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Elaborando uma visão conjuntural do cenário econômico e político atual, entrevistamos Luis Paulo Rosenberg, sócio-diretor da Rosenberg Associados. O consultor tem carreira destacada nas áreas acadêmicas, empresarial e na atividade pública: bacharel em Economia pela USP, Mestre e PHD em Economia pela Vanderbilt University, atuou como assessor do ministro Delfim Neto.
 
Foi membro da equipe de negociação com o FMI e assessor econômico do presidente José Sarney.
 
A Rosenberg Associados foi premiada, pelo segundo ano consecutivo, como a vencedora do Ranking Broadcast Projeções 2013, da Agência Estado. Esse ranking é elaborado com as projeções de 62 instituições financeiras e consultorias. Também no Top 5 do Banco Central (19 vezes no ranking em 2013) e nos rankings da Bloomberg, o desempenho da consultoria é notável, situando-a como uma das casas com maior respeitabilidade no que diz respeito à construção de cenários e projeções macroeconômicas.
 
Em Minas Gerais, a Rosenbeg & Associados tem parceria com a MinasPart – Desenvolvimento Empresarial e Econômico Ltda.
 
Pelo segundo ano consecutivo, a Rosenberg Associados foi premiada pela Agência Estado como a instituição com maior grau de acerto no TOP-Geral. O economista salienta a importância da confiança entre os investidores, nacionais e internacionais, sem deixar-se levar pelo pessimismo absoluto que tem tomado conta das discussões a respeito da economia.
 
Apesar da atual deterioração econômica do país, haja vista a desaceleração do crescimento e a situação inflacionária desconfortável em um horizonte próximo, o economista aponta para os ganhos expressivos em termos de distribuição e ampliação da renda, de mercado consumidor doméstico, bem como os efeitos positivos da recuperação dos EUA sobre o cenário para o Brasil. E ressalta que aqueles capazes de contemplar o longo prazo tupiniquim com mais frieza e objetividade percebem que a fronteira de expansão do capitalismo tem no Brasil um parceiro mais testado, confiável e dotado de vantagens comparativas insuperáveis – daí não estar havendo, a despeito do mau-humor reinante, uma fuga de capitais do país.
 
Como o Senhor vê a atual situação conjuntural da economia brasileira? Como este cenário se relacionaria com a confiança do empresário brasileiro ou do investidor estrangeiro? De todas as informações conjunturais, a mais chocante refere-se ao humor dos empresários, onde se flagram notícias boas e más.
 
A boa é que, no começo do ano, o sentimento em geral estava muito ruim. A má é que piorou muito! A falta de confiança impera e tal postura acaba se convertendo em profecia autorrealizável, pois, se alguém acredita que a economia não estará bem, não investe, demite e, consequentemente, a economia não estará bem.
 
A despeito da safra agrícola excelente que estamos colhendo, da postura fiscal expansionista do setor público (em parte, talvez, por causa dela), da Copa e das eleições, será muito difícil superar os 2% de crescimento do PIB. Mas, sem tempestades, pois os salários continuam nos seus picos históricos e o emprego está estabilizado em nível confortável.
 
Entretanto, a combinação de juros reais perto de 5% ao ano e expectativas negativas dos empresários, com incerteza sobre os moldes de condução da política econômica no futuro, é asfixiante para a atividade econômica.
 
Neste quadro, o que diferenciaria o Brasil de outros países emergentes? Nota-se a existência de um paradoxo interessante: se o empresário local está ressabiado, mesmo sendo acostumado à volatilidade macroeconômica do País (onde até o passado é imprevisível, como lembra Malan), que deveria estar acontecendo com o investidor estrangeiro? Congestionamento nos aeroportos, filas nos guichês dos bancos para remeter dólares, explosão da cotação das moedas fortes, diria um observador marciano, interessado na economia brasileira. Falso! Aplicações em renda fixa entram aos borbotões, fusões e aquisições seguem em ritmo recorde com estrangeiros na ponta compradora e o Banco Central prepara uma redução do hedge oferecido ao mercado, antes que a cotação encoste em dois reais por dólar. Tais fatos tendem a confirmar que os distantes da irritação produzida pela mediocridade e voluntarismo de Dilma conseguem contemplar o longo prazo tupiniquim com mais frieza e objetividade.
 
E percebem que a fronteira de expansão do capitalismo tem no Brasil um parceiro mais testado, confiável e dotado de vantagens comparativas insuperáveis. Não é nenhum Paraíso, donde exigirem taxas de retorno bem superiores que no Chile, Nova Zelândia ou Finlândia, verdadeiros jardins serenos, oásis de racionalidade e abulia.
 
Mas para quem busca segurança e retorno em longo prazo, o Brasil ainda suplanta a misteriosa Índia, a belicosa Rússia ou o México dos narcotraficantes.
 
Apesar de rumarmos para o primeiro saldo comercial negativo em décadas (ainda que baixo), a entrada financeira permitirá até uma pequena acumulação de reservas, mostrando que, felizmente, o mundo ainda está bastante disposto a financiar o Brasil.
 
Se as razões para a queda de confiança não vêm de fora, quais são seus determinantes internos? Uma das grandes preocupações é a inflação.
 
Já estamos nos aproximando do limite superior da banda. Numa quadra adversa, pontualmente, é verdade, o que permitirá uma reversão antes do final do ano; mas que, se voltar para dentro da banda, será por pouco. Pior: com preços básicos de energia represados, já garantindo nenhum alívio para 2015. Muito pior: ao não racionarmos energia elétrica em 2014, contratamos uma escassez para 2015, que se refletirá em inflação ou insuficiência de crescimento e aumento da desconfiança, no ano que vem.
 
Ou seja: a resistência da inflação de serviços e os adiamentos dos reajustes de administrados (o reajuste da tarifa energética em algumas capitais ainda é apenas a ponta do Iceberg) sinalizam inflação pressionada por um bom tempo.
 
Apesar do ambiente de frouxidão ou, ao menos, neutralidade fiscal, no qual os juros deveriam ser ainda mais agressivos, as sinalizações são de que, ao menos até as eleições, eles deverão ficar estáveis, até por medo de que a falta de confiança e os pífios resultados da atividade possam vir a se configurar numa recessão. Neste ambiente, é questão de tempo para o mercado de trabalho dar sinais de exaustão (os primeiros já começam a aparecer) e a atividade econômica a resfolegar. Com as incertezas sobre a capacidade de fornecimento de energia elétrica, não é de se admirar que a confiança esteja em tão baixos níveis; porém, há que se lembrar que o mercado consumidor brasileiro continua sendo um dos maiores do mundo, mesmo diante de alguma desaceleração.
 
Quais devem ser, então, as próximas ações do governo? Aos 40 minutos do segundo tempo, dificilmente teremos alguma novidade em termos de política econômica. No Banco Central, a taxa de juros chegou ao patamar desejado e daí não arreda pé até as eleições. No câmbio, ele manifestou sua intenção de manter a taxa acima de R$ 2,20/dólar, mas abaixo de R$ 2,50. Na Fazenda, a meta fiscal vai ser perseguida no grito, podendo até atingir o 1,9% do PIB prometido, mas com criatividade abundante. Sem aderir contundentemente à nova matriz macroeconômica, porém sem mostrar um apreço profundo pelo tripé macroeconômico.
 
Uma via do meio.
 
Como o Senhor avalia as recuperações norte-americana e, em segundo plano, a europeia? E ainda, o que deveríamos esperar em relação à desaceleração chinesa? Como se tem visto, medalha de bom comportamento para a economia mundial. Os EUA dando show de saída da crise, sem inflação, sem populismo nem sadismo.
 
Vão buscar seus 2,5 de crescimento e chegarão ao final do ano concluindo a era do dinheiro-vaselina. Na Europa, todos voltam a crescer, alguns bem, a maioria abaixo do sofrível, mas para cima e para o alto. A deflação é um risco, mas Draghi já começou a se mexer para evitá-la. A China cresce cada vez menos, mas não ficará muito abaixo de 7% neste ano, como temem alguns. Do mundo, o importante é que a liquidez abundante, à procura de rentabilidade, continua. Como o Brasil ainda está bem na foto, como já disse, e possui taxas de juros mais do que atrativas, o capital deve continuar fluindo para o país.
 
Quais novidades políticas poderiam surgir com a ascensão de um candidato de fora do PT ao Palácio do Planalto? Qual seria a estratégia da atual governante em face do acirramento da disputa? A abertura da estação de caça para a sucessão presidencial está apenas começando.
 
Aécio e seus gurus falam mais como se a eleição já tivesse ficado para trás do que como candidato, externando a intenção, elogiável, é fato, de acertar preços públicos, cortar dispêndio, arrumar a Previdência e partir para a Reforma Fiscal. Campos e Marina credenciam- se como guardiões da inspiração social na ação pública, defendendo a independência do Banco Central e assegurando que não haverá retrocesso nos programas de apoio aos mais pobres, porém ainda com dificuldades de decolar. Dilma, no esteio da queda da confiança e do desânimo com a economia, perde intenção de voto; mesmo que estes ainda não tenham sido capturados pela Oposição, pelo menos um segundo turno parece estar a caminho. 

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