Um em cada três empreendedores acredita que a indústria brasileira precisa de um salto nos próximos cinco anos. Relatório da OECD aponta o uso de tecnologias digitais como megatendência mundial

O alto custo da inovação e a falta de financiamento são os principais motivos pelos quais 49% dos empresários consideram o grau de inovação da indústria brasileira baixo ou muito baixo, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apenas 6% dos entrevistados consideram inovadora a atividade industrial brasileira. Na pesquisa, foram ouvidos CEOs, presidentes e vice-presidentes de 100 indústrias, das quais 40 são de grande porte e as demais pequenas e médias.

No ranking dos fatores que mais dificultam a inovação no país, estão, além do alto custo da inovação e a da falta de financiamento (28%), também a burocracia e a regulamentação excessiva (27%) e o baixo nível de educação e qualificação da mão de obra (18%).

Revolução necessária

Apesar de verem o Brasil como pouco inovador no cenário atual, empreendedores industriais têm expectativas positivas, ainda segundo o levantamento: um em cada três empresários acredita que a indústria precisa de um salto nos próximos cinco anos.

Marcelo Miranda, especialista em automação industrial, explica que essa mudança é primordial para posicionar o Brasil economicamente. “Principalmente por necessidade, os passos (hoje tímidos) da indústria 4.0 no Brasil precisam ser mais largos. O maior risco que corremos, e no qual já incorremos, é a perda de competitividade no cenário mundial. Temos que ser competitivos e estar em fase com o mundo”, afirma o empresário, CEO da Accede Automação Industrial.

Em 2016, a OECD (Organization For Economic Cooperation And Development) em seu relatório “Science, Technology and Innovation Outlook 2016” citou oito megatendências, duas das quais diretamente relacionadas ao uso de tecnologias digitais, são elas: 1) Economia, Emprego e Produtividade, que continuarão sendo afetados pelo uso de tecnologias digitais. 2) Globalização, que já é um caminho sem volta e que continuará favorecendo amplamente a difusão de conhecimento, tecnologias e novas práticas de negócios, aumentando a competitividade e a competição. Informações como essas nos ajudam a entender os próximos passos.

Os empresários brasileiros já reconhecem que o caminho da inovação e tecnologia é o que pode trazer grande impulso para o desenvolvimento industrial e o aumento da lucratividade. Ainda de acordo com a pesquisa da CNI, para 44% dos executivos, as atividades de inovação respondem por mais de 20% do faturamento de suas empresas.

Com mais de 30 anos no segmento, Miranda reconhece que “hoje, fala-se muito mais a respeito de indústria 4.0 e as instituições começam a desempenhar seu papel. Aos empresários, como parte de sua missão, cabe situar-se e entender onde seus atuais modelos de negócios serão (ou já estão sendo) impactados, e garantir a adequação exigida por essa mudança”.

Caminho da mudança

O especialista explica que, para que o país acompanhe o ritmo global de industrialização, é mandatório que toda a cadeia industrial siga a proposta da tendência tecnológica. “Hoje, no Brasil, já contamos com linhas de crédito através do BNDES para investimento em i4.0. Organizações como a ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) ajudam empresários do setor de máquinas e automação a, cada vez mais, divulgar os caminhos da i4.0. Estar conectado a essas organizações é uma oportunidade para os empresários, não só no que diz respeito a receber informações, como também e principalmente, cooperar e difundir essas informações em seu meio”, afirma Marcelo.

Muito além do aparato industrial, o trabalho humano também sente os impactos da revolução tecnológica. Os empregos do futuro serão em sua maioria ligados ao novo cenário. “As áreas de automação, coleta e tratamento de dados, desenvolvimento de produtos customizados, desenvolvimento de software, aplicativos e realidade aumentada são bons exemplos de áreas que dominarão o mercado futuramente”, exemplifica Marcelo.

Para que o profissional não fique defasado e se afaste do mercado, Marcelo Miranda aponta competências e habilidades fundamentais para garantir espaço no novo cenário: “Sem dúvida, competências em que as habilidades mentais são destaque continuam fundamentais. Pesquisar, desenvolver, planejar, projetar, são atividades que não deixarão de existir, pelo contrário, tendem a ser cada vez mais importantes”.

Acrescenta que capacidade de criação e interdisciplinaridade continuarão a ser essenciais. Com tantas ferramentas já em uso, a redução do trabalho físico é uma realidade. “Não é difícil concluir que conhecimento e experiência em diversas disciplinas são fundamentais. Dominar ferramentas em sua área e buscar ser mais abrangente torna-se cada vez mais necessário”, descreve.

Ao empresariado, muito mais que aos trabalhadores em geral, é fundamental dar atenção às novas práticas de produção. Conseguir acompanhar, saber exatamente onde investir e como posicionar a empresa nesse novo cenário não apenas manterá as empresas, como trará benefícios imediatos e acesso a novas oportunidades, argumenta Marcelo.

Com formação na área Eletrônica, Marcelo Miranda é especialista em Automação Industrial, com mais de 30 anos de experiência. É CEO e cofundador da Accede Automação industrial, empresa criada em 1997 em São Bernardo do Campo, cidade que é referência no segmento industrial no Brasil.