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Jadir Barroso

Ao realizar uma administração aprovada por mais de 60 por cento da população e com obras espalhadas por toda a cidade, o prefeito Márcio Lacerda já tem praticamente assegurada reeleição tranquila para novo mandato.

Disparado à frente dos outros candidatos nas primeiras pesquisas de intenção de votos realizadas até agora, o prefeito ainda conta, como em 2008, com o apoio sacramentado das principais lideranças dos dois maiores partidos, rivais históricos na política mineira – o PSDB e o PT. Aécio Neves e Fernando Pimentel tiraram-no do anonimato e garantiram sua
eleição em 2008. E já costuram há algum tempo todo tipo de apoio para dar sustentação à sua candidatura em 2012.

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Lacerda ainda conta com um vasto leque de alianças entre os pequenos partidos com representação na Câmara Municipal de Belo Horizonte Some-se a este leque de sustentação de sua candidatura o apoio já praticamente esboçado da ala do PT liderada pelo exministro Patrus Ananias que, mesmo defenestrado pela presidente Dilma Rousseff, ainda tem uma liderança expressiva no PT de Belo Horizonte. Patrus tem dito que não aceita a companhia do PSDB, nem vai compartilhar do mesmo palanque de Aécio Neves. Mas Lacerda que, quando candidato em 2008, soube se equilibrar entre o PT e o PSDB, por força das lideranças de Pimentel, naquele partido, e de Aécio, neste, agora, mais tarimbado e experiente em política, não deverá encontrar dificuldades para navegar entre estas duas forças antagônicas.

As resistências isoladas do vice-prefeito Roberto Carvalho ao apoio do PT à sua candidatura não parecem preocupar
o prefeito, que tem o aval declarado do principal líder do partido, o ex-presidente Lula que, pelo que se sabe, instruiu a
direção nacional petista e recomendou ao PT mineiro o apoio a Lacerda. Roberto Carvalho e seus seguidores, que não
são poucos, mas não o suficiente para encarar o prefeito, parece não ter a força política necessária para se contrapor a
Pimentel, Patrus e à direção nacional do seu partido. Parece.

Tudo indica que o seu principal contendor deverá ser, novamente, o deputado Leonardo Quintão, do PMDB, que
disputou com ele o segundo turno nas eleições de 2008.

Outro candidato a candidato que desponta como provável contendor de Lacerda é o deputado Délio Malheiros, do PV,
mas cuja candidatura pode não sobreviver até as eleições.

Leonardo Quintão e Délio Malheiros, até o momento não chegam sequer a ameaçar a sua trajetória rumo ao segundo
mandato e não têm, pelo menos por enquanto, o fôlego necessário para se contrapor à avalanche de votos que o
prefeito está amealhando. Outros prováveis candidatos, tidos como nanicos, não têm qualquer expressão eleitoral.

Márcio Lacerda obteve nas eleições de 2008 767.332 votos, 59,12% , contra 530.560 dados a Leonardo Quintão, 40,88%.

315.019 eleitores não compareceram 55.335 votaram em branco e 7.981 anularam o seu voto. Tudo indica que, nestas
eleições de 2012, Márcio Lacerda deverá ampliar, e muito, a sua base eleitoral, já que hoje é conhecido por todo o
eleitorado e tem obras em praticamente todos os bairros da capital, algumas delas estruturais e bastante expressivas. BH virou em sua gestão um canteiro de obras, praticamente.

Até o início de março, ainda não estava clara uma definição sobre a participação do PSDB e do PT na chapa encabeçada
por Márcio Lacerda, o que poderá ocorrer até as convenções partidárias. O que está claro é o apoio dos dois partidos a
Lacerda. As conversas estão evoluindo, embora o senador Aécio Neves tenha afirmado que o seu partido não aceita
uma aliança informal com o PSB para apoiar Lacerda. Mas, como a política é como nuvem, muda de formato a toda hora,
como dizia o ex-governador Magalhães Pinto, esta afirmativa de Aécio Neves pode sofrer alterações, em nome da aliança, já que Márcio Lacerda é muito mais ligado a Aécio Neves do que ao PT.

Assim, muita coisa ainda pode mudar até as convenções partidárias. Isto pode. O que parece não ter perspectivas de
mudança, na realidade, é o apoio do PSDB a Lacerda.

Os obstáculos e desafios que o prefeito está enfrentando rumo ao segundo mandato são muito mais fáceis de ser vencidos do que os que teve pela frente em 2008. Caminhada muito mais tranquila esta de agora. Naquela data, inexperiente em política e enfrentando seu primeiro teste eleitoral, Márcio Lacerda dependia, fundamentalmente, de Aécio Neves e Fernando Pimentel para se eleger. Sem os dois líderes, Lacerda nem sequer seria candidato. Agora, porém, já com voo próprio, tem base eleitoral, tem bagagem administrativa para mostrar e uma experiência política que adquiriu ao longo destes três anos de administração, durante os quais exercitou o “modus faciendi” da política, já que antes tinha apenas provado ser bom administrador na iniciativa privada.e em cargos públicos comissionados que ocupara
Desta forma, ganhar de Lacerda será tarefa muito difícil, senão impossível para qualquer adversário.

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