BDMG avança no estímulo ao desenvolvimento sustentável em Minas Gerais
BDMG avança no estímulo ao desenvolvimento sustentável em Minas Gerais
BDMG avança no estímulo ao desenvolvimento sustentável em Minas Gerais
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Fundado em 1962 para estimular e prover as condições necessárias ao desenvolvimento e crescimento econômico do Estado, o BDMG segue atuando como um dos principais agentes financeiros de Minas Gerais. O apoio a projetos dos setores público e privado dos mais diversos segmentos nos últimos 60 anos, ganhou ainda maior relevância pelo comprometimento da instituição com empreendimentos que resultem no desenvolvimento regional com impactos positivos para o meio ambiente e a sociedade mineira.

Atualmente, o BDMG é um importante agente do desenvolvimento socioeconômico de Minas, presente em 94% dos 853 municípios mineiros, com uma carteira ativa de R$ 6 bilhões em contratos. O banco tem sido atuante no apoio às cidades, trabalhando na estruturação de projetos e oferecendo às prefeituras linhas de crédito em condições especiais para importantes projetos de infraestrutura. A estratégia é o foco nos empreendimentos de alto impacto na vida dos municípios, com geração de valor em saúde, bem-estar e qualidade de vida das pessoas.

Para os municípios, também são oferecidas linhas permanentes de crédito para atender as diversas necessidades das cidades mineiras no investimento ao desenvolvimento sustentável, prevenção de desastres naturais, construção e melhorias de vias, aquisição de equipamentos e veículos, entre outras.

Executivos em visita às obras da FIAT em 1973 Crédito Acervo BDMG
Executivos em visita às obras da FIAT em 1973 Crédito Acervo BDMG

O processo de contratação do crédito é todo digital, tanto para as prefeituras quanto para as micro e pequenas empresas de todo o estado. Por meio do site do banco, o cliente acessa, de forma ágil e simplificada, as linhas de crédito. Os empreendedores de micro e pequenas empresas contam também com uma grande rede de correspondentes bancários credenciados que atuam fazendo o atendimento presencial e personalizado.

Durante a pandemia, o banco priorizou dar fôlego aos negócios. O BDMG contribuiu para que as micro e pequenas empresas de diversas cidades mineiras tivessem resposta rápida às dificuldades enfrentadas pelo fechamento do comércio. No início deste ano, em função das fortes chuvas, mais um apoio emergencial. Por meio do BDMG Solidário, foram liberados créditos no valor de R$ 116 milhões para empresas localizadas nos municípios mais atingidos, apoiando seu processo de recuperação.

Passada a fase mais aguda da pandemia, o BDMG se prepara para um ciclo de crescimento, voltado à recomposição de setores produtivos tradicionais, como o agronegócio e a indústria, e ao fortalecimento das cadeias inovadoras (energia fotovoltaica, polo eletroeletrônico), além de oferecer linhas de investimento voltadas a médias e grandes empresas.

Ao planejar o aumento do financiamento conectado à atração de investimentos no estado, o BDMG pretende estimular projetos estruturantes, perenes, capazes de proporcionar dinamismo às cadeias de fornecedores locais. E isso vai contribuir também para um novo ciclo de desenvolvimento sustentável em Minas Gerais.

Conceitos de desenvolvimento – Ao longo de seus 60 anos de história, o BDMG se manteve fiel ao diferencial dos bancos de desenvolvimento, que é o de contribuir para a formulação de políticas públicas e oferecer crédito aos clientes públicos e privados responsáveis pela geração de emprego e renda nas diversas regiões do Estado.

Desde que foi fundado, ao longo de diversas mudanças em sua história, o BDMG viu a transformação do conceito de desenvolvimento. No país, já havia uma experiência prévia de um banco público de financiamento, que foi o Banco do Brasil, em 1808. Apesar disso, o marco da instalação das instituições de fomento no país foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em 1952.

A instituição surgiu para garantir eficiência ao processo de industrialização do país, até então de forte matriz “desenvolvimentista”, que marcou o período e que culminou com a implantação da indústria de base do Brasil e a fundação de diversas empresas dos setores de mineração, siderurgia, energia, petróleo e gás.

BDMG

À época, Minas Gerais possuía uma economia essencialmente agrária e familiar, com poucas indústrias instaladas e com baixa capacidade técnica. Faltava no Estado uma instituição que oferecesse capital suficiente para a ampliação do parque industrial, com a implantação de empresas modernas e capazes de contribuir com o aumento da participação de Minas Gerais no Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Sustentabilidade – Mas, se durante o período de sua fundação, o Banco estava muito mais voltado ao estímulo à industrialização e à modernização da infraestrutura do Estado, no século 21, os desafios são bem diferentes. Atualmente, o mundo observa um movimento de transformação nos padrões de produção e oferta de energia, em razão das mudanças climáticas.

Viabilizar o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, promover a inclusão social e a sustentabilidade ambiental, é uma questão que está no centro do planejamento do banco. O BDMG é um dos signatários do Pacto Global da Organização das Nações Unidos (ONU) e tem atuação alinhada à agenda 2030 da mesma organização.

A instituição quer ter um papel relevante na transição para uma matriz de energia limpa, por meio da ampliação do crédito para energias renováveis e da adoção de metas de financiamentos a pelo menos um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em 2022, o Banco consolidou sua posição como agente protagonista do financiamento de projetos de energia solar e eficiência energética de Minas Gerais, a partir da alocação de recursos em parceria com o Banco Europeu de Investimento (BEI). Minas é líder nacional em geração de energia fotovoltaica, sendo o BDMG responsável, nos últimos três anos, por cerca de 50% do total de investimentos realizados, que representam R$ 450 milhões desembolsados.

Cliente BDMG, empresa Remotia Crédito Pedro Gravata
Cliente BDMG, empresa Remotia Crédito Pedro Gravata

O BDMG financiou projetos de energia solar fotovoltaica, Centrais Geradoras Hidrelétricas, biomassa e iluminação pública. Os projetos de energia limpa são acompanhados sistematicamente e mensurados por meio da calculadora de CO2, desenvolvida especificamente para esse acompanhamento

O compromisso do BDMG com a sustentabilidade pode ser observado também em suas próprias instalações. Pelo 7º ano consecutivo, a sede do banco em Belo Horizonte, obteve nota máxima do Programa GHG Protocol pelo inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa em 2021. Entre 2015 e 2021, a estrutura de funcionamento do banco reduziu suas emissões em 77,46% – de 70,8 para 15,9 toneladas de CO₂. O programa é uma iniciativa da FGV, Ministério do Meio Ambiente, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável e Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável

Futuro – Com uma forte solidez financeira, o BDMG obteve neste ano, o reconhecimento da Agência de Classificação de Risco Moody’s, que elevou o rating do banco de BBB.br para BBB+.br, com perspectiva positiva. A última vez que a agência de classificação de riscos havia concedido um upgrade para o banco havia sido em 2011.

Marcelo Vieira, sócio da empresa Centerlab e cliente BDMG Crédito Felipe Mesquita
Marcelo Vieira, sócio da empresa Centerlab e cliente BDMG Crédito Felipe Mesquita

Segundo relatório divulgado ao mercado, a elevação da nota reflete a melhora na qualidade dos ativos da instituição forte patamar de rentabilidade, que beneficia seus níveis de capital por meio da integralização dos resultados por parte do seu controlador, o Estado de Minas Gerais. Outros fatores destacados foram os níveis de inadimplência baixos e sem perspectiva de alta, além de uma estrutura de captação com alterações positivas, por meio da pulverização das fontes de recursos e redução na concentração de repasses.

Esta solidez dos fundamentos é o que garante as condições para que o BDMG planeje o crescimento da sua atuação regional e diretamente dos municípios, de forma sustentável, estimule a diversificação econômica das cidades e consolide o seu papel como importante indutor do desenvolvimento e do crescimento de Minas Gerais.

Almoço de ex-presidente do BDMG em comemoração ao aniversário da instituição, em 1989 – durante gestão de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
Almoço de ex-presidente do BDMG em comemoração ao aniversário da instituição, em 1989 – durante gestão de Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

BDMG – Uma instituição imprescindível ao desenvolvimento de Minas Gerais

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira*

60 anos se passaram desde que o BDMG foi fundado. E, desde então, a economia de Minas cresceu muito e transformou-se substantivamente.

Esta edição de número 311 de MercadoComum traz, além das usuais, divulga esta matéria especial sobre a atuação do BDMG-Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S.A., instituição que tive a honra de presidir por dois anos e que ora acaba de completar os 60 anos de sua fundação, comemorados no dia 22 de setembro.

O BDMG sempre se constituiu em um relevante protagonista do aparato institucional de Minas Gerais de apoio ao desenvolvimento econômico-social de Minas Gerais e é incontestável a sua vasta colaboração para que o Estado assumisse uma posição de vanguarda no cenário nacional, antecipando-se às tendências mais prováveis e construindo aqui as melhores opções rumo ao progresso.

Há 33 anos tive a oportunidade de divulgar o documento intitulado “Economia Mineira 1989 – Diagnóstico e Perspectivas” e destaquei que as questões ideológicas se tornam secundárias diante da importância de se retomar o crescimento econômico vigoroso e atingir o desenvolvimento, sendo necessária e imprescindível a atuação do BDMG na busca do alinhamento da economia de Minas Gerais com os tempos daquela época e com os do amanhã.

Destaquei que apostava no desenvolvimento econômico de Minas e do Brasil e na possibilidade de conciliar-se o crescimento vigoroso e a modernização da economia, com a justiça social e a democracia.

As circunstâncias atuais são outras, são diversos os problemas e, obviamente, devem ser diferentes as soluções. Neste cenário, a experiência do BDMG ganha importância muito particular, não com o objetivo de voltar ao passado, mas de nele se inspirar com o objetivo de desempenhar o seu papel primevo e precípuo de agente de transformação da economia de Minas Gerais.

Naquele documento descrevi a função que imaginava caberia à instituição cumprir. Considerando ainda absolutamente válido, reproduzo-o a seguir.

“Cabe ao BDMG constituir-se em um vetor do progresso, em farejador do futuro, ajudando a inventar o novo e a fazer a História. Este é o seu papel, esta é a sua missão”.

Parabéns ao BDMG e, principalmente, a todos os seus dirigentes e colaboradores, antigos e atuais.

*Ex-presidente do BDMG – Editor Geral de MercadoComum

Inauguração do edifico sede do BDMG em 1974 Crédito Acervo BDMG
Inauguração do edifico sede do BDMG em 1974 Crédito Acervo BDMG

O meu BDMG

Ronaldo Costa Couto⃰⃰

Belo Horizonte, março de 1963. Eu tinha 20 anos. Vivia a euforia do ingresso na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, cabelos ainda pintados de amarelo-cheguei. Restos do tolo trote aplicado aos calouros. Jornalista iniciante, um foca, trabalhava no Correio de Minas e na revista 3 Tempos, de raízes pessedistas, então engajados na reeleição de Juscelino Kubitschek de Oliveira à Presidência da República.   Apesar da qualidade e do prestígio, não resistiram ao golpe de 1964.

Redação, avenida Olegário Maciel, 604, começo de tarde, o quase lendário Guy de Almeida, nosso redator-chefe, sempre conciso e objetivo, me chama e diz algo assim: “Ronaldo, quero matéria sobre o Banco de Desenvolvimento, que está em formação. Estão funcionando no prédio do Banco do Estado, ali na Praça 7. Vire-se!”. E foi só. Até porque havia focas aguardando instruções e tarefas. Gente como Fernando Mitre, Marton Victor, Estácio Ramos, Carmo Chagas, José Maria Mayrink, Hilton Ferreira, Adauto Novaes, Moacyr Japiassu, talvez Fernando Gabeira, e outros futuros destaques do jornalismo brasileiro.

Choque de esperança – Subi a pé a rua dos Tamoios, avenida Amazonas, Praça 7. Coração batendo forte, cabeça quase confiante, voltada para o garimpo de boas informações. Precisava produzir texto capaz de resistir ao crivo pedagógico de Dídimo Paiva, quem sabe do próprio Guy?, do doce e talentoso Hélio Fraga, ou então de José Salomão David Amorim, terror de todos os focas. Eu tinha noção de desenvolvimento econômico e social. Sabia do sucesso retumbante do Programa de Metas do governo JK (1956-61), do sonho de avançar 50 anos em cinco. Para mim, desenvolvimento significava crescimento da economia e vida melhor para os brasileiros. Prosperidade, modernidade, mudança social, melhor distribuição de mais renda. Mas o que seria um banco estadual de desenvolvimento?

Cheguei. Funcionava nas grimpas do edifício, 22º andar. Um banco esquisito, com jeito de escritório, sem contas correntes e talões de cheque, sem caixas e filas. Uma secretária bonita me conduziu a uma sala ampla. Lá estavam o presidente Paulo Camilo de Oliveira Penna, Fernando Antônio Roquette Reis e outros jovens economistas mineiros. A primeira pergunta foi deles: “Você é irmão do Élcio?”. “Desculpem-me, mas nasci com esse privilégio”, brinquei. Riram, abriram-se. Gostavam de meu irmão. O encontro virou aula. Me explicaram que o BDMG não era um banco comum. Olhava longe e alto, pensava em Minas. Vinha para estudar a economia mineira, revolucionar o desenvolvimento, identificar bons programas e projetos de investimento, ajudar o setor privado a viabilizá-los. Apoiá-los, financiá-los, remover gargalos, modernizar, inovar. Fazer por Minas o que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico-BNDE, criado em 1952, doravante seu principal parceiro, já fazia, em nível nacional, desde os governos Vargas e JK.

O que mais me tocou foi a competência e entusiasmo daquele punhado de moços. Irradiavam conhecimento, talento, criatividade. Pensavam grande, sabiam o que diziam. Sabiam representar o novo, o inovador, o futuro. Sonhar com os pés no chão. Seu discurso transmitia certeza de rumos, consciência da missão e dos meios. Em todos, a chama do amor a Minas. Construtores de sonhos, falavam com os olhos brilhando. Levei um choque de esperança.

Talvez pela visão, carisma e sonhos dos pioneiros, o BDMG cresceu e apareceu cercado de grandeza e magia. Parecia ter um ímã. Muitos se referiam a ele como se fosse gente. Havia envolvimento, um caso de amor. Esse sentimento passou às gerações seguintes. Ainda costuma ser idolatrado pelos funcionários e dirigentes. Visto como “alguém” muito querido e importante na vida deles e de Minas. Têm orgulho de trabalhar ali, da história e feitos da instituição.

Diagnóstico e prognóstico – Em 1967-68, já economista, professor e pesquisador na UFMG, acompanhei a elaboração do Diagnóstico da Economia Mineira, momento superior do Banco, documento essencial do planejamento do desenvolvimento estadual. Trabalho desbravador, de alta qualidade, abrangente, de larga e longa utilidade. Muita pesquisa, rigor técnico, análise profunda. Derrubou mitos, espantou falsas certezas, desfez fantasias. Botou os pingos nos is na pobreza e na grandeza de Minas, suas potencialidades e problemas. Seus autores foram chamados de “Profetas da Catástrofe”. Motivo? Previram que, mantida a inércia histórica, pior do que o diagnóstico era o prognóstico. Escreveram isso na introdução. Reza a lenda que a respectiva página foi arrancada pelo governador Israel Pinheiro de seu exemplar. O trecho acabou excluído da edição final.

Bom, velho e revelador Diagnóstico da Economia Mineira! Escancarou a realidade econômica de Minas, conscientizou atores públicos e privados do desenvolvimento. Ajudou a evitar equívocos. Serviu de base à fixação de rumos e estratégias, planos, programas e projetos.

Coisa grande – Sabe-se que o duro e austero Israel Pinheiro era como o abacaxi: áspero por fora, doce por dentro. Conheço vários episódios que demonstram isso. Em 1969, a tinta do Diagnóstico ainda fresca, concluíram que era preciso criar instituição estadual de alto nível destinada à pesquisa aplicada em economia, administração, tecnologia básica e social. O pessoal do BDMG, à frente o determinado presidente Hindemburgo Chateaubriand Pereira-Diniz, entusiasmou-se. Mas o teimoso governador, seu sogro, não. Como convencê-lo? José Hugo Castelo Branco sugeriu chamá-la de João Pinheiro. Corte para Santiago do Chile, meados de 1969. Aluno do curso de planificação geral do desenvolvimento do Ilpes-Cepal, eu morava em Providencia, na rua Bucareste, 17, perto de Los Leones. Um apartamento minúsculo, mas simpático e aconchegante. Nele recebi meu irmão Élcio e Fernando Reis, que assessoravam o presidente Hindemburgo em entendimentos com as Nações Unidas, visando a convênio de cooperação técnica. Espremidos em torno da mesinha da miúda sala, tomamos bom vinho, matamos saudades. Falamos de passado e futuro, da ditadura que parecia interminável. Saboreei carinho, inteligência e astúcia. Guardo o seguinte diálogo de Élcio e Fernando:

Você acha que a fundação vai sair, Fernando?

− Se o nome for Fundação João Pinheiro, sim. O velho Israel vai adorar a homenagem ao pai. Tem enorme orgulho dele.

E é pra ter mesmo! João Pinheiro foi um estadista.

Hindemburgo leva o projeto ao governador. Ele se emociona, gosta. Aprova assim: “Mas tem de ser coisa grande!”.

Com essa turma – Brasília, 15 de julho de 2012. Carlos Murilo Felício dos Santos, primo e confidente de JK, me conta que este ficou impressionado para sempre com a equipe do BDMG. Aconteceu no meio de 1969, Belo Horizonte, num jantar oferecido pelo presidente Hindemburgo em sua casa da rua dos Aimorés. Começou às 8 da noite. Deveria terminar antes de meia noite. Boas bebidas, vinhos maravilhosos, comida inigualável. Mineira, claro. Mas o prato de resistência foi o desenvolvimento de Minas e do Brasil. JK se empolgou, a discussão pegou fogo. Muitas informações, análises brilhantes, críticas contundentes, profundidade, ideias, planos e projetos possíveis e impossíveis, audácia, e até algumas certezas duvidosas. Só acabou às 4 da manhã, todos extenuados e felizes. Aspas para Carlos Murilo:

Além do Hindemburgo, meu compadre, e do Renato Azeredo, estavam lá o Fernando Reis, o Élcio Costa Couto, o Álvaro Santiago, o Marneu Starling, o Silviano Cançado e outros craques do Banco. Saímos entusiasmados, quase levitando. No carro, animadíssimo, o presidente disse ao Renato e a mim: “Se eu tivesse essa turma comigo no governo, o Brasil teria avançado muito mais de 50 anos em cinco!”.  

De 1971 a 1974, na equipe de Fernando Reis, secretário da Fazenda do governo Rondon Pacheco, acompanhei o envolvimento e atuação do Banco na disparada industrial mineira do período. O intervencionismo estava em moda. Tempo de muita ação e ótimos resultados. Tempo de política fiscal e tributária enérgica e bem sucedida. De brilho intenso das instituições estaduais de pesquisa e planejamento, como o INDI, a Fundação João Pinheiro, o CETEC, a Companhia de Distritos Industriais, da própria CEMIG. De convergência geral pelo crescimento de Minas. De atração de grandes projetos, como a emblemática fábrica de automóveis da Fiat, a Fiasa, em Betim, de cujas negociações participei pela Secretaria da Fazenda.

À imagem e semelhança – Em 1975, secretário de Planejamento do nascente Estado do Rio de Janeiro, sonhei criar uma instituição à imagem e semelhança do BDMG. O governador Faria Lima aprovou. Convidei o economista mineiro Sebastião Marcos Vital para comandar o projeto. O professor Mario Henrique Simonsen, amigo querido, então ministro do Planejamento, apoiou decididamente. Estudamos a fundo a vitoriosa experiência do BDMG. Ouvimos conselhos precisos e preciosos. Inclusive sobre erros evitáveis. Nasceu o BD-Rio, banco de desenvolvimento modelar. Do porteiro ao presidente, eram 218 funcionários. Criterioso e ágil, atuava em todo o estado. Um campeão de bons resultados. Terminado o governo da Fusão (1975-79), o BD-Rio inchou, enfraqueceu, definhou, morreu.

Dentro do BDMG – A partir de março de 1983, secretário de Planejamento do governo Tancredo Neves, presidi o Conselho de Administração do BDMG, composto por mineiros admiráveis: Luiz Rogério Mitraud de Castro Leite, Nansen Araújo, Raymundo Cândido, Fernando Reis, José Hugo Castelo Branco, Dermeval José Pimenta, Euler Marques Andrade, João Antônio de Avelar Azeredo, Jorge Ferraz, Rui Moreira da Silva. Muito antes da posse, havia conversado com o doutor Tancredo, no Rio, sobre diretrizes. Foi veemente ao falar no Banco. Seria tratado como instituição vital ao desenvolvimento de Minas. Queria vê-lo cada vez mais forte, apoiá-lo de todas as maneiras. Cumpriu.

Em agosto de 1984, na semana em que deixou o Palácio da Liberdade para candidatar-se a presidente da República e liderar a redemocratização do País, indicou-me ao novo governador, Hélio Garcia, para acumular a Secretaria de Planejamento com a direção do Banco. Conheci mais de perto a excelência da Casa. Funcionários preparados e dedicados, meritocracia, ética na ação, dinamismo, compromisso com os interesses de Minas. Uma diretoria de peso: Sebastião Marcos Vital, Ottogamiz de Oliveira Júnior, Nuno Casasanta, Fernando Lana e Souza, João Ribeiro Ferreira Filho, Mauro Rodrigues de Andrade.

Em 1999, convidado pelo presidente Enrique Iglesias, contei em livro a história viva do Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID (Rio de Janeiro: Editora Record, 1999). Nascido em 1959, tornou-se o maior banco regional de desenvolvimento do planeta. Surpreso, descobri que esse irmão gigantesco e parceiro fiel do BDMG surgiu dos sonhos de JK para a América Latina. É o principal resultado concreto de sua célebre Operação Pan-Americana, lançada em 1958.

Tenho orgulho do BDMG. Desde as origens e agora, meio século depois. Não sei se meu irmão Élcio Costa Couto [1937-91] o amou mais que todos. Mas sei que não o amou menos que ninguém. _______________

*O escritor Ronaldo Costa Couto, economista pela UFMG, mestre e doutor em história pela Universidade de Paris-Sorbonne, ex-presidente do BDMG, presidiu também seu Conselho de Administração de março de 1983 a março de 1985.

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