Economia brasileira em recessão técnica: IBGE revela que o PIB brasileiro do 3º trimestre "andou de lado"
Economia brasileira em recessão técnica: IBGE revela que o PIB brasileiro do 3º trimestre  "andou de lado"
Fonte: O Tempo – Economia brasileira em recessão técnica: IBGE revela que o PIB brasileiro do 3º trimestre “andou de lado”
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Segundo o IBGE, no 3º trimestre de 2021 o PIB brasileiro a preços de mercado avançou 4,0% na comparação com o mesmo trimestre de 2020, depois de crescer 12,3% no trimestre anterior nesse mesmo tipo de comparação. Em termos dessazonalizados, houve ligeira queda de 0,1% sobre o 2º trimestre de 2021, após recuo de 0,4% nos três meses anteriores (caracterizando um quadro de recessão técnica).

De acordo com relatório da LCA – Consultores Econômicos “esses números vieram acima das suas estimativas (+3,7% YoY e -0,4% QoQ), mas abaixo da expectativa mediana do mercado (+4,3% YoY e 0,0% QoQ, segundo a Bloomberg e +4,2% YoY e 0,0% QoQ, de acordo com a Agência Estado). É importante notar que essas estimativas não são totalmente comparáveis às informações divulgadas hoje pelo IBGE, na medida em que o instituto revisou todas as séries trimestrais desde 2019, de modo a incorporar as estimativas definitivas das Contas Nacionais referentes àquele ano, assim como informações novas dos dados primários de 2020 e 2021 e os números da PNAD Contínua recentemente reponderada. Ademais, em função do choque gerado sobre o PIB pela pandemia, os fatores sazonais também têm mostrado uma instabilidade maior do que o usual.

Os novos resultados para 2019 já eram conhecidos há algumas semanas – a variação do PIB total passou de +1,4% para +1,2%, constituindo a primeira revisão para baixo sob o atual marco metodológico (SCN Referência 2010), introduzido em 2015 (ver gráfico abaixo). Essa revisão decorreu, principalmente, da incorporação de novos dados sobre o impacto econômico do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. Com isso, a queda da Indústria Extrativa Mineral foi ajustada de -0,9% para -9,1% e a variação da Indústria Total passou de +0,4% para -0,7%. Os Serviços (de +1,7% para +1,5%) e a Agropecuária (de +0,6% para +0,4%) também foram revistos para baixo, embora em menor magnitude.”

IBGE estimou que o tombo do PIB
IBGE estimou que o tombo do PIB

De acordo com a LCA, “com os dados divulgados no dia 2 de dezembro, o IBGE estimou que o tombo do PIB em 2020 foi um pouco menos intenso do que apontava a estimativa anterior (-4,1% vs -3,9%) – valendo notar que, neste caso, ainda se trata de uma estimativa preliminar (a leitura definitiva somente será conhecida no final de 2022). Neste caso, a principal mudança positiva adveio da Agropecuária (de +2,0% para +3,8%), mas a Indústria (de -3,5% para -3,4%) e os Serviços (de -4,5% para -4,3%) também melhoraram. Pelo lado da demanda, a FBCF (de -0,8% para -0,5%) e o Consumo do Governo (de -4,7% para -4,5%) tiveram as mudanças mais significativas”.

Em 2021, a taxa interanual do PIB do 1º trimestre subiu de +1,0% para +1,3%, porém a variação do segundo trimestre foi revista para baixo, de +12,4% para +12,3%.”

Acrescenta o relatório da LCA que, “considerando a variação interanual, após mostrar um número bastante elevada no 2º trimestre, o PIB teve resultado mais comedido no 3º trimestre por conta da base de comparação mais elevada. Na margem, com ajuste sazonal, a queda de 0,1% foi a segunda em sequência, após três trimestres positivos.

Pelo lado da oferta, a principal contribuição negativa partiu da Agropecuária (-9,0% YoY e -8,0% QoQ), impactada principalmente por café (bienalidade negativa), algodão, milho, laranja e cana-de-açúcar. Também houve fraco desempenho da pecuária, possivelmente afetada negativamente pelo embargo da China à carne bovina brasileira a partir de setembro. A Indústria (+1,3% YoY e 0,0% QoQ) ficou estável na margem, reflexo dos resultados fracos da Extrativa, Transformação (escassez de insumos) e SIUP (maior acionamento de térmicas com custo de geração mais elevado, gerando forte redução do valor adicionado no segmento). Por outro lado, a Construção Civil seguiu crescendo em termos dessazonalizados, assim como os Serviços (+5,8% YoY e +1,1% QoQ), que respondem por parcela majoritária do PIB. O maior destaque coube a Outros Serviços (+13,5% YoY e +4,4% QoQ), beneficiados pelo avanço da vacinação contra a Covid-19 e o aumento da mobilidade no período.

Pela ótica da demanda, o Consumo das Famílias (+4,2% YoY e +0,9% QoQ) e o Consumo do Governo (+3,5% YoY e +0,8% QoQ) mostraram melhora, beneficiados principalmente pela redução das restrições ligadas à pandemia. A FBCF (+18,8% YoY e -0,1% QoQ) ficou praticamente estável na margem, ao passo que o setor externo gerou contribuição líquida negativa para o PIB.”

Segundo a LCA, “com a revisão da série histórica e o resultado do 3º trimestre, o PIB agregado brasileiro continuou próximo do patamar observado na virada de 2019 para 2020, período pré-pandemia, em termos dessazonalizados. Vale lembrar que o retorno a esse patamar ocorreu no início de 2021, antes mesmo do que se previa inicialmente. Mas, desde então, a atividade econômica brasileira, em termos agregados, tem “andado de lado”, ainda que com mudanças importantes de composição, as quais vêm favorecendo uma recuperação um pouco mais rápida do mercado de trabalho mais recentemente. De qualquer modo, ainda estamos bastante aquém da tendência pré-pandemia e, principalmente, da trajetória sinalizada pelas expectativas de consenso formuladas pouco antes da decretação da pandemia pela OMS, em março de 2020.

Por ora, mantemos nossa expectativa de que o crescimento do PIB em 2021 se situará em torno de 4,5%. Nossa projeção preliminar para o 4º trimestre indica variações de +1,4% YoY e +0,3% QoQ. Essa expectativa poderia causar estranheza quando comparada ao carregamento estatístico mencionado acima, mas vale ressaltar que, neste caso, a variação anual de 2021 calculada a partir das séries original (+4,5%) e dessazonalizada (+4,9%) apresentaria uma diferença maior do que o usual (algo que decorre principalmente da instabilidade dos fatores sazonais).”

Para a LCA, “caso nossa expectativa para o 4º trimestre deste ano seja confirmada, o carregamento estatístico para 2022 seria de apenas +0,1%. Atualmente nossa projeção para a variação do PIB agregado no ano que vem é de +1,0%, apoiada na recuperação dos setores Agropecuário e dos segmentos de Serviços mais afetados pela Covid-19 (Outros Serviços e Administração Pública), que são justamente os que ainda apresentam as maiores distâncias para o período pré-pandemia (gráfico acima) e os setores que mais têm a ganhar com a superação das restrições ensejadas pela pandemia. Também há uma expectativa de melhora de uma parte da Indústria de Transformação, com alívio das restrições logísticas e de acesso a insumos, bem como em SIUP, com melhor regime hídrico (permitindo o desligamento de térmicas mais caras).

Contudo, é forçoso reconhecer que a expectativa acima parece cada vez mais otimista, dados os desenvolvimentos recentes e a persistência de diversos riscos. Embora a crise sanitária venha exercendo influência negativa cadente sobre a mobilidade e a atividade econômica, o risco de novas ondas ainda não pode ser descartado. O surgimento da variante ômicron voltou a colocar o mundo em alerta e pode afetar o processo de normalização das cadeias globais de insumos, com consequências negativas sobre os preços ao produtor e sobre o alívio das restrições de oferta globais.

Outro fator que poderá conter o ritmo de crescimento é a inflação doméstica, que vem sistematicamente surpreendendo para cima. A consequência é um aperto maior e mais célere das condições monetárias. A elevação maior da Selic, além de conter o ímpeto de crescimento do crédito, poderia estimular a manutenção de recursos em instrumentos de poupança (potencialmente retardando o direcionamento ao consumo ou ao investimento de parcela dos recursos poupados a partir do início da pandemia). Tudo isso em um contexto de instabilidade política e permanência de preocupações fiscais – conclui o relatório”.

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