Stefan Bogdan Barenboim Salej
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De Minas para frente e para trás

As terras mineiras escondem nas suas profundezas complexidades pouco vistas em outras regiões. Não se trata só de diferenças sociais visíveis pelo país afora, mas, principalmente, de seus avanços tecnológicos, e d seus atrasos. Parece que se insiste em Minas em sempre começar de novo e de novo, ao invés de construir e renovar. Mas, como sempre, também neste assunto há exceções que confirmam a regra.

O mundo está vivendo uma revolução  tecnológica que melhor se expressa pelas adoção da tecnologia de conectividade 5G, que nem é continuidade de 4 G, nem tem nada a que ver com outras tecnologias, que alguns inadvertidamente já estão chamando de  6G. É conectividade mais eficaz, mas que permite ligar sistemas de dados, controles, sensores e  mais e mais. Muda o funcionamento da indústria, do agro, da medicina, da educação, das cidades, muda tudo, muda o nosso viver de hoje.

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Mas, não basta conectar, algo que está em curso com os leilões de frequências pelo governo federal. É necessário um plano para que as conexões funcionem, facilitando a vida dos cidadãos, do governo e das empresas. E aí, Minas foi pioneira, estabelecendo um grupo de trabalho coordenado pelo Vice-Governador do Estado. Em resumo, Minas, que já fez duas vezes o Diagnóstico da Economia Mineira (com Fernando Roquette Reis e Carlos Alberto Teixeira de Oliveira nas presidência do BDMG), o projeto Cresce Minas de introdução da metodologia de clusters feito pela FIEMG, está se organizando para dar um novo salto na sua percepção do futuro .

Nenhum estado brasileiro tem condições tão favoráveis de aproveitar esta revolução tecnológica 5G como Minas. Começa com uma infraestrutura de pesquisa com dois pilares, a UFMG e o INATEL. Continua com um parque industrial na área de telecomunicações que é o Vale da Eletrônica, e tem a única empresa de telecomunicações   de comando nacional e excelência ímpar, a Algar. Também tem um centro de pesquisa da Google, o São Pedro Valey, cluster de empresas de informática e mais alguns outros projetos importantes.

Tem também um mercado onde essa tecnologia pode ser aplicada extraordinariamente. O uso de redes privadas, além da expansão das redes públicas pelas operadoras, é o “X” do problema no assunto. Ou seja, sistemas agrícolas como cooperativas, minerações, sistemas de saúde e de educação, são o mercado natural para o uso dessas tecnologias. E Minas tem exatamente isso.

Se tudo está assim maravilhoso, onde então as coisas estão emperradas? Por onde Minas anda para trás, ao invés de ir para a frente?

Um projeto dessa natureza tem que ser consensual e compreendido por todas as lideranças no estado. Tem que mudar o paradigma, parar de pensar só em arrumar o caixa do estado, emprestar dinheiro para projetos que não adotam as últimas tecnologias, aliás o que vale para incentivos fiscais, parar de chorar sobre o governo federal e sua inépcia, achar que infraestrutura é só estrada e trem.

É um mundo novo para cuja construção tem que ter adesão de todos. De que adianta fazer um grupo de trabalho que tem bloqueio da FIEMG, se a indústria, caso não mudar de paradigma tecnológico, não terá nenhum futuro? E mais, a adaptação dessa tecnologia vai depender de municípios que regulamentam o uso de antenas. E aí, se os prefeitos e os vereadores não entenderem de que se trata ou acharem que é mais uma oportunidade para seus objetivos e não para o povo que representam, vai tudo para brejo.

Se pensarmos bem, os obstáculos são essencialmente de natureza de liderança politica. Trata-se de colocar todos os atores num projeto só, com resultados visíveis para a melhoria de vida da população. É só querer e trabalhar.

*Empresário, ex-Presidente da FIEMG – Federação das Indústrias de Minas Gerais.

(Os artigos e comentários não representam, necessariamente, a opinião desta publicação; a responsabilidade é do autor do texto)

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