Horizonte, para a 25ª edição do Congresso Nacional de Executivos de Finanças (CONEF). O encontro, norteado pelo tema “Brasil – Desenvolvimento e Estratégias para o Crescimento Econômico Vigoroso e Contínuo”, foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF Nacional), entidade presidida pelo economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, diretor- presidente de MercadoComum – Publicação Nacional de Economia, Finanças e Negócios. O objetivo do congresso foi debater assuntos relacionados à economia nacional, bem como estratégias e caminhos para a retomada do crescimento. Apesar das comemorações em torno dos 20 anos do Plano Real, que contribuiu de forma eficaz para o restabelecimento da inflação dentro de patamares considerados satisfatórios a partir de sua implantação, o País passa por um novo momento de turbulência: economia instável, inflação acumulada em 27% em quatro anos, excesso de burocracia, baixa produtividade e entraves que elevam o custo Brasil. “É urgente a necessidade de criar uma política eficaz de controlar a inflação. Desde 2012, considerando- se as projeções para o IPCA de 2014, a inflação brasileira terá acumulado, no período, uma elevação de quase 27%, número substancial e alarmante. Temos que superar a média internacional. Buscar, no mínimo, um alinhamento com aquelas taxas contabilizadas pelos países emergentes”, alertou o presidente do IBEF Nacional, Carlos Aberto Teixeira de Oliveira, na abertura do evento. De 2011 a 2014, a economia mundial terá crescido, no acumulado do período, 14,3%. A dos países emergentes registrará expansão de 22,2%. Já a América Latina e o Caribe contabilizarão, no mesmo período, crescimento de 12,6%. Porém, para o Brasil, o crescimento esperado é de apenas 7,2%. “Com esse resultado, fica claro que o país desaprendeu a crescer de forma vigorosa e contínua. Durante os últimos trinta anos, o Brasil não conseguiu se reconciliar com taxas de expansão da economia mais expressivas, a exemplo do ocorrido com os países emergentes e em desenvolvimento, especialmente do Brics, do qual faz parte”, lembrou Oliveira. O futuro da economia brasileira e as estratégias para reverter o quadro de estagnação econômica também foram debatidos pelo ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-ministro de Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. “O aumento do poder de consumo do brasileiro ao longo dos últimos anos ditou os rumos da economia. O Brasil vive um ciclo econômico pelo qual já passaram as nações desenvolvidas, mas com a vantagem de que a renda média cresceu muito”, analisou Barros, que, apesar de reconhecer esse cenário, enxerga problemas sérios na economia. “O país atingiu o limite do déficit fiscal, o que ainda vai adiar por algum tempo qualquer possibilidade de reforma tributária. Se o que se quer é reduzir impostos, é preciso reduzir, primeiramente, os gastos do governo”, argumentou. Ainda segundo o palestrante, o futuro governo precisará corrigir alguns desequilíbrios de oferta, pois há mercados muito pressionados. “A economia já está em recessão. Apenas com a iniciativa privada, poderemos voltar a crescer”, garantiu. O articulista da Revista Veja, Rodrigo Constantino, acredita que o País precisa passar por uma “reforma conjuntural”, já que apresenta excessivo gasto público e intervenção em vários setores. “Nesse aspecto entram as reformas estruturantes, como a tributária, política, trabalhista e previdenciária”, opinou.

AJUSTE FISCAL

Os entraves e gargalos da economia brasileira aumentam e culminam em uma produtividade cada vez mais instável. Um ponto comum entre os empresários, apontado como medida urgente para reversão do quadro econômico é a realização do ajuste fiscal, uma medida que, segundo especialistas, implica em reduzir despesas de custeio e aumentar arrecadação. O diretor do IBEF Minas Gerais, Laurindo Souza, ressalta que, apesar de arriscado, o ajuste será crucial para definir a economia em 2015. “Não há alternativa. O ajuste fiscal terá que ser feito, independentemente de quem ganhar as eleições”, afirmou. De acordo com estudo divulgado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecom) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a produtividade física do trabalho da Indústria de Transformação caiu 0,7% em junho, na comparação com maio. Diante desse cenário, empresários de diferentes segmentos da indústria nacional foram unânimes em prever, durante o 25º CONEF, as piores estimativas para 2015.

SEM CRESCIMENTO

O presidente da Cenibra, Paulo Brant, disse que o cenário para a indústria no curto prazo não é positivo. “Estamos no limite. Há um consenso de que 2015 será muito difícil. A realidade mostra que o crescimento econômico não vai mais acontecer. E não há mais como prosseguir fazendo mais do mesmo. Temos que crescer para ficar no mesmo nível. É como se estivéssemos subindo uma escada rolante que está descendo. O grande desafio do país é resgatar o investimento. Não há como crescer investindo 17% (do PIB)”, disse. Brant defendeu reformas, principalmente um ajuste fiscal. Segundo ele, o ajuste tem que ser de médio e longo prazos, porque só assim será sustentável. Ele ressaltou o fato de a taxa de investimento brasileiro ser uma das menores em todo o mundo. “Somos o 49º país do mundo em formação de capital bruto, que é a relação entre investimento e o PIB, razão pela qual o Brasil não consegue crescer. O grande desafio do país é resgatar o investimento”, disse, destacando que a indústria brasileira precisa ganhar, a cada ano, uma produtividade no mínimo igual aos custos para não ficar no mesmo nível que se encontra. O empresário Salim Mattar, executive chairman da Localiza, disse que deverá haver um aumento de carga tributária no Brasil, porque o governo terá que fazer ajustes em 2015 e 2016. “Não interessa se é exportador ou se atua somente no mercado interno. O peso é muito grande. Teremos um aumento ainda maior dessa carga porque quem ganhar as eleições terá que fazer ajustes que custarão caro à sociedade”, alertou. Segundo ele, as empresas serãoas mais oneradas, assim como o consumidor, e o Estado, novamente, se servirá das empresas para resolver os seus problemas de má administração e corrupção. “A economia ficará mais desorganizada em 2015, principalmente se o atual governo continuar no poder”, afirmou. “Quando uma empresa quebra, os reflexos são pequenos. Quando o governo ‘quebra’, ele se volta contra nós, buscando mais tributos, impostos e taxas. Por isso o equilíbrio fiscal é fundamental”, opinou o empresário. Já o presidente da Totvs, Laércio Cosentino, diz que existe um grande populismo de governo. “Nós não temos um plano de país, temos um plano de poder”, lamentou. Combatendo simultaneamente a inflação e os altos juros, o presidente da Dufry Brasil, Humberto Mota, afirmou que é possível reverter o cenário atual. “O ajuste fiscal é, claramente, pré-requisito para que todos esses pontos sejam atacados simultaneamente. Neste ano, o país entrou em recessão técnica”, disse.

PÚBLICO

A 25ª edição do CONEF contou com a presença de dois mil analistas econômicos e executivos de finanças em três dias de evento. Para o analista econômico da FIEMG, Breno Maciel, “o conteúdo apresentado trouxe um panorama da economia atual, em um momento decisivo para o Brasil, com a análise de dados e expectativas, além da visão dos empresários sobre o mercado”. A gerente-executiva da Abimaq, Regiane Nascimento, disse que as palestras e fóruns foram pertinentes para os profissionais da área. “Uma experiência rica para o público, já que foram apresentadas análises econômicas e financeiras, além dos excelentes debates que nos ajudaram a desenvolver estratégias para o desenvolvimento da Indústria”, disse. O diretor presidente da Telemont, Gilnei Machado, ressaltou a importância de um evento como o CONEF ser sediado na capital mineira. “Um evento de grande repercussão nacional como este fomenta discussões e abre oportunidades de negócios”, afirmou.

BRASIL: LIMITES AO CRESCIMENTO

• Alavancas do crescimento perderam força e reduziram o crescimento econômico;

• Crédito bancário para o consumo chegou a limites saudáveis. Agora, endividamento crescente apenas para aquisição de imóveis;

• Os membros da nova classe média, criada nos últimos anos, atingiram limites a seu endividamento e começaram a ter dificuldades para honrar seus compromissos. Últimos trimestres têm sido de ajustes do balanço das famílias.

• Maiores taxas de desemprego até 2007 criavam alguma folga no mercado de trabalho, permitindo a expansão do emprego sem forçar os salários. Essa capacidade ociosa não está mais presente.

• Fortalecimento do real acima da sua taxa natural de equilíbrio, associado ao aumento de custos internos de produção, reduziu fortemente a competitividade de nossa indústria;

• Existência de alguma folga na infraestrutura do país (portos, estradas e geração de energia) também chegou ao fim, agora pressionado os custos internos;

BRASIL: PIORA DA POLÍTICA ECONÔMICA

• Mudanças na condução do Sistema de Metas de Inflação;

• Menor independência do Banco Central;

• Riscos com a política cambial;

• Maiores gastos com seguridade social e salários dos servidores públicos (itens de difícil alteração por conta das restrições legais) resultam em aumento contínuo das despesas do governo 

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