FED inicia ciclo de alta dos juros, rumo ao campo contracionista
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Em reunião do comitê de política monetária (FOMC) realizada no dia 16 de março último, o banco central dos EUA (FED) decidiu elevar a sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para o intervalo de 0,25% a 0,5% ao ano. A decisão não foi unânime: o presidente do escritório regional do FED de St Louis, James Bullard, votou por um aumento maior, de 50 pontos-base.

De acordo com a LCA Consultores Econômicos, no comunicado da decisão, o FED reconheceu que a “inflação continua elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda provocados pela pandemia, preços elevados de energia e pressões mais disseminadas de preços”. Ademais, a autoridade afirmou que a “invasão da Ucrânia pela Rússia” traz “implicações para a economia dos EUA que são altamente incertas” – mas avaliou que “no curto prazo a invasão e eventos relacionados provavelmente criarão pressões altistas adicionais sobre a inflação e pesarão sobre a atividade econômica”.

No trecho prospectivo do comunicado, o FED sinalizou que o “aperto apropriado” da política monetária contribuirá para trazer a inflação de volta ao objetivo de 2% e para manter o mercado de trabalho fortalecido. A autoridade indicou que promoverá “aumentos contínuos” da taxa básica de juros e antecipou que iniciará a redução de sua carteira de ativos “em uma próxima reunião”. Ou seja, essas sinalizações reforçam a perspectiva de que o ciclo de ajuste monetário prosseguirá através: (i) de elevações contínuas de juros, de ao menos 25 pontos-base por reunião do FOMC; e (ii) de enxugamento de liquidez via redução do balanço de ativos do FED.

As projeções macroeconômicas dos diretores do FED sofreram revisões importantes – com aumento nas projeções de inflação e redução nas estimativas de crescimento do PIB. As mudanças ficaram em linha com o nosso cenário macroeconômico base.

As projeções oficiais para a taxa básica do FED também foram significativamente revistas para cima. A mediana dos diretores do FOMC para a FED Funds Rate no final de 2022 passou de 0,875% para 1,875%. Isso significa que a mediana passou a projetar elevações de 25 pontos-base em cada uma das seis reuniões do FOMC restantes para este ano. Vale notar, pela distribuição das projeções dos participantes do FOMC, que sete dos 16 diretores projetam mais do que sete aumentos de 25 pontos-base para a FED Funds Rate até o final deste ano. Isso significa que quase a metade do colegiado antecipa elevação superior a 25 pontos-base em ao menos uma das próximas reuniões dos FOMC.

Já a mediana das projeções para o final de 2023 passou de 1,625% para 2,75%, o que indica que o juro básico deverá ser elevado a patamar moderadamente restritivo, uma vez que esses 2,75% configuram um nível superior à mediana das projeções para o juro no longo prazo, que foi ligeiramente reduzida, de 2,5% para 2,375%.

A decisão do FOMC de elevar a sua taxa básica em 25 pontos-base veio em linha com nossa expectativa, assim como a sinalização de redução iminente do balanço de ativos do FED. Mas o comunicado de política monetária e, sobretudo, as revisões nas projeções dos diretores do FOMC apontam para um ciclo de elevação de juros nos EUA algo maior e mais rápido do que aquele contemplado em nosso cenário macroeconômico base. Vale lembrar que atualmente projetamos: (i) seis elevações de juros para este ano (incluindo o aumento promovido nesta 4ª-feira, dia 16); e (ii) elevação da FED Funds Rate para 2,5% ao ano ao fim do ciclo de aperto monetário, que deverá se estender até meados de 2023. À luz das sinalizações constantes do comunicado do FOMC, estamos colocando nossa curva para a FED Funds Rate sob revisão, com viés de alta.

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