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Crescimento do pib de Minas Gerais em 2012 pode ter sido negativo 

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
Bacharel em Ciências Contábeis, Administração de Empresas e Ciências Econômicas. Membro da ABRACICON

– Academia Brasileira de Ciências Contábeis e da ANEAcademia Nacional de Economia. Presidente da ASSEMG

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– Associação dos Economistas de Minas Gerais e do IBEFMG

– Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de Minas Gerais. Presidente/Editor Geral de MercadoComum

– Revista Nacional de Economia e Negócios

 

Se prevalecerem os mesmos critérios que determinaram a queda de 4% do PIB-Produto Interno de Minas Gerais em 2009, muito provavelmente situação equivalente pode ter acontecido em relação ao desempenho econômico do estado no ano passado. Naquele mesmo período, cabe lembrar, o PIB brasileiro registrou declínio de apenas 0,33%.

É sabido o enorme peso e grande influência que o comércio exterior tem na formação da produção econômica do estado, com as exportações representando cerca de 18% do seu PIB – dados estimados de 2011- e, de outro lado, as importações, equivalendo apenas a pouco mais de 5%.

De acordo com o MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2009 as exportações de Minas registraram perda de 20,15% em relação ao ano de 2008 e as importações sofreram redução de 29,88%.

 

Já em 2012, as exportações de Minas contabilizaram perda de 19,24% e as importações, redução de 7,48%, em relação a 2011. Quando se analisa sob o enfoque do saldo do balança comercial, já que para o cálculo do produto interno bruto leva-se em consideração a soma das exportações – menos as importações verificadas no mesmo período – o quadro relativo ao ano de 2012 se agrava e apresenta ainda pior quando comparado aos resultados verificados no ano de 2009.

O saldo da balança comercial de Minas Gerais em 2009 diminuiu US$ 1,794 bilhão em relação a 2008, o que equivale a uma perda de 12,85%.

Já em 2012, o resultado apresentado representava uma queda de US$ 6,989 bilhões no saldo da balança comercial de 2011, o que significa um declínio de 24,64%.

Será necessário que tenha havido um desempenho excepcional no âmbito interno de todos os demais setores econômicos para que essa diferença seja anulada.

 

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Decepcionante o desempenho da economia de Minas Gerais neste início do século XXI

 O resultado do PIB-Produto Interno Bruto – que é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um determinado período mostra-se pouco favorável à economia de Minas Gerais, no acumulado deste início de século e milênio, quando comparado em relação ao próprio Brasil e ao de outros países.

Levando-se em conta as estatísticas e projeções divulgadas pelo FMI – Fundo Monetário Internacional em 23 de janeiro último – (que estima uma expansão de 1,0% do PIB brasileiro para 2012)-, a economia brasileira deverá registrar um crescimento acumulado de 48,06% durante o período de 2001 a 2012 e, portanto, inferior à média mundial de 52,64%.

Com esse resultado, nesse mesmo período o desempenho da economia brasileira superará apenas as dos países desenvolvidos, devendo ser inferior, inclusive, à média dos países da América Latina e Caribe, que atingiu 50,60%. A distância entre o crescimento da economia brasileira e dos países BRIC’s, no mesmo período, é bastante elevada, colocando-nos em situação bastante inferiorizada em relação a todos eles.

Considerando-se a possibilidade de Minas Gerais repetir o mesmo desempenho da economia brasileira previsto pelo FMI, de expansão de 1,0% em 2012 (pouco provável, em função do forte declínio de 19,24% de suas exportações), o Estado deverá obter um resultado no acumulado do mesmo período de 45,01% – inferior até mesmo em relação ao atingido pelo próprio Brasil.

Chama a atenção, no período, o fato de a economia mineira ter registrado, em 2009 – auge da crise financeira internacional – declínio de 4%, muito superior à média mundial de -0,6% e de -0,3%, no caso brasileiro. A queda do PIB de Minas Gerais em 2009 chegou a superar a do Estados Unidos (-3,5%) e dos países desenvolvidos (-3,6%). Nesse mesmo ano, as exportações de Minas sofreram redução de 20,15% – similar ao resultado ocorrido no ano passado.

 

Cabe destacar, ainda, que no ano de 2009 o PIB-Produto Interno Bruto de Minas o declínio de 4,0% do PIB mineiro foi considerado um dos mais elevados entre os estados brasileiros, podendo ter sido um dos piores de toda a sua história econômica. Nesse mesmo ano, o PIB per capita dos mineiros contabilizou expressivo declínio de 4,8% – muito superior a quase todos os países diretamente envolvidos com a crise financeira internacional.

Saliente-se, ademais, que no mesmo período, o PIB médio brasileiro apresentou queda de apenas 0,3% e, com esse resultado, o PIB de Minas teve retração que equivale a 3,7 pontos percentuais em relação à média de todos os estados brasileiros. É interessante observar que nem o governo de Minas nem a mídia local não se interessaram por sua divulgação e tentaram retirar do fato a importância que merecia à época.

A queda verificada das exportações mineira foi bastante expressiva e repercute como uma grave constatação de haver enorme grau de vulnerabilidade permeando a economia mineira, dependente em seu sucesso e, em grande parte, da produção de commodities. Nesse sentido, confirma-se cada vez mais a assertiva: quando a economia brasileira for bem, a de Minas pode ir melhor. No entanto, quando a brasileira for mal, com toda a certeza a mineira será bem pior.

Essa equação que hoje vigora não favorece a economia de Minas Gerais e para a sua mudança de rumo não adianta copiar modelos adotados no passado, mesmo que tenham sido bem sucedidos à época. A simples retórica “diversificar e agregar mais valor à produção local” também não será auto-suficiente para nos impor uma diferenciação positiva em relação ao país. É preciso inovar, buscar outras posturas, adotar atitudes novas, corajosas e criativas. Na verdade, as circunstâncias hoje são outras, são diversos os problemas e devem, pois, ser diferentes as soluções.

 

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Economia de Minas Gerais no período de 2003 a 2010 teve 6º pior desempenho nacional

 

Os dados estatísticos são da FJP-Fundação João Pinheiro (Informativo CEI-PIB MG 2010-Relatório Anual) e do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Contas Regionais – 2002/2010).

Durante 2003 a 2010, período que coincide com os governos Aécio Neves e Antonio Anastasia, o PIB-Produto Interno Bruto de Minas Gerais posicionou-se no 6º lugar do ranking nacional dos piores desempenhos das economias estaduais, tendo ficado à frente apenas dos estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que apresentaram resultados ainda piores.

No referido período, o PIB de Minas Gerais registrou uma expansão acumulada de 34,7% – inferior à média nacional de 37,1% e, também, em relação ao Sudeste, de 35,6%. A média geométrica de crescimento do PIB mineiro foi de 4,3% ao ano, contra uma média nacional verificada de 4,6%.

Os cenários para os anos seguintes também não são nada promissores. Estudos preliminares já divulgados tanto pela FJP quanto pelo IBGE já apontam, para 2011, uma expansão do PIB brasileiro de 2,73% para aquele ano, contra 2,60% de Minas Gerais.

 

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Exportações de Minas Gerais desabaram quase 20% em 2012

 

O Comércio Exterior mineiro continua dependente e altamente vulnerável ao desempenho da economia chinesa.

De acordo com dados recentemente divulgados pelo MDIC-Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o comércio exterior de Minas Gerais em 2012 totalizou US$ 45,482,9 bilhões e a China foi o país que contabilizou o maior intercâmbio com o Estado, totalizando US$ 12,146,7 bilhões – 26,71% do total. Os Estados Unidos vieram a seguir, com 9,82%. Pertence à China o maior superávit de Minas, no valor de US$ 8.950,7 bilhões – o que representa 41,9% do saldo comercial total.

As exportações de Minas Gerais totalizaram US$ 33,429 bilhões e literalmente desabaram em 2012, apresentando uma queda de 19,24% em relação ao ano anterior (US$ 41,393 bilhões), registrando-se um dos piores desempenhos deste século. Com isso, só perderam para o resultado do ano de 2009 – auge da crise financeira internacional – quando caíram 20,15% – o que provocou forte impacto negativo no PIB-Produto Interno Bruto estadual, que declinou 4,0% – superando, inclusive, vários países assolados pela crise da época. As exportações totais brasileiras, no mesmo período, apresentaram queda de apenas 5,26%. As exportações de Minas Gerais representaram 13,78% do total nacional e as importações, 5,39%. A maior queda nas exportações de Minas Gerais – de 20,9% ocorreu com a China – que caíram de US$ 13.330,2 milhões em 2011 para US$ 10.548,7 milhões em 2012.

Em 2012, o superávit da balança comercial do Estado atingiu US$ 21,376 bilhões (maior do país), contabilizando, no entanto, uma queda de 24,7% em relação ao resultado de 2011 (US$ 28,364 bilhões).

As importações alcançaram US$ 12,053 bilhões e a retração foi de 7,47% em relação ao ano de 2011 (US$ 13,026 bilhões).

A Vale S.A. foi a empresa em Minas Gerais que mais exportou em 2012 – US$ 12,226 bilhões – 35,6% do total e a Fiat Automóveis a que mais importou – R$ 1,656 bilhão – 13,7% do total. As exportações da Vale oriundas de Minas Gerais 47,8% do total contabilizado pela empresa. 

A principal razão para a forte retração nas exportações mineiras, a exemplo do que ocorreu em 2009, foi também a queda dos preços das principais commodities estaduais, com destaque para o minério de ferro e café, além de outras matérias primas, que constituem parcela majoritária das exportações locais.

Especificamente quanto ao minério de ferro, além de Minas ter exportado menor quantidade, a redução dos preços internacionais ao longo do ano passado influenciaram, com forte peso negativo o resultado final das exportações do produto. Os embarques deste principal item na pauta estadual somaram US$ 14,078 bilhões em 2012, contra US$ 18,822 bilhões do ano anterior, o que corresponde a uma queda de 24%. De outro lado, em volume as vendas externas de minério de ferro foram 1,7% inferiores, evidenciando uma demanda internacional menor no período.

As exportações do agronegócio mineiro fecharam o ano de 2012 registrando queda de 37,05% na receita total, que foi de US$ 6,1 bilhões. A maior retração verificada ocorreu nos embarques de café – principal produto entre as commodities agrícolas do Estado, que contabilizou recuo de 34,86% na receita.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ao longo de 2012, em Minas Gerais as exportações do agronegócio somaram 3,45 milhões de toneladas – contra 6,4 milhões de toneladas embarcadas no ano anterior. Assim, a receita decorrente das exportações no período caiu de US$ 9,7 bilhões para US$ 6,1 bilhões.

O principal item que contribuiu para o resultado negativo das exportações do agronegócio mineiro, na comparação com o ano anterior, foi o café que registrou declínio de 34,05%, totalizando US$ 3,7 bilhões, contra US$ 5,8 bilhões contabilizados em 2011.

A China é, atualmente, o principal destino das exportações de Minas Gerais, detendo 31,3% do total, seguida pela Estados Unidos, com 7,7%. Em 2000, a China representava apenas 3,5% das exportações totais mineiras e, os Estados Unidos, 18,0%.

Com esse resultado negativo para a balança comercial a pergunta que se pode fazer é como ficará o PIB-Produto Interno Bruto de 2012 de Minas Gerais sabendo-se, principalmente, da grande importância que as exportações têm para a sua formação. Se não for negativo e inferior à média nacional, já será uma grande vitória.

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