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O mundo da cozinha não para de reservar surpresas para quem vive ao seu redor. Surpresas e revelações que o tornam cada vez mais fascinante.
Às vezes a gente depara com uma história que fica tanto tempo guardada como um segredo a ponto de se tornar inacreditável. São casos, descobertas, novidades, pesquisas, produtos, modernidades e uma centena de itens que aparecem de todos os lados.

A gastronomia entrou definitivamente como item importante da vida moderna.
Ninguém passa um dia sem falar de alguma coisa relacionada à alimentação.
Tanto como sobrevivência quanto como prazer.
Notícias e acontecimentos pipocam o dia inteiro. Fica até difícil de acompanhar mesmo quando tudo está ao alcance das pessoas, seja através do contato pessoal quanto pela internet.

Hoje, por exemplo, vou trazer dois assuntos independentes, que podem ter passado despercebidos por muita gente. Coisas interessantes, como outras dezenas que poderia estar sendo relatadas aqui – e serão.
Se são duas pérolas, você vai julgar.

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As 7 maravilhas da gastronomia portuguesa

Se tem um país tradicionalista até ma maneira de se modernizar, esse é Portugal. Longe de ter parado no tempo, os portugueses parecem ali acuados territorialmente pelos espanhóis, mas na verdade não estão nem aí para o que
ocorre do outro lado da fronteira.

Grosseiramente falando, não estão nem aí para o que rola no mundo. Eles são aquilo ali e dane-se o resto. Fazem muito bem. Afinal, eles tem tudo de que precisam.
Menos grana… E grana não ia mudar muita coisa.

A beleza do país, seus monumentos, suas cidades, seu povo e sua cultura só não fascinam os norte-americanos. Toda vez que vejo um programa da TV americana sobre Portugal o tom é de desdém. Recentemente o chef novaiorquino Anthony Bourdain fez um programa lá e só faltou pedir “pelo amor de Deus, me tirem daqui…!”.
E o programa mostrou ao mundo um lado da gastronomia e costumes portugueses que pouco já se ouviu falar, abordando Açores e vilas do continente.

Mas o que interessa é outra coisa. Dentro desse aspecto tradicionalista dos portugueses, eles têm há alguns anos um evento que elege as boas coisas relacionadas ao seu país – partindo daquela eleição promovida, se não me engano, pela ONU, das “Sete Novas Maravilhas do Mundo”, que contemplou o Cristo Redentor do Rio de Janeiro como uma delas.

Os portugueses já elegeram as “Sete Maravilhas de Portugal”, “As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo” e as “Sete Maravilhas Naturais de Portugal”.

Há pouco mais de um mês elegeram “As Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa” numa eleição iniciada dia 7 de maio e encerrada em setembro. Foram mais de 900 mil eleitores e 21 personalidades que definiram os finalistas, três por categoria.

Entre nós provocou o maior espanto o fato de não ter sido eleito nenhum prato com bacalhau. Nem Um. Mas foram votados dezenas. Só não ganhou. E, convenhamos, foram eleitas comidinhas pra ninguém botar defeito.

Bom, é melhor reproduzir aqui parte do texto publicado pelo site português “Gastronomias” sobre o assunto.
Leiam e vejam no final as Sete Maravilhas da boa mesa de Portugal:

“Eleitas as 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa”
A diversidade do património gastronómico de Portugal desfilou hoje à noite (sábado) em Santarém, num espectáculo que teve por objectivo divulgar as “7 Maravilhas da Gastronomia” nacional.

O evento contou com a presença de vários artistas, tendo o espectáculo decorrido no espaço da antiga
Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, com a participação de Rui Veloso, Ana Moura, Boss AC, Carminho e Zeca Sempre, composto pelos cantores Nuno Guerreiro, Olavo Bilac, Tozé Santos, Vítor Silva e outros actores.

Durante o espectáculo, transmitido em directo na RTP, foram anunciados os resultado deste concurso que contou
com quase 900 mil votos do público, de norte a sul de Portugal.

Desde o passado dia 07 de maio, que 21 pratos seleccionados por um painel de 21 personalidades – três por cada categoria: entradas, sopa, marisco, peixe, carne, caça e doces – foram colocados a votação.

Em votação estiveram pratos como os pastéis de bacalhau, alheira de Mirandela e queijo Serra da Estrela (entradas), açorda alentejana, caldo verde e sopa da pedra (sopas), amêijoas à Bulhão Pato, arroz de marisco e xarém com conquilhas (mariscos). Nos peixes, bacalhau à Gomes de Sá, polvo assado no forno e sardinha assada, nas carnes chanfana, leitão da Bairrada e tripas à moda do Porto, na caça coelho à caçador, coelho à Porto Santo, à caçador e perdiz de escabeche de Alpedrinha e, nos doces, pastel de Belém, pastel de Tentúgal e pudim Abade Priscos.

E as 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal são (pela ordem em que foram anunciadas):
Alheira de Mirandela, Queijo Serra da Estrela, Caldo Verde, Arroz de Marisco, Sardinha Assada, Leitão da Bairrada e Pastel de Belém.”

O padeiro e o polvo

Quando o programa é sobre comida, eu não costumo me recusar a assistir. Assim, costumo pregar na frente da TV e fico bravo quando alguma coisa me tira a atenção de lá. Gosto de ver e anotar tudo. Menos o programa matinal da rede Globo que tem até papagaio conversando. Bobagens a gente vê em todos os canais, mas só ali eu vi fazer churrasco em panela de pressão.

Assim sendo, estava dando uma corrida geral nos canais, saí da Kyle Woung, no Travel&Living e esbarrei no padeiro francês Olivier Anquier, no canal Viva.

Anquier, vindo há vários anos da França onde era padeiro, se entrosou no meio artístico do Rio e São Paulo e conseguiu notoriedade ao se casar com a atriz mineira Débora Bloch. Ganhou esse programa de TV e uma belíssima cozinha – acho que numa casa da serra fluminense, pelos lados de Teresópolis. Um cenário exuberante.

Nesse programa que eu vi, Anquier percorreu com seu fusquinha o interior de Minas, lá pelos lados de Mariana. O foco eram as panelas de pedra produzidas naquela região. Excelente. Achou fabricantes em cada mocó de arrepiar. Onde ouvia falar de alguém que esculpia uma boa panela, lá ia o francês curioso com seu sotaque e seu
fusquinha – desta vez, sem a filmadora dos tempos da TV Itacolomi, 16mm e movida no dedão (nem sei se tem filme dentro dela).

No último produtor, onde ele presenciou uma grande panela ser quebrada no instante final da produção, Anquier descobriu uma panela, já preta pelo uso de dezenas de anos em fogão a lenha, e quis porque quis tornar-se dono da preciosidade. Tanto fez que acabou ganhando o presente.

Na última parte do programa, lá estava ele na sua cozinha com a panela centenária aquecendo sobre seu belo fogão a lenha (prefiro o meu). Lorota pra lá, lorota pra cá, fico esperando a receita que ele ia apresentar, digna daquele troféu de pedra sabão – que já deve ter passado pelas mais hábeis mãos de cozinheiras marianenses.

Será uma costelinha com munheca de samambaia? Ou uma bela galinha caipira com ora-pro-nobis?!
Eis que o francês arranca da geladeira um POLVO de meio metro. Até perdi o
fôlego. Será que ele vai fazer um polvo naquela histórica panela, e não uma
comidinha mineira pra combinar com todo o resto do programa e até com
seu fogão?
Pois era uma receita de polvo, mesmo.
Nada contra o polvo. Adoro, feito de todo jeito. Mas o lugar e a hora não eram para ele. Paciência.
Então vem o segundo susto. Anquier pega um martelo imenso de pau, joga o polvo sobre sua tábua grossa de cozinha e espanca o bicho sem piedade: ‘’É assim que se amacia um polvo”, disse ele. Aí não consegui ver como é que acabou o programa.

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