Estudo aponta os principais desafios do setor de mineração
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Empresas alcançaram crescimento de 32% em 2021 e grande desafio é a produção de minerais críticos para a geração de energia limpa

O alto preço das commodities e a eficiente gestão de custos no setor de mineração impulsionaram o crescimento das receitas das empresas do setor em 32% em 2021 e o lucro líquido dessas empresas em 127% no mesmo período. Esse é o resultado de uma pesquisa global realizada pela PwC com as 40 maiores mineradoras do mundo.

Já o setor de mineração brasileiro registrou uma alta de 62% no faturamento em 2021 ante 2020, atingindo R$ 339 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A larga extensão territorial do Brasil, com condições geográficas e geológicas favoráveis, faz do país uma nação privilegiada em relação à disponibilidade de recursos minerais, o que resulta em uma ampla oferta para abastecer os mercados interno e externo.

Os estados de Minas Gerais, Pará, São Paulo, Goiás, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Amazonas concentram as principais reservas minerais. O país produz cerca de 70 tipos de minerais, cuja exploração movimenta aproximadamente 7 mil empresas e 2.500 municípios, segundo dados divulgados pela Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig).

Mesmo sendo uma das atividades industriais que mais contribuem para o PIB do Brasil, o futuro da mineração também é cheio de incertezas e desafios. Um dos principais, segundo o estudo da PwC, é o aumento da produção dos considerados “minerais críticos”. São elementos essenciais para a geração de energia limpa e redução na emissão de poluentes, como, por exemplo, lítio, níquel, cobalto e grafite para armazenamento de energia; cobre e alumínio para energia de transmissão; e elementos de silício, urânio e terras raras para geração de energia solar, eólica e nuclear. O fornecimento desses minerais terá desafios para atender a demanda em curto prazo.

O mundo será capaz de cumprir suas metas líquidas de zero poluente somente se a indústria da mineração aumentar substancialmente a produção, o que coloca um imperativo estratégico na agenda das 40 maiores mineradoras do mundo: realizar grandes investimentos em exploração, produção, processamento e refinar de forma responsável e sustentável.

Uma nova geração de mineradoras fora das “top 40” está se posicionando rapidamente para entregar esses minerais críticos. “Essas empresas são altamente focadas em atender às expectativas em evolução das partes interessadas e têm colhido os frutos de atuar com agilidade nessa mudança no mercado de mineração; além disso, estão explorando novos modelos de negócios e parcerias criativas para entregar maior valor ao longo de toda a cadeia de suprimentos”, analisa Adriano Correia, sócio da PwC Brasil.

As iniciativas para redução nas emissões exigirá mais mineração, de acordo com o estudo. Os sistemas de energia de baixa emissão do futuro – energia solar e eólica, veículos elétricos e baterias em escala de rede – terão alta demanda de materiais. A produção de uma fazenda solar requer três vezes mais recursos minerais que uma usina de carvão de tamanho semelhante e a construção de um parque eólico precisa de 13 vezes mais que uma usina a gás comparável.

A demanda por minerais críticos deverá crescer significativamente ao longo das próximas três décadas. A Agência Internacional de Energia estima que a demanda anual para suprir as tecnologias de energia limpa vai ultrapassar US$ 400 bilhões até 2050, mas fornecer recursos para a transição energética não é simplesmente uma questão de minerar mais dos mesmos materiais da mesma maneira. Em vez disso, o mundo precisará de mais minerais críticos e matérias-primas para alimentar a economia global do futuro, e esses recursos precisarão ser extraídos de forma sustentável.

Outros desafios

As práticas ESG (responsabilidade social, sustentabilidade e governança) também são um grande fator para a evolução do negócio da mineração, como constata a pesquisa da PwC. “Essa conduta não é mais opcional ou um ponto de diferenciação: é o padrão operacional mínimo. As partes interessadas estão aumentando a pressão e licenças sociais robustas, desinvestimentos responsáveis e transparência fiscal serão importantes para o sucesso”, afirma Adriano Correia. Portanto, práticas ESG devem ser consideradas centrais para empresas mineradoras. Isso levará a resultados sustentáveis que geram valor e crescimento, ao mesmo tempo em que fortalecem o meio ambiente e as sociedades.

O estudo da PwC aponta outros desafios para as mineradoras: preços para minerais críticos podem ser voláteis e novos projetos levam tempo para permitir financiar e construir. Além disso, os recursos minerais estão se esgotando e a geopolítica continua a apresentar uma gama de riscos. “Para complementar o quadro, as expectativas em relação a ESG estão aumentando, o que significa que as mineradoras devem acompanhar o ritmo dessa mudança”, acrescenta o líder do setor de Mineração e Siderurgia da PwC Brasil.

Segundo o estudo da PwC, algumas das respostas para superar esses desafios são avaliar a exposição a minerais críticos e trabalhar onde eles precisam estar, revisitar a estratégia de negócios e identificar oportunidades para possuir mais da cadeia de suprimentos ou fazer parceria com os usuários finais e fabricantes de equipamentos originais. Também é preciso ter capital e fluxo de caixa estrategicamente adequados para atender às necessidades da transição para a emissão de poluente zero, além de construir confiança com as partes interessadas e fortalecer licença social da mineração para operar, aumentando o foco em ESG.

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