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Estamos prestes a viver em um mundo que apelidei de FEVER (Foco em Valores e Resultados), onde as tarefas são definidas por metas e valores, e não mais por horas trabalhadas. Já pensou?


*Bruno Dreher

Você conhece a história do horário de trabalho? A ideia nasceu no início do Século XX, no momento de maior crescimento da Revolução Industrial. Antes de Henry Ford criar a linha de produção, as jornadas de trabalho eram muito maiores e pagamento muito menor. Com a sua ideia revolucionária, a Ford Motor Company passou a produzir muito mais, em muito menos tempo que a média das outras indústrias na época. Colocando em números: outras indústrias possuíam jornadas de dez a doze horas e pagavam em média US$ 2,34 por dia. A Ford, por outro lado, adotou a jornada de oito horas pagando US$ 5,00 por dia.

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Nascia aí o que ficou conhecido nos EUA como “nine-to-five job”, ou seja “trabalho das nove às cinco”, totalizando exatamente oito horas. A lógica era simples: As nove horas, as esteiras eram ligadas e todos deveriam estar lá neste horário, fazendo a sua parte na linha de produção e tudo em nossa volta passou a se adaptar a esta realidade. E faz total sentido. Até mesmo a educação é uma espécie de linha de produção. Todas as crianças entram com idades semelhantes, aprendem as mesmas coisas, cumprem um horário padrão, etc. Eu costumava ouvir de meus professores que “a escola prepara para o mundo”, e é verdade. Ela me preparou para um mundo industrial, realidade da época.

E tudo passou a ser assim: dentistas atendem em seus consultórios em “horário comercial”, engenheiros, arquitetos, consultores, vendedores e outros prestadores de serviço adaptam-se ao mundo ao qual foram educados para viver.

Mas nós vivemos um momento de mudança sem precedentes. E a pandemia de COVID-19 foi uma espécie de acelerador. Quando começaram as medidas de distanciamento, muitas pessoas ficaram preocupadas e se perguntaram “Como vai funcionar agora? Não temos como controlar se o trabalhador está trabalhando de pijama, se ele está dormindo, comendo, cumprindo horário. Sem comando e controle, a produtividade vai cair!”.

É normal que seja assim! O desconhecido dá medo! Mas os resultados foram surpreendentes. Segundo estudo publicado pela Fundação Instituto de Administração, 94% (isso mesmo, noventa e quatro por cento) das empresas brasileiras afirmam que atingiram ou até mesmo superaram suas expectativas com resultados com o Home Office. Ou seja, a perda de produtividade foi insignificante! Por isso, segundo a WGSN, uma das maiores empresas de tendências do mundo, cerca de 70% da força de trabalho global passará a trabalhar parcial ou integralmente de forma remota.

Viveremos um mundo que apelidei de FEVER (Foco em Valores e Resultados), onde as tarefas são definidas por metas e valores. Por exemplo: fica definido que um relatório será entregue dia X. Se o responsável pela entrega trabalhar uma hora por dia, dez horas por dia, de madrugada ou de pijama, não importa. O que importa é que o relatório seja entregue na data combinada. E os valores? Bom, é óbvio. Você não pode matar, roubar, corromper ou tomar outras atitudes que não vão de acordo com os valores da empresa e das pessoas para cumprir uma meta.

Isso causará uma mudança sem precedentes em nossas vidas. Com menos pessoas indo aos seus trabalhos, passaremos a enfrentar menos trânsito, com as pessoas ficando em seus bairros, o comércio tende a crescer de forma descentralizada. Menos pessoas precisarão ter seu carro particular e menos gasolina será vendida. Poluiremos menos o nosso planeta. Com a melhora da experiência da compra online, muitas vezes entregando os produtos em menos de 24 horas, o varejo também passará por mudanças como nunca antes vistas.

Viveremos um futuro muito diferente do passado e precisaremos aprender a nos adaptar aos novos tempos, completamente diferentes dos que fomos preparados para viver. Que bom!

*Futurista pela Universidade Hebraica de Jerusalém (curso de inovação e futurismo mais prestigiado do mundo). Já prestou cursos chancelados por Harvard, Stanford e Dartmouth e exerceu cargos de liderança em grandes grupos de educação como Grupo A e Escola Conquer. 

(Os artigos e comentários não representam, necessariamente, a opinião desta publicação; a responsabilidade é do autor da mensagem)

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