Por parte de pai

3 de dezembro de 2021 0

Olavo Romano* – (olavoromano@task.com.br) No Tombadouro, Chico Theobaldo vivia numa simplicidade rústica. Viúvo, casou-se com a cunhada, que ajudou na criação dos filhos, quatro meninos, quatro meninas, todos com nomes começados por A. Quando ficaram moças, ele prometeu ao cunhado Mariano, chamado Maia, dar-lhe uma delas como esposa. Solteirão, passado dos cinquenta, Maia era feio,…

Por parte da mãe

1 de novembro de 2021 0

Olavo Romano* – (olavoromano@task.com.br) Zulmira, minha avó materna, Dinha para nós, se orgulhava das cinco tábuas aplicadas. Meu avô, o mais recente recusado, entrou na repescagem para evitar que Avelina se casasse antes, fazendo pinguela sobre a irmã mais velha. Dinha vivia ocupada. Café com quitanda para os retireiros, dia amanhecendo; apalpação de galinhas, soltando…

Aves da mesma plumagem

7 de outubro de 2021 0

Olavo Romano* Antigo provérbio ensina que aves de mesma plumagem voam juntas. Nas primeiras gerações dos Silveiras, de minha avó materna, figuram um português e uma negra, a filha de uma bugra pega a laço, até que os casais pudessem se formar em galhos da mesma árvore. Olímpio, meu bisavô, vinha de uma família numerosa,…

Consulta

3 de novembro de 2020 0

Olavo Romano (olavoromano@task.com.br) Preparando o almoço, mãe e filha conversavam na cozinha. Dona Sinhá picava couve, a mão esquerda apertando o molho, a direita indo e vindo com a faca, movimentos rápidos, as tiras fininhas caindo na cuia. Dália fritava batatinha. Dona Sinhá descansou a faca na cuia, apertou a mão direita um pouco acima…

Último pedido

14 de fevereiro de 2020 0

*Por Olavo Romano Homem bom de garfo feito Sô  Mundico Ribeiro, nem por encomenda. Uns lembram dele batendo um prato fundo de melado. Outro vinha com o caso da carne.  Com essa fama toda, foi um espanto ele não tugir nem mugir quando chamaram pro almoço. – O que será que deu no seu pai…

Oferta de emprego

16 de julho de 2018 0

Pedro da Lica tocava sua vidinha lá em Dores na maior tranquilidade. Muito estimado, tinha entrada em qualquer roda, todo mundo apreciava suas papeatas. Se perguntavam o que andava fazendo, bem que podia responder como um outro sujeito, meio colega dele: –  “Tretas.” Entre seus diversos amigos, um era muito importante: o Doutor Francisco Campos,…

Carona

17 de maio de 2018 0

O caminhoneiro vinha sozinho. Carga pesada, viagem vagarosa, vontade de poder conversar. Na baixada logo depois do Rio Pará, numa reta mais comprida, avistou um homem fazendo sinal. Diminuiu a velocidade, reduziu a marcha, foi encostando. O mercedão sacolejou, deu uma suspirada, parou.   – Vai pra onde, compadre? – Lages, Santa Catarina. – Rumo…

A borracha e a constituinte

26 de março de 2018 0

Observando o filho fazer o para-casa, Terezinha pensa, divertida: “Esse menino é fogo na roupa”. Ele ia lendo as perguntas em voz alta, imediatamente cantava a resposta, logo passada para o papel. O que aconteceu com os Inconfidentes? Mor-reram todos. Enquanto escrevia, ia falando: “A professora não vai poder achar ruim. Depois de tanto tempo,…

O Alazão do Doutor

3 de janeiro de 2018 0

O Alazão do Doutor A primeira mensagem no celular é do Edgardzi-nho, o fraterno amigo Edgard Penna Amorim, desem-bargador presidente do Tribunal Regional Eleitoral, de cujo pai e xará herdou a cordial integridade e o inarre-dável compromisso ético. Às duas e meia da madru-gada, comunicava o falecimento do Prof. José Carlos Monteiro de Moura, de…