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Desculpem-me:nasci noutros tempos

Eu nasci no século XX, filho de mãe e pai de uma família de 6 irmãos, um irmão do que antigamente se chamava do sexo masculino e quatro irmãs do sexo feminino. Estudei o curso primário no Grupo Escolar Pandiá Calógeras, que era misto (assim se dizia quando os alunos eram meninos e meninas) e depois fui cursar o ginasial no Colégio Loyola, dos Jesuítas, à época apenas para meninos. Fiz o curso científico de então na EPCAR -Escola Preparatória de Cadetes do Ar da Força Aérea, ainda somente masculina. 

Na Universidade de Brasília, onde me graduei em Direito, havia alunas e alunos. Enfim havia distinção de sexos e a convivência era harmoniosa. Banheiros masculinos e femininos, vestiários igualmente divididos, assim como atividades esportivas e artísticas em geral para cada sexo. As moças e os rapazes namoravam, noivavam e se casavam, numa sociedade que tinha princípios e respeito mútuo. A “Guerra dos Sexos” foi apenas uma novela da Glo-bo, em 1983, talvez premonitória de sua pregação futura.

Feliz ou infelizmente, estou aqui no Século XXI, me sentindo como um extraterrestre, um ser d’outros tempos. Como se tivesse entrado na máquina do tempo que me trouxe a essa outra época futura. O tempo do Século XXI corre na velocidade da luz, ou da internet e nós, do século passado, fomos alcançados no meio da nossa trajetória na Terra, por uma avalanche de mudanças radicais, que nos chocam e contrariam os princípios básicos que nossos pais e avós nos ensinaram e de acordo com os quais fomos educados.

Enfim, não creio que sejamos “reacionários”, pois nossa geração foi até arrojada, precursora e politizada. Estamos apenas sendo atropelados no meio da estrada que construímos, sem sabermos como nos defender. Vendo o que está se passando e aprendendo sobre a “teoria do gênero”, eu peço desculpas por ainda ser homem, heterossexual, pai e avô. Trago isso do passado e não consigo me des-vencilhar!

Acredito que hoje pertenço a uma minoria em extinção, mas que está ainda viva e lutando por sua sobrevivência digna. Enxergo um mundo em que es-tamos sob a supervalorização e a ditadura das minorias e todas se arvoram em amoldar os demais cidadãos à sua feição. Não se trata apenas de liberdade de ser, mas de vermos as minorias ou grupos a nos exigir comportamentos que elas elegeram como ideais “para todos” sem nos consultar. 

Se alguém acha que o sexo não é da natureza humana e que ninguém nasce menino ou menina, problema desse alguém, mas ele ou ela começa a invadir minha liberdade e meus princípios ao querer me obrigar a aceitar sua teoria. Saindo da questão do sexo, me causa estranheza os privilégios reivindicados por minorias ou grupos, que se arvoram no direito de serem tratadas prioritariamente ou pre-ferentemente a outros integrantes da sociedade. O homem é um ser social, vive em coletividade e essa convivência tem que ser harmônica e igualitária. 

No sentido da igualdade, o preceito ainda legal e dominante é o do tratamento isonômico aos desiguais. Princípios gerais de igualdade para todos em termos de cidadania. Todos temos nossos direitos, mas o direito de cada um tem limites e termina quando atinge ou conflita com o direito do outro. Esse o princípio básico de uma sociedade organizada.

Quem, se dizendo “minoria”, se atribui o direito de invadir propriedades alheias, de bloquear estradas e vias públicas, de prejudicar o direito de ir e vir dos demais, de discriminar aqueles que não professam as mesmas convicções éticas, sociais ou políticas, não está exercendo direitos, mas violando regras básicas de convivência social, de respeito ao próximo. Há meios legais de se reivindicar direitos e a ninguém é dado fazer justiça com suas próprias mãos, como muitas minorias ou grupos tem agido.

O respeito ao direito da maioria é regra básica de uma democracia. Da mesma forma que não pode essa maioria passar por cima dos direitos das minorias. O que não pode haver, a meu sentir, é a supervalorização das minorias! Por pertencer a uma minoria racial, étnica, social, religiosa, laboral ou de que natureza for (e agora todo dia aparece uma novidade!), uma pessoa não é melhor nem pior que as demais integrantes da sociedade e nem pode se arvorar em violar os direitos da maioria a pretexto de defender o que acredita serem os seus direitos. Para isso existe o poder judiciário ou os organismos dotados do poder de polícia.

Mas a verdade é que as ditas “minorias” proliferam porque têm vantagens ao se atribuírem privilégios ou preferências na sociedade que, passiva ou leniente, assiste o “progresso” de grupos em detrimento da coletividade. O tal preceito “politicamente correto” nos direciona para a aceitação dos abusos, que são igualmente tolerados por quem teria a obrigação de policialos e coibilos e se omite frequen-temente. 

Tempos difíceis esses!

 Ordélio Azevedo Sette

Advogado


Esse artigo não reflete necessariamente a opinião de MercadoComum


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