Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

Já se dizia que a história é sempre a mesma, só muda os personagens e, um povo que não a conhece, está condenado a repeti-la. Sim, é a pura verdade!

Foram várias as pandemias que assolaram a humanidade A pandemia do novo coronavírus é a bola da vez. O Covid-19 já infectou, de acordo com a Organização Mundial da Saúde 18.752.917 pessoas no mundo até o dia 05 de agosto, causando 706.342 mortes. Naquela data, os Estados Unidos lideravam o ranking mundial, com 4.903.385 contaminados (26,15% do total mundial) 160.402 mortes (22,71% do total mundial). O  Brasil era o vice-campeão mundial, com 2.862.761 contaminações confirmadas (15,27% do total mundial) e estava entre os países com mais mortes: 97.418 pessoas (13,79% do total mundial) foram a óbito em decorrência da covid-19 no país, de acordo com o Ministério da Saúde.

O cenário atual é semelhante ao que já aconteceu em outros momentos da humanidade, em que doenças se espalharam pelo mundo e causaram estragos.

O Brasil já teve até um presidente que morreu por causa do vírus do surto chamado Gripe Espanhola. Trata-se de Rodrigues Alves, que havia sido eleito presidente do Brasil, pela segunda vez, em 1º de março de 1918. Acometido pela doença, não pode tomar posse no dia 15 de novembro de 1918, tendo seu vice, Delfim Moreira (1868 – 1920), assumido o cargo em seu lugar. Rodrigues Alves faleceu meses depois, em janeiro de 1919, confinado em sua casa na rua Senador Vergueiro, no Rio de Janeiro.

Atualmente, já são vários os presidentes e primeiros-mineiros em todo o mundo que contraíram o novo coronavírus. O nosso presidente Jair Bolsonaro, que inicialmente a considerava simplesmente uma “gripezinha”, também foi infectado, além de vários de seus ministros.

Conheça, a seguir, algumas das principais pandemias que assolaram o planeta.

  1. Peste bubônica

peste bubônica é causada pela bactéria Yersiniapestis e pode se disseminar pelo contato com pulgas e roedores infectados. Seus sintomas incluem inchaço dos gânglios linfáticos na virilha, na axila ou no pescoço. Outros sintomas são febre, calafrios, dor de cabeça, fadiga e dores musculares. A doença é considerada, historicamente, a causadora da Peste Negra, que assolou a Europa no século 14, matando entre 75 e 200 milhões pessoas na antiga Eurásia. No total, a praga pode ter reduzido a população mundial de 450 milhões de pessoas para 350 milhões.

  1. Varíola

A doença atormentou a humanidade por mais de 3 mil anos. O faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França tiveram a temida “bixiga”. O vírus Orthopoxvírusvariolae era transmitido de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias. Os sintomas eram febre, seguida de erupções na garganta, na boca e no rosto. Felizmente, a varíola foi erradicada do planeta em 1980, após campanha de vacinação em massa.

  1. Cólera

Sua primeira epidemia global, em 1817, matou centenas de milhares de pessoas. Desde então, a bactéria Vibriocholerae sofre diversas mutações e causa novos ciclos epidêmicos de tempos em tempos e, portanto, ainda é considerada uma pandemia.

Sua transmissão acontece a partir do consumo de água ou alimentos contaminados, e é mais comum em países subdesenvolvidos. Um dos países mais atingidos pela cólera foi o Haiti, em 2010. O Brasil já teve vários surtos da doença, principalmente em áreas mais pobres do Nordeste. No Iêmen, em 2019, mais de 40 mil pessoas morreram devido à enfermidade.

Os sintomas são diarreia intensa, cólicas e enjoo. Apesar de existir vacina contra a doença, ela não é 100% eficaz. O tratamento é à base de antibióticos.

  1. Gripe Espanhola

Acredita-se que entre 40 e 50 milhões de pessoas tenham morrido na pandemia de gripe espanhola de 1918, causada por um vírus influenza mortal. Mais de um quarto da população mundial na época foi O vírus veio da Europa, a bordo do navio Demerara. O transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro.

É causada por uma cepa denominada H1N1, subtipo do vírus da gripe suína. A aglomeração de tropas na Primeira Guerra Mundial facilitou sua proliferação. Alguns países, como o Reino Unido, sofreram novas ondas infecciosas até 1920. O total de mortos é estimado entre 40 e 50 milhões, deles 17 milhões na Índia, 600 mil nos EUA e 200 mil no Reino Unido.

A doença é conhecida como “gripe espanhola” porque somente a imprensa da Espanha publicava notícias sobre o assunto.

Os sintomas da doença eram muito parecidos com o atual coronavírus Sars-CoV-2, e não existia cura. Em São Paulo, a população foi atrás de um remédio caseiro feito com cachaça, limão e mel. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça, foi dessa receita supostamente terapêutica que nasceu a caipirinha.

5 – Gripe Asiática

Em 1957, houve um surto de um vírus conhecido como gripe asiática, que se desenvolveu no norte da China, na província de Guizhou e avançou para Ásia, Oceania, África, Europa e Estados Unidos. Alastrou-se mundo afora em dez meses, principalmente por terra e mar.

A gripe asiática é uma doença respiratória viral causada pela cepa H2N2 da influenza tipo A e é o resultado da gripe aviária – isto é, uma gripe normalmente encontrada em aves – cruzada com um vírus da gripe humana.

A gripe asiática resulta em sintomas semelhantes a muitas outras cepas da gripe, incluindo febre, dores no corpo, calafrios, tosse, fraqueza e perda de apetite.

Foi responsável por uma pandemia de gripe de categoria 2, de 1956 a 1958, o que significa que se tratava de uma disseminação mundial do vírus com uma proporção de casos fatais entre 0,1 e 0,5%.

A gripe é uma doença causada por muitos subtipos que podem mudar, sofrer mutação e se cruzar com outras cepas.

Ocasionalmente, uma gripe aviária ou animal pode recombinar seu material genético, atravessar a barreira de espécies animais-humanas e começar a infectar a população humana.

A gripe asiática H2N2 foi o resultado de um cruzamento entre um vírus encontrado em patos selvagens e um vírus da gripe humana.

        À época, Juscelino Kubitschek de Oliveira, que era médico, exercia o seu mandato como Presidente da República e proferiu o seguinte pronunciamento, sobre o “Surto da chamada Gripe Asiática, transmitido do Rio de Janeiro à Nação, através da Voz do Brasil, em 08 de agosto de 1957:

“O governo acompanha com vivo interesse a marcha, através de países vizinhos, da epidemia de gripe, que, embora sem letalidade apreciável, constitui motivo de grave preocupação para as populações, praticamente desarmadas diante da invasão e da expansão universal da doença.

 Empenhado em promover, por todos os meios ao meu alcance, a defesa do povo brasileiro contra essa irrupção epidêmica, declaro que não pouparei esforços no sentido de articular as providências, coordenar as equipes, empregar os recursos disponíveis e tudo fazer, com decisão e pontualidade, para enfrentar o mal evitando-o se possível, ou pelo menos impedindo que se alastre, nas proporções calamitosas de que falam as notícias que nos chegam dos países atingidos.

                 Como atos preliminares, decidi convocar os meus auxiliares diretos e, em reunião de ministros e assessores técnicos, em que cada um traga a contribuição dos serviços especializados, encetar o que chamarei de mobilização “médico-sanitária” para a defesa das populações, nesta conjuntura, que, não devendo causar maiores alarmes à coletividade, todavia exige dos poderes públicos, e, à frente destes, do chefe do Estado, a vigilância, o cuidado e a atenção de todos os momentos, pois na verdade não há minuto a perder, quando se trata da saúde, das condições de trabalho e do bem-estar do povo brasileiro.

                 Quero antes de tudo dirigir à nobre classe médica, a que me acho vinculado pela profissão e pelo espírito, um apelo patriótico e insistente, para que, prontificando-se a ajudar ao governo e às populações na emergência a que aludi, desde já se considere mobilizada para o esforço humanitário que será chamada a realizar, onde quer que ele seja reclamado.

 Confio nessa solidariedade e, certo de que a minha palavra nesta hora satisfaz à ansiedade e responde à interrogação do Brasil inteiro, digo, com fé em Deus e perfeita confiança na ação, que será desenvolvida, que nada faltará para que cumpramos exata e rigorosamente o nosso dever.”

O vírus chegou aos Estados Unidos em silêncio, com uma série de pequenos surtos no verão de 1957. O país detinha, àquela época, quase a metade da população atual, estimada em 334 milhões de habitantes.

Quando as crianças voltaram à escola no outono daquele ano, espalharam a doença nas salas de aula e a levaram para casa para suas famílias.

As taxas de infecção foram maiores entre crianças em idade escolar, adultos jovens e mulheres grávidas em outubro de 1957. A maioria das mortes relacionadas a influenza e pneumonia ocorreu entre setembro de 1957 e março de 1958. Os idosos tiveram as taxas mais altas de morte. Em dezembro de 1957, o pior parecia ter acabado.

Uma vacina para H2N2 foi introduzida em 1957, e a pandemia diminuiu. Como a tecnologia médica estava mais avançada em relação à epidemia anterior, foi possível detectar o agente com rapidez e trabalhar em novas soluções, como as vacinas. Infelizmente, não foram fabricados imunizantes em quantidade suficiente e o número de mortes foi bem alto, chegando a cerca de dois milhões – das quais cerca de 70 mil nos Estados Unidos.

No entanto, durante janeiro e fevereiro de 1958, houve outra onda de doença entre os idosos. Este é um exemplo da potencial “segunda onda” de infecções que podem se desenvolver durante uma pandemia.

A doença infectava um grupo de pessoas primeiro, depois as infecções pareciam diminuir e depois as infecções aumentavam em uma parte diferente da população.

Embora a doença tenha infectado humanos em todo o mundo, ela permaneceu como uma pandemia relativamente leve e foi classificada como Categoria 2 na Tabela do Índice de Gravidade Pandêmica dos Centros de Controle de Doenças dos EUA.

Em 1968, a gripe asiática H2N2 desapareceu da população humana e acredita-se que tenha sido extinta na natureza. Frascos de gripe H2N2 ainda permanecem em laboratórios em todo o mundo.

H2N2 foi extinto na natureza por volta de 1968.