BDMG – 60 anos promovendo o desenvolvimento de Minas Gerais
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Entrevista com o presidente do BDMG, Marcelo Bomfim

MC – O BDMG completou 60 anos em 2022. Olhando em perspectiva, o banco cumpriu as expectativas dos tempos de sua criação?

MB – Sem dúvida. O BDMG surgiu para ajudar a modernizar a economia mineira, que naquela época estava bem atrasada em relação a Rio e a São Paulo, que passavam por um processo rápido de industrialização.

Como integrar a economia e comercializar nossa produção, se não havia ligação rodoviária com os principais mercados? Nossa agricultura era tradicional, familiar, sem assistência técnica e financeira. Vendíamos gado vivo porque não havia frigoríficos.

O BDMG surgiu dessa percepção de que era necessário um agente de desenvolvimento que contribuísse para a solução dos problemas. Desde então, a participação crescente de Minas no PIB, o peso considerável de seu complexo industrial, a força do seu agronegócio, em tudo isso houve a participação do BDMG.

MC – O BDMG surge, aliás, numa espécie de “era de ouro” do planejamento econômico em Minas Gerais. Além dele, surgem também o INDI, o CEDEPLAR, a Fundação João Pinheiro. Quão importante foi essa estrutura para Minas e para o próprio desempenho do BDMG?

MB – Foi crucial. Porque a Fundação João Pinheiro fazia os estudos setoriais, o INDI, antigo Instituto de Desenvolvimento Integrado, atual InvestMinas, estruturava as oportunidades de investimentos, a CDI, Companhia de Distritos Industriais, atual Codemge, cuidava da infraestrutura de instalação industrial, com o BDMG financiando.

Principalmente depois do governo de Israel Pinheiro, quando o BDMG foi capitalizado pela venda de ações em empresas nas quais o estado tinha participação, como a Petrobras, esse sistema de planejamento público permitiu uma grande expansão da infraestrutura de energia e de transportes, cujo resultado será percebido na década de 1970, quando o estado cresceu 60% acima do PIB no chamado “Milagre Econômico”.

Mais tarde ainda chegaram o Sebrae, para catapultar os pequenos negócios, o Cetec, para dar atualidade tecnológica à nossa economia, a Prodemge, o Iepha, enfim, todo uma rede articulada de pensamento econômico, estudo, pesquisa e planejamento, que começou financiando frigoríficos e, dez anos depois, a Fiat. Não se faz isso sem uma grande capacidade técnica e estratégica.

MC – Aliás, a Fiat é o grande marco da economia mineira e do BDMG, não?

MB – Eu não diria apenas do BDMG, mas de todo esse sistema público de planejamento econômico. Minas teve uma grande frustração no governo Bias Fortes, quando a instalação da francesa Simca, em Santa Luzia, não vingou. Ela seria a primeira indústria automobilística do estado. Não deu certo pelas fragilidades que todos esses órgãos vieram resolver: falta de planejamento, de estrutura, de sustentação financeira aos projetos.

No caso da Fiat, estávamos em outro momento histórico, muito mais preparados para tirar algo daquela envergadura do papel. Dessa vez, o maior problema era a concorrência. São Paulo concentrava praticamente toda a indústria automobilística brasileira e usou o peso de seu parque industrial para levar também a Fiat para lá.

Aí houve uma mistura de capacidade de planejamento, costura de apoios com o Governo Federal e, claro, a astúcia do governador Rondon Pacheco, que usou exatamente o argumento oposto ao dos paulistas para atrair a Fiat. Enquanto São Paulo escorava-se no parque automobilístico já amadurecido do ABC paulista, Minas usou o argumento do “filho único”: sendo a Fiat a 1ª montadora de Minas, receberia do Estado toda a atenção.

Cinquenta anos depois, a Fiat é líder do mercado brasileiro e a fábrica mineira, a primeira fora da Europa, é a maior unidade do grupo no mundo. Betim se tornou um dos maiores polos automotivos do Brasil. O BDMG participou de cada passo nessa concretização. 

MC – O BDMG também passou por muitos solavancos, internos e externos, crises, instabilidades, como as décadas de 1980 e 1990. Outras instituições financeiras não sobreviveram a esses períodos. Como e por que o BDMG conseguiu?

MB – A combinação entre choque externo e desequilíbrio interno, como vimos na década de 1980 e, de certa maneira, também na de 1990, traz consequências imediatas para instituições financeiras como o BDMG. Primeiro, a disponibilidade de recursos cai, o preço de captação sobe, as condições e taxas pioram sensivelmente devido ao risco. E, claro, a inadimplência aumenta, às vezes chegando a níveis, como na década de 1980, capazes de colocar em risco a própria saúde da instituição de fomento.

BDMG completou 60 anos em 2022 a

O BDMG sempre se reinventou para atravessar esses momentos. Em 1989, foi lançado pelo então presidente do banco, Carlos Alberto Teixeira, o “Economia Mineira: diagnóstico e perspectivas”, que apontou caminhos dentro do novo mundo da década de 1990, com a queda do Muro de Berlin, da URSS, a maior abertura econômica e a integração das cadeias produtivas, globalização e tecnologia. Logo depois foram criados os fundos setoriais para que o Banco pudesse se recapitalizar.

O BDMG passou por diversas outras reestruturações, foram criados produtos, novas parcerias foram construídas, o Banco passou a atuar, por exemplo, em PPPs, e sua atuação foi redirecionada para plataformas digitais. A rede de correspondentes bancários foi ampliada, a sustentabilidade socioambiental nas análises de risco e na concessão de crédito ganhou outra dimensão, o Banco passou a ter acesso a captações internacionais e a diversificação de funding trouxe consistência e solidez durante momentos de instabilidade.

Enfim, esse movimento do BDMG, de nunca se acomodar e sempre tentar acompanhar o espírito do tempo e o reconhecimento dos Governos e da própria sociedade sobre a importância do banco, é que permitiram que ele atravessasse os momentos difíceis e saísse deles ainda melhor e mais forte, como agora durante a pandemia.

MC – Durante a pandemia o banco teve de reorientar toda a sua estratégia para salvar negócios e financiar produtos e serviços emergenciais. Passado esse momento, para onde vai o BDMG?

MB – Foi um momento desafiador. Tivemos resiliência e capacidade de adaptação, com a criação de linhas especiais para financiar o setor de saúde em todas as frentes, da abertura de leitos à contratação de profissionais de saúde, mas também para a produção de itens essenciais, como luvas, máscaras e álcool gel, equipamentos médicos e tudo mais que fosse necessário para salvar vidas.

O BDMG renegociou contratos com seus clientes, congelou por 180 dias o pagamento de parcelas sem alterar as condições contratadas. Oferecemos linhas de capital de giro para que os negócios não fechassem. No auge da pandemia, nossos desembolsos foram recordes, sem jamais colocar em risco a sustentabilidade financeira do banco.

Agora o BDMG se volta para recompor os investimentos nas cadeias produtivas locais, com foco no desenvolvimento regional e na vocação dos municípios. Também buscamos um maior alinhamento com o Programa de Desenvolvimento Integrado, do Governo de Minas, de modo que nossos financiamentos sejam mais complementares às políticas públicas e setoriais já desenvolvidas.

MC – Qual a estratégia do BDMG para tirar esses objetivos do papel?

MB – Em energia renováveis, por exemplo, Minas é líder nacional em geração fotovoltaica, sendo o BDMG responsável, nos últimos três anos, por cerca de 50% do total dos investimentos realizados, com R$ 450 milhões de desembolso. No total, os financiamentos em energia renovável possibilitaram a geração de 548 GWh/ano no período, evitando que 330 mil toneladas em emissões de gases de efeito estufa (GEE) fossem lançadas à atmosfera. E temos ainda um potencial de crescimento exponencial.

Outro setor que o BDMG está expandindo sua participação é o setor público. O apoio às prefeituras tem sido cada vez maior, tanto em momentos emergenciais, como nas tempestades de verão em 2021 e 2022, quanto para melhorar a competitividade e o ambiente de atração de investimentos.

O BDMG financia desde obras de saneamento básico, infraestrutura viária e pavimentação, iluminação pública, contratação de consultorias para regularização fundiária, além de compra de máquinas e veículos. Como nossas taxas e condições são as melhores do mercado, temos amplo espaço de crescimento. Até outubro foram quase R$ 100 milhões.

MC – E vai haver dinheiro para toda essa expansão nos financiamentos?

MB – O BDMG hoje goza de invejável saúde financeira. As avaliações elogiosas do Banco por agências de risco, como a Moody’s e Standard & Poor’s, nos permitem captar com condições muito mais vantajosas.

Nossa intenção é que os recursos serão direcionados à infraestrutura, como projetos de transporte e mobilidade urbana, saneamento, fontes renováveis e eficiência energética, mas também a iniciativas de alto impacto em desenvolvimento humano e socioambiental, como agricultura sustentável, saúde e bem-estar e inclusão produtiva.

Estamos em negociação com várias outras instituições, estrangeiras e nacionais, para ampliar ainda mais o volume disponível para investimentos em Minas Gerais.

Hoje o banco tem uma carteira de crédito de R$6 bilhões e em breve passaremos por uma mudança de escala. As bases para o crescimento do BDMG foram muito bem alicerçadas. Agora é hora de colocar tudo isso em movimento.

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