Vírus da Gripe Asiática de 1957
Coronavírus: Mais de 525 mil mortes no Brasil.
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LUTO OFICIAL

Coronavírus: Mais de 500 mil mortes no Brasil.

As outras pandemias parecidas que já mataram até presidente do Brasil*

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Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

Presidente/Editor Geral de MercadoComum

Já se dizia que a história é sempre a mesma, só muda os personagens e, um povo que não a conhece, está condenado a repeti-la. Sim, é a pura verdade!

De acordo com a publicação Poder360, o  Brasil alcançou, no dia 19 de junho à marca de 500 mil mortes pela covid-19. O Ministério da Saúde confirmou 2.301 óbitos em 24 horas, totalizando 500.800 vítimas desde o início da pandemia.

A 1ª morte pela doença no país foi registrada em 17 de março de 2020. Até agora, só o Brasil e os Estados Unidos ultrapassaram meio milhão de mortes pelo coronavírus. A marca é alcançada 51 dias depois de o país ter chegado às 400 mil mortes.

O presidente Jair Bolsonaro não se manifestou. O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou ser essa marca uma “enorme tristeza nacional” e prometeu “manter o foco na prevenção e na vacina para todos”. Luiz Fux, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), divulgou nota conjunta com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na qual diz ser “preciso relembrar a cada dia que não são apenas números”. “São mães, pais, filhos, irmãos. Meio milhão de pessoas que partiram e tiveram seus sonhos interrompidos.”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou pelo Twitter que “enquanto todos não estiverem vacinados, com a pandemia sob controle, teremos dias de dor”. Leia a íntegra das manifestações nessa reportagem do Poder360.

O ministro do STJ, Humberto Martins, disse que “um inimigo invisível conseguiu abreviar meio milhão de vidas no Brasil desde o início da pandemia”.

Coronavírus Mata
Coronavírus Mata

Das mais de 500 mil mortes, 305.851 foram em 2021. São 61% do total. Abril de 2021 foi o mês mais letal da pandemia no Brasil. Morreram 79.671 pessoas em decorrência das complicações com a covid.

O Brasil bateu a marca de 500 mil mortes no momento em que os números de casos e mortes pela doença indicavam o início de um repique. Boletim da Fiocruz alerta para uma possível nova onda de infecções.

O país também confirmou ao menos 17.883.750 novos casos. São 82.288 diagnósticos a mais do que o registrado no dia anterior. A média móvel é de 72.705.

A pasta também afirma que, do total de casos, 16,2 milhões já estão recuperados e 1,2 milhão estão em acompanhamento.

Para efeito de comparação, a gripe espanhola –que chegou ao Brasil em setembro de 1918– matou cerca de 35 mil pessoas no Brasil, estimam pesquisadores. À época, a população era de cerca de 30 milhões de pessoas, segundo o IBGE, a medicina menos avançada e o acesso ao saneamento básico, precário.

Ritmo de mortos pelo coronavírus no Brasil
Ritmo de mortos pelo coronavírus no Brasil

MORTES PROPORCIONAIS

O Brasil tem 2.347 mortes por milhão de habitantes. Em 4 Estados há mais de 3.000 mortes por milhão: Rondônia, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Amazonas.

As taxas consideram o número de mortes confirmadas pelo Ministério da Saúde e a estimativa populacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o ano de 2021 em cada unidade da Federação.

No dia13 de junho de 2021, o Brasil ultrapassou a Eslováquia e agora ocupa a 8ª posição no ranking mundial de mortes proporcionais, de acordo com o painel Worldometer.

A lista é liderada pelo Peru, com 5.684 mortes por milhão. O país revisou os dados e subiu ao topo do ranking, posição antes ocupada pela Hungria.

Foram várias as pandemias que assolaram a humanidade A pandemia do novo coronavírus é a bola da vez.

O cenário atual é semelhante ao que já aconteceu em outros momentos da humanidade, em que doenças se espalharam pelo mundo e causaram estragos.

O Brasil já teve até um presidente que morreu por causa do vírus do surto chamado Gripe Espanhola. Trata-se de Rodrigues Alves, que havia sido eleito presidente do Brasil, pela segunda vez, em 1º de março de 1918. Acometido pela doença, não pode tomar posse no dia 15 de novembro de 1918, tendo seu vice, Delfim Moreira (1868 – 1920), assumido o cargo em seu lugar. Rodrigues Alves faleceu meses depois, em janeiro de 1919, confinado em sua casa na rua Senador Vergueiro, no Rio de Janeiro.

Atualmente, já são vários os presidentes e primeiros-mineiros em todo o mundo que contraíram o novo coronavírus. O nosso presidente Jair Bolsonaro, que inicialmente a considerava simplesmente uma “gripezinha”, também foi infectado, além de vários de seus ministros.

HISTÓRICO DAS PANDEMIAS*
HISTÓRICO DAS PANDEMIAS*

*Ao longo da história registrada, houve pelo menos 15 grandes eventos de pandemia com pelo menos 100.000 mortes. Fonte: Revista de Finanças do FMI – Alfani e Murphy (2017); Taleb e Cirillo (2020), LCA e https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_epidemics

Conheça, a seguir, algumas das principais pandemias que assolaram o planeta.

1. Peste bubônica

peste bubônica é causada pela bactéria Yersiniapestis e pode se disseminar pelo contato com pulgas e roedores infectados. Seus sintomas incluem inchaço dos gânglios linfáticos na virilha, na axila ou no pescoço. Outros sintomas são febre, calafrios, dor de cabeça, fadiga e dores musculares. A doença é considerada, historicamente, a causadora da Peste Negra, que assolou a Europa no século 14, matando entre 75 e 200 milhões pessoas na antiga Eurásia. No total, a praga pode ter reduzido a população mundial de 450 milhões de pessoas para 350 milhões.

2. Varíola

A doença atormentou a humanidade por mais de 3 mil anos. O faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida “bixiga”. O vírus Orthopoxvírusvariolae era transmitido de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias. Os sintomas eram febre, seguida de erupções na garganta, na boca e no rosto. Felizmente, a varíola foi erradicada do planeta em 1980, após campanha de vacinação em massa.

3. Cólera

Sua primeira epidemia global, em 1817, matou centenas de milhares de pessoas. Desde então, a bactéria Vibriocholerae sofre diversas mutações e causa novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos e, portanto, ainda é considerada uma pandemia.

Sua transmissão acontece a partir do consumo de água ou alimentos contaminados, e é mais comum em países subdesenvolvidos. Um dos países mais atingidos pela cólera foi o Haiti, em 2010. O Brasil já teve vários surtos da doença, principalmente em áreas mais pobres do Nordeste. No Iêmen, em 2019, mais de 40 mil pessoas morreram devido à enfermidade.

Os sintomas são diarreia intensa, cólicas e enjoo. Apesar de existir vacina contra a doença, ela não é 100% eficaz. O tratamento é à base de antibióticos.

4. Gripe Espanhola

Acredita-se que entre 40 e 50 milhões de pessoas tenham morrido na pandemia de gripe espanhola de 1918, causada por um vírus influenza mortal. Mais de um quarto da população mundial na época foi O vírus veio da Europa, a bordo do navio Demerara. O transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro.

É causada por uma cepa denominada H1N1, subtipo do vírus da gripe suína. A aglomeração de tropas na Primeira Guerra Mundial facilitou sua proliferação. Alguns países, como o Reino Unido, sofreram novas ondas infecciosas até 1920. O total de mortos é estimado entre 40 e 50 milhões, deles 17 milhões na Índia, 600 mil nos EUA e 200 mil no Reino Unido.

A doença é conhecida como “gripe espanhola” porque somente a imprensa da Espanha publicava notícias sobre o assunto.

Os sintomas da doença eram muito parecidos com o atual coronavírus Sars-CoV-2, e não existia cura. Em São Paulo, a população foi atrás de um remédio caseiro feito com cachaça, limão e mel. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, foi dessa receita supostamente terapêutica que nasceu a caipirinha.

5 – Gripe Asiática

Em 1957, houve um surto de um vírus conhecido como gripe asiática, que se desenvolveu no norte da China, na província de Guizhou e avançou para Ásia, Oceania, África, Europa e Estados Unidos. Alastrou-se mundo afora em dez meses, principalmente por terra e mar.

A gripe asiática é uma doença respiratória viral causada pela cepa H2N2 da influenza tipo A e é o resultado da gripe aviária – isto é, uma gripe normalmente encontrada em aves – cruzada com um vírus da gripe humana.

A gripe asiática resulta em sintomas semelhantes a muitas outras cepas da gripe, incluindo febre, dores no corpo, calafrios, tosse, fraqueza e perda de apetite.

Foi responsável por uma pandemia de gripe de categoria 2, de 1956 a 1958, o que significa que se tratava de uma disseminação mundial do vírus com uma proporção de casos fatais entre 0,1 e 0,5%.

A gripe é uma doença causada por muitos subtipos que podem mudar, sofrer mutação e se cruzar com outras cepas.

Ocasionalmente, uma gripe aviária ou animal pode recombinar seu material genético, atravessar a barreira de espécies animais-humanas e começar a infectar a população humana.

A gripe asiática H2N2 foi o resultado de um cruzamento entre um vírus encontrado em patos selvagens e um vírus da gripe humana.

Juscelino Kubitschek de Oliveira
Juscelino Kubitschek de Oliveira

À época, Juscelino Kubitschek de Oliveira, que era médico, exercia o seu mandato como Presidente da República e proferiu o seguinte pronunciamento, sobre o “Surto da chamada Gripe Asiática, transmitido do Rio de Janeiro à Nação, através da Voz do Brasil, em 08 de agosto de 1957:

“O governo acompanha com vivo interesse a marcha, através de países vizinhos, da epidemia de gripe, que, embora sem letalidade apreciável, constitui motivo de grave preocupação para as populações, praticamente desarmadas diante da invasão e da expansão universal da doença.

Empenhado em promover, por todos os meios ao meu alcance, a defesa do povo brasileiro contra essa irrupção epidêmica, declaro que não pouparei esforços no sentido de articular as providências, coordenar as equipes, empregar os recursos disponíveis e tudo fazer, com decisão e pontualidade, para enfrentar o mal evitando-o se possível, ou pelo menos impedindo que se alastre, nas proporções calamitosas de que falam as notícias que nos chegam dos países atingidos.

            Como atos preliminares, decidi convocar os meus auxiliares diretos e, em reunião de ministros e assessores técnicos, em que cada um traga a contribuição dos serviços especializados, encetar o que chamarei de mobilização “médico-sanitária” para a defesa das populações, nesta conjuntura, que, não devendo causar maiores alarmes à coletividade, todavia exige dos poderes públicos, e, à frente destes, do chefe do Estado, a vigilância, o cuidado e a atenção de todos os momentos, pois na verdade não há minuto a perder, quando se trata da saúde, das condições de trabalho e do bem-estar do povo brasileiro.

            Quero antes de tudo dirigir à nobre classe médica, a que me acho vinculado pela profissão e pelo espírito, um apelo patriótico e insistente, para que, prontificando-se a ajudar ao governo e às populações na emergência a que aludi, desde já se considere mobilizada para o esforço humanitário que será chamada a realizar, onde quer que ele seja reclamado.

Confio nessa solidariedade e, certo de que a minha palavra nesta hora satisfaz à ansiedade e responde à interrogação do Brasil inteiro, digo, com fé em Deus e perfeita confiança na ação, que será desenvolvida, que nada faltará para que cumpramos exata e rigorosamente o nosso dever.”

O vírus chegou aos Estados Unidos em silêncio, com uma série de pequenos surtos no verão de 1957. O país detinha, àquela época, quase a metade da população atual, estimada em 334 milhões de habitantes.

Quando as crianças voltaram à escola no outono daquele ano, espalharam a doença nas salas de aula e a levaram para casa para suas famílias.

As taxas de infecção foram maiores entre crianças em idade escolar, adultos jovens e mulheres grávidas em outubro de 1957. A maioria das mortes relacionadas a influenza e pneumonia ocorreu entre setembro de 1957 e março de 1958. Os idosos tiveram as taxas mais altas de morte. Em dezembro de 1957, o pior parecia ter acabado.

Uma vacina para H2N2 foi introduzida em 1957, e a pandemia diminuiu. Como a tecnologia médica estava mais avançada em relação à epidemia anterior, foi possível detectar o agente com rapidez e trabalhar em novas soluções, como as vacinas. Infelizmente, não foram fabricados imunizantes em quantidade suficiente e o número de mortes foi bem alto, chegando a cerca de dois milhões – das quais cerca de 70 mil nos Estados Unidos.

Morte por Milhoes coronavírus no Brasil
Morte por Milhoes coronavírus no Brasil

Embora a doença tenha infectado humanos em todo o mundo, ela permaneceu como uma pandemia relativamente leve e foi classificada como Categoria 2 na Tabela do Índice de Gravidade Pandêmica dos Centros de Controle de Doenças dos EUA.

Em 1968, a gripe asiática H2N2 desapareceu da população humana e acredita-se que tenha sido extinta na natureza. Frascos de gripe H2N2 ainda permanecem em laboratórios em todo o mundo.

H2N2 foi extinto na natureza por volta de 1968.

A pedido, estamos republicando esta matéria. O texto original foi publicado por MercadoComum em 22 de julho de 2020.

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Países com mais mortes por milhoes de habitantes
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