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 Por: Olavo Romano

Mercado Comum Jornal on line BH Cultura Economia Política e Variedades

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Entrar no quarto do Felipão, nem pensar. Escolho duas das nossas cinco Copas (62, no Chile, e 94, nos Estados Unidos), depois de repassar dois episódios da de 58, na Suécia – nossa primeira taça, imortalizada no gesto de Belini. Na primeira cena Garrincha mostra a Nilton Santos um rádio enorme, comprado por duzentos dólares. “E você entende alguma coisa que esse povo fala?”. Para “salvar o amigo do prejuízo”, deu cem dólares pelo rádio. Mas o grande lance foi na final, contra os donos da casa: depois do gol de Liedholm, aos três minutos, Didi foi ao fundo das redes e caminhando lentamente com a bola debaixo do braço, a mão direita pedindo calma. Nervos no lugar, vieram os dois gols de Vavá, dois de Pelé e um de Zagallo, na vitória de cinco a dois. Com a conquista inédita, o menino Pelé debulhado em lágrimas nos braços de Gilmar, o Brasil tornou-se a primeira nação a ganhar o título fora do próprio continente. No Chile, em 62, nove dos onze titulares na estréia contra o México, no dia 30 de maio, haviam estado na final da Suécia: Gilmar, Djalma Santos, Nílton Santos, Zito, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo. Mantinha-se também o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, confirmando o ditado de que em time que está ganhando não se mexe.Com Carbajal fechando a meta, os dois gols do Brasil, no placar de 2×0, só saíram no segundo tempo, apesar das insistentes tentativas do nosso ataque. Expulso por chutar o lateral chileno Eladio Rojas, Garrincha declarou: “Foi um pontapezinho de amizade”. Contra a Tchecoslováquia, Pelé sofreu um estiramento na virilha e foi obrigado a abandonar o torneio. Além do placar em branco e da perda de um jogador tido como insubstituível, o Brasil precisou lutar contra o desânimo. E conseguiu. Amarildo substituiu Pelé contra a Espanha, fez os dois gols da vitória por 2 a 1 e ganhou de Nelson Rodrigues o apelido de “o possesso”. Nas quartas de final, brilhou Garrincha, que marcou duas vezes no 3 a 1 contra a Inglaterra. Liderando o forte ataque brasileiro na semifinal contra os donos da casa, Mané fez os dois primeiros, seguidos de outros dois de Vavá na goleada de 4 a 2. E virou slogan: “sem Pelé, brilha Mané”. Sem bola, no entanto, nosso craque de pernas tortas levou o maior baile de um vira-lata que invadiu o gramado, e só foi pego depois de muito corre-corre por um jogador adversário. Na final, o Brasil reencontrou a Tchecoslováquia, pedreira do torneio: “aquela equipe com a camisa do São Cristóvão”, como definiu Garrincha. Aos 15 minutos, Kadabra driblou Mauro e Djalma Santos e tocou para Masopust fazer 1 a 0. O gol não abalou o Brasil, que empatou dois minutos depois com Amarildo. Em seguida, Zito virou o placar, de cabeça. Eu tinha ido ouvir o jogo, pelo rádio, na casa de meu padrinho Benevides Carvalho, na Rio de Janeiro com Contorno, onde havia morado quando vim para Beagá. Quando o jogo virou, pegamos o fumacento ônibus Paraúna, descemos perto da Praça Sete – lotada, cheia de alto-falantes, a multidão na maior expectativa. Aos 33 minutos, o goleiro Schrojf soltou uma bola cruzada e Vavá matou o jogo. Foi um delírio, que só aumentou com o apito final. Naquela fraterna explosão de entusiasmo, cada um abraçou quem estava do lado, saiu todo mundo cantando e dançando pela rua. A banda da PM atacou, no adro da São José. Um homem pobre, cara sofrida, barba por fazer, olhos brilhando, exibiu largo sorriso na boca mal cuidada, e me falou, emocionado: “Olha, moço, hoje até a polícia tá alegre!” A Copa de 1994, nos Estados Unidos, a primeira decidida nos pênaltis, e que consagrou o Brasil como o primeiro tetracampeão mundial, foi seguida com grande interesse pela televisão, com transmissões ao vivo, novidades a cada momento. Em Belo Horizonte, quando o repórter terminou sua notícia dizendo “Direto de Los Angeles para o Jornal Nacional”, a mãe de um amigo meu fez um muxoxo: “Hã! Um solão desses, ‘direto pro Jornal Nacional…’ Pensa que a gente é bobo”. Explicaram que lá eram quatro horas mais cedo, por causa do fuso horário, o giro da terra… Ela escutou aquela cantilena esquisita, botou as mãos na cabeça e falou, aflita: “Aqui em casa, cada um faz o que quer. Tem gente que é católica, tem carismático, evangélico, uns vão no centro espírita, quem quer vai na macumba, faz mapa astral, procura cartomante, faz tudo quanto é simpatia, eu nunca impliquei com ninguém. Agora, cês vêm com esse tal de fuso horário. Pelo amor de Deus, gente, me deixa em paz com a minha religião!!!”.

 

 

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