Stefan Bogdan Salej
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Mercado Comum Publicação Nacional de Economia, Finanças e Negócios
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Um país abençoado, que canta no seu hino nacional os encantos naturais e suas belezas, além de ter na sua bandeira as cores verdes de suas florestas, está na encruzilhada histórica de definir se o meio ambiente será  meio ambiente inteiro ou só a metade do complexo chamado mudança climática e meio ambiente. As discussões confusas no país sobre o tema, que um dia privilegiam o debate sobre queimadas na Amazônia, depois  o tema de águas, e de vez em quando os temas de embalagens, reciclagem, economia reversa e circular e não sei quantos assuntos mais, se multiplicam sem termos uma política nacional consensual sobre o tema. E nem o tema foi ou, pelo que parece, será um dia de destaque nos debates eleitorais.

Nesta confusão mental que predomina, o cidadão médio brasileiro, aquele que vive no dia a dia, sem emprego ou com subemprego e com todas as dificuldades, não tem nenhuma chance de se preocupar com o meio ambiente, cuja degradação o atinge em cheio. Para começar com falta de água potável e esgoto, sem falar na moradia e falta de educação.

Mas, essa poluição da miséria não desobriga a outra parte da sociedade, inclusive beneficiária ilusória da miséria da maioria dos brasileiros, de não ter a responsabilidade de se preocupar com o assunto como parte absolutamente fundamental do futuro do país. O atual estágio de degradação do meio ambiente, apesar de alguns sucessos, como a matriz de energias limpas, inclusive  etanol (e aí vai a nossa homenagem ao recém falecido engenheiro Camilo Penna, criador, quando Ministro de Indústria  e Comércio, do Proálcool), é a certeza de um país inviável daqui a trinta anos.

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O alto grau de urbanização, que demanda situações próprias na área do meio ambiente, com soluções adequadas na área de transporte, saneamento, energia, águas e outros, já é um problema. As cidades, com raras exceções, entre elas São Paulo e Salvador, não possuem planos de mudanças climáticas e programas para enfrentar as crises oriundas de gestão adequada nesta área. A poluição urbana bate direto na saúde de seus cidadãos. E qualquer mudança na área de transporte esbarra no lobby das concessionarias de transporte, que  elegem os políticos e mandam neles. Enquanto em Santiago de Chile rodam 1000 ônibus elétricos, em Sāo Paulo estão em experiências  17 ônibus.  E os movidos a diesel poluem e provocam doenças e mais doenças respiratórias.

Outra área de debate marginalizada ainda é a poluição no sentido mais amplo das poucas indústrias que sobraram no país. Estamos falando de produtos abaixo dos padrões internacionais e nocivos à saúde e ao meio ambiente ainda no nosso mercado. As grandes empresas multinacionais estão em geral cheias de discursos sobre meio ambiente, mas suas fabricas e seus produtos não seguem os padrões ambientais dos países mais desenvolvidos. Aproveitam com maior tranquilidade as brechas legais para aumentar a sua rentabilidade.

Na área rural, onde por exemplo na pecuária tem problema de emissões de metano, a situação ainda é mais complexa. De um lado tem um código florestal exemplar, de outro lado um grupo depredador que deixa mal todos os demais.

Mencionar as minerações,  que vivem hoje um boom de preços e demanda, é um verdadeiro pleonasmo econômico. As grandes fazem o que querem, veja os desastres de Mariana, Brumadinho ou no Para , pagam as multas e declaram mea culpa, mea máxima culpa, e continuam fazendo o que sempre fizeram. As minerações menores e as da região amazônica fugiram ao controle e proliferam nos esquemas de alianças políticas e com controladores sem dúvida nenhuma não éticos  nem aceitáveis numa sociedade organizada e democrática, e também fazem o que querem, pouco ligando para as leis e a sociedade.

Neste item, esquecer os madeireiros da região amazônica, é fazer injustiça aos todos demais depredadores e usurpadores do meio ambiente brasileiro. Estes sim, internacionalmente reconhecidos, são os campeões de degradação brasileira.

A  essa situação dramática deve-se que juntar a questão legal e o exercício do poder do estado em todos os níveis no Brasil. Temos uma complexidade jurídica e um sistema de controle do meio ambiente que vai de promotores  a fiscais, de enlouquecer qualquer um. Um sistema que alimenta desvios de todos os tipos e para os quais não faltam nem beneficiários e nem artimanhas mais fantasiosas possíveis. Não falamos de corrupção simplesmente porque a sua inserção no sistema é,  como dizem alemães, subentendida.

Minas foi,  com Hugo Werneck e outros movimentos, pioneira  neste item de meio ambiente. A USIMINAS, na gestão de Rinaldo Campos, foi a  primeira siderúrgica  no mundo com ISO 18.000, padrão altíssimo em termo ambientais e sociais. Também movimentos radicais contra a poluição da Mannesmann levaram à melhoria significativa dos padrões ambientais. Mas, os desastres de Macacos, Mariana e Brumadinho, entre outros, mostraram a mudança no comportamento das empresas, dos empresários e do governo. Soluções como acordo financeiros só beneficiam os bolsos de seja quem for. Mas, se não houver mudança de fato, liderada pelos empresários responsáveis e cidadãos conscientes , não adianta nada. Os industriais tiraram de sua marca as chaminés, mas, através de sua entidade maior, apoiam com mão na cintura a depredação  ao invés de uma gestão ambientalmente e socialmente responsável em prol do desenvolvimento do estado.

A proposta de nova legislação que elimina as licenças ambientais, com apoio de maioria dos deputados eleitos com dinheiro dos depredadores ambientais e entidades empresariais da indústria,  será a grande vitória  do mal sobre o bem. Será um bomba atômica destruindo o futuro do Brasil. Precisamos sim de uma legislação que preserve o meio ambiente para que seja força motriz do nosso desenvolvimento. E por que não a fazem? Porque não a querem. Porque querem ganhar dinheiro agora, sem se preocupar com o futuro das próximas gerações.

Há honrosas exceções no país, verdadeiros exemplos mundiais de boas praticas, mas eles estão sendo atropelados por bandidos ambientais que não percebem que estão atirando no seu próprio pé. Só quando perdermos os mercados internacionais e estivermos como Cesar na peça teatral, nus no meio de deserto, talvez acordemos para como fomos tolos, omissos e participes de nossa própria destruição.

*Empresário, ex-Presidente da FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais

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