BDMG 60 ANOS

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É preciso reposicionar a economia de Minas Gerais para um novo ciclo de desenvolvimento e de competitividade.

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira* 

*Administrador, Economista e Bacharel em Ciências Contábeis. Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas Gerais.  Ex-Presidente do BDMG e ex-Secretário de Planejamento e Coordenação Geral de Minas Gerais; Ex-Presidente do IBEF Nacional – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças e da ABDE-Associação Brasileira de Desenvolvimento; Ex-Diretor Geral e fundador da Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte; Coordenador Geral do Fórum JK de Desenvolvimento Econômico e Vice-Presidente da ACMinas – Associação Comercial e Empresarial de Minas. Presidente da MinasPart Desenvolvimento Empresarial e Econômico, Ltda. Editor Geral de MercadoComum.

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Em 1990, durante o governo Newton Cardoso, o Estado de Minas Gerais foi considerado a 2ª maior economia estadual brasileira e esse fato foi devidamente divulgado no ano seguinte pela revista Veja, através de reportagem baseada em dados da FGV – Fundação Getúlio Varga, aqui parcialmente reproduzida.

O BDMG – Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais S.A., instituição que tive a honra de presidir está completando, em setembro deste ano, sessenta anos de fundação. Lançado há 33 anos, o estudo intitulado “Economia Mineira 1989 – Diagnóstico e Perspectivas”, cinco volumes em sete (Síntese e Propostas; Indústria – Novos Desafios, Estudos Setoriais; Agropecuária – Visão Global, Regionalização da Produção; Mineração; Energia e Transporte; Aspectos e regionais) – contendo mais de mil páginas reunidas em uma coleção com 10 mil exemplares impressos, foi oficialmente divulgado em agosto de 1989 pelo BDMG e serviu como base e fundamento a vários programas econômicos de candidatos à presidência da República durante à campanha para a eleição verificada no final do referido ano. A maioria deles, inclusive, participaram do Ciclo de Palestras intitulado “A Sucessão Presidencial e os Desafios do Desenvolvimento”, ocorridos na sede do banco.

A realização de novo estudo sobre a realidade econômica estadual, brasileira e internacional, foi anunciada por mim durante a minha posse na presidência da instituição em abril do ano anterior, competindo-me, por consequência, o comando dos seus trabalhos e a definição de seus rumos.

Considerado na oportunidade o “Novo Diagnóstico da Economia Mineira”, teve este relevante estudo supervisionado pelo economista Paulo Eduardo Rocha Brant, cabendo a sua coordenação ao economista Iran Almeida Pordeus e contou com a contribuição de dezenas de competentes técnicos do próprio banco, além da colaboração de várias expressões da sociedade e de diversas áreas técnicas e, em especial, especialistas renoados em economia.

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Na sua apresentação, foram enumerados vários conceitos, cabendo destacar, entre inúmeros outros, alguns particularmente importantes para a compreensão da realidade da ocasião e que ainda são, em boa medida, pouco compreendidos nos dias atuais.

A seguir, algumas dessas considerações:

– As questões de natureza ideológica tornam-se secundárias diante da importância de se retomar o crescimento econômico vigoroso e atingir o desenvolvimento;

– Não há, mesmo na atualidade, mais lugar para os bancos de desenvolvimento clássicos, meramente repassadores de recursos oficiais. Torna-se necessário transformá-los em instituições financeiras que compatibilizem fomento com rentabilidade, ação indutora e catalisadora sobre a economia com eficiência e eficácia empresarial, que concilie, enfim, duas dimensões aparentemente contraditórias, mas absolutamente complementares: a dimensão bancária e a dimensão fomentista;

– Requer o BDMG buscar resgatar o seu papel fundamental, precípuo e primeiro de agente de transformação da economia de Minas Gerais, não se sugerindo uma volta ao passado, mas inspirando-se nele;

– Quatro premissas, na apresentação inicial dos trabalhos, foram estabelecidas e continuam consideradas como essenciais, mesmo nos dias atuais:

a – O futuro da economia de Minas – e da economia do Brasil – deve ser buscado a partir de um enfoque “voltado para fora”, aberto ao exterior. É na sua inserção no contexto nacional e internacional que se encontrarão os caminhos corretos para o desenvolvimento da economia estadual. Dir-se-á tratar de buscar uma nova mineiridade, não ensimesmada, mas extrovertida, transparente, permeável, aberta, posto que ainda discreta e recatada;

 

  1. b) – A visão que se descortina para o futuro próximo pode ser considerada otimista e que caminharemos rumo ao nosso habitar natural, o habitat do desenvolvimento e das transformações econômicas e sociais. No entanto, não significa acreditar na automaticidade da superação dos problemas, mas, ao contrário, ter convicção de que, mais do que nunca, requer-se da Sociedade e do Governo posturas novas, criativas e ousadas.

 

  1. c) – A aposta que se impõe fazer é no desenvolvimento do Estado e do País e na possibilidade de conciliar-se o crescimento vigoroso e a modernização da economia, com a justiça social e democracia.

Entre os vários elementos destacados no estudo e que compõem a vasta dimensão dos seus assuntos analisados e tratados, a seguir são apresentados alguns destaques especiais. Eles constituem, ainda na atualidade, autênticas fontes inspiradoras a novas tomadas de decisão e de reversão ao grave quadro também agora manifestado:

a – A premissa de que a trilha do País no futuro há de ser identificada e associada como a trilha da modernidade: do crescimento econômico vigoroso – sustentando e sustentável – sintonizado com as grandes e cada vez maiores transformações que se verificam na economia internacional, e voltado para a minimização dos problemas sociais; da democracia, plena e efetiva, onde a real participação de todos os segmentos da Sociedade, nas decisões políticas do País, não se traduza apenas na mera defesa de interesses corporativistas ou no populismo inconsequente, mas que possa sintetizar as suas aspirações maiores, transformando-as em ações factíveis, na direção firme do progresso;

b – Minas Gerais não pode imaginar-se isolada e desconectada do País e do Mundo. Apesar de sua importância relativa e de suas dimensões econômicas, compatíveis com as de inúmeros estados nacionais, deve-se vislumbrar o seu futuro inserido no contexto nacional e internacional. Se esta realidade já era válida no passado, continua absolutamente essencial no presente. Em outras palavras, não se trata de conceber a economia estadual autônoma e autossuficiente, mas integrada de maneira lúcida e compatível com as suas potencialidades, no sistema econômico brasileiro e mundial;

c – Já apontadas à época, continuam imprescindíveis ações de âmbito estrutural que reposicionem a economia estadual e nacional no contexto de uma nova divisão internacional do trabalho. A percepção e o entendimento desses processos, muito ainda em curso e em processo de consolidação, são vitais para o correto e lúcido enquadramento da economia brasileira no quadro internacional, que se configura como determinador deste novo milênio;

d– É necessário que Minas se reconcilie com a mineração, aceitando a realidade de suas montanhas e fomentando o seu desfrute. A riqueza do subsolo do estado, ainda subavaliada e pouco conhecida, principalmente se se considerar a sua localização privilegiada, é enorme alavanca potencial ao processo de desenvolvimento mineiro no futuro próximo. Impõe-se, pois ao Governo a tarefa de agir incisivamente no apoio ao setor, principalmente no que tange ao melhor conhecimento das virtualidades minerais do estado;

e – É crucial para o enfretamento dos problemas sociais do Estado a disponibilidade de instituições com fôlego técnico-gerencial para implementar de forma eficiente e eficaz as políticas concebidas. É preciso rejuvenescer as organizações, como objetivos sociais, da administração direta e indireta, avaliar seus desempenhos e, se necessário, reestruturá-las;

f – A macroeconomia de Minas é, fundamentalmente, a macroeconomia do País. Em outras palavras, o comportamento de variáveis tais como o nível global de investimentos, o nível de agregado do emprego e a taxa de crescimento do PIB é, em grande medida, definido em relação ao País como um todo, mesmo porque a política econômica estadual dispõe de poucos instrumentos capazes de influenciar decisivamente a sua direção;

g – A decolagem da economia mineira, rumo a um novo ciclo de desenvolvimento, exige também que a economia do País reingresse na rota do crescimento firme e sustentado. As perspectivas para a economia de Minas dependem, em grande parte, das perspectivas que se vislumbram para a economia nacional.

h – Por fim, um alerta: “Minas é o Estado-Síntese do País. Daqui deve ecoar, neste momento em que o País está apreensivo pelas suas dificuldades momentâneas e por isto impossibilitado de enxergar o futuro que tem em suas mãos, um grito de esperança e fé. Mas, também, deve ressoar um clamor pela adoção de atitudes novas, corajosas e criativas por parte da Sociedade e do Governo, único caminho para que o sonho se torne real”.

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