Agricultura brasileira será foco global de financiamentos verdes
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Especialistas acreditam que o País tem o maior potencial para captar parte importante de US$ 37 trilhões de 87 gestoras globalmente que já assinaram metas de descarbonização em seus portfólios

No último dia de palestras do Santa Brígida Open Farm, versão virtual do tradicional Dia de Campo ILPF, realizado no dia 10/6, Leisa Souza, diretora para América Latina do Climate Bond Initiative (CBI) falou que, apesar de ser líder em emissões de títulos verdes na América Latina, o Brasil ainda tem potencial para crescer muito mais. No mundo, desde 2017, já foram emitidos US$ 1 trilhão de títulos verdes; no Brasil, “apenas” US$ 9 bilhões. “Quando olhamos para o número completo, 27% foram dos títulos são para tratos da terra como preservação, plantação etc. São US$ 848 milhões para a agricultura e esperamos que isso se expanda. Precisamos de US$ 1 trilhão por ano para atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, ressalta Leisa.

Ano passado, como forma de contribuir para a captação e emissão de novos títulos, o CBI publicou os critérios de métricas de agricultura. Os critérios de pecuária foram aprovados em março de 2021 e serão publicados no próximo 23 de junho, trazendo as atividades de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) na captação de financiamento sustentável. “Os títulos verdes vieram para ficar, mas ainda precisa de muita informação dos produtores de como fazer e como aplicar. Nessa perspectiva, o ILPF é o maior modelo de produção de alimentos sustentável do Brasil”, completa Leisa.

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José Pugas, Head de ESG da JGP, mencionou em sua palestra que os créditos verdes servirão para premiar o produtor rural. “Já são US$ 37 trilhões e 87 gestoras de recursos no mundo que assinaram metas de descarbonização em seus portfólios. O Brasil tem tudo para liderar e ser o maior foco mundial na captação destes recursos”, indicou. “Mas temos desafios a serem superados. Por exemplo: pagamentos por serviços ambientais precisam ser negociados na bolsa, da mesma forma que o mercado de carbono precisa ser regulado no País”, ressaltou.

Pugas anunciou no evento que a cooperativa Cocamar participará da primeira operação do Sustainable Agriculture Finace Facility (SAFF), o primeiro mecanismo financeiro estabelecido pela Rede ILPF. “Ninguém mais do que o produtor depende do solo, da água e do clima. O agricultor carrega isso no DNA”, completou.

Impulsionadores da agricultura tropical sustentável

Aurélio Pavinato, CEO da SLC Agrícola, também palestrou no evento sobre a produção agrícola e como a agricultura pode se integrar aos serviços ambientais. “O número de habitantes no planeta está aumentando e a necessidade por alimentos seguros também. Para se ter uma ideia, na safra 21/22, os países importadores vão demandar 173 milhões de toneladas de grãos. Alguém deverá produzir essa quantidade. Como vamos produzir tudo isso de forma sustentável e segura? O Brasil sabe como e ILPF é a resposta”, diz.

Um estudo conduzido pela SLC comprovou que, em solos mais protegidos e saudáveis, há mais estoque de carbono. “Estimamos que conseguimos capturar 300 kg de carbono por hectare ao ano. Na nossa área, são cerca de 360 mil toneladas de CO2 equivalente no solo, o que equivale a 51 mil árvores”, celebra Pavinato. “A agropecuária poderá exercer um papel importante como parte da solução do problema de emissões dos Gases do Efeito Estufa”, conclui.

E não tem como falar de evolução da agricultura tropical brasileira e não celebrar um dos principais responsáveis por pesquisas e desenvolvimento da Embrapa: Alysson Paolinelli, indicado para o Nobel da Paz de 2021. O Santa Brígida Open Farm foi finalizado com uma mesa-redonda com grandes nomes do agronegócio como o próprio indicado Alysson Paolinelli; o Dr. Roberto Rodrigues, da FGV Agro; Dr. Durval Dourado, diretor da ESALQ/USP; Evaldo Vilella, presidente do CNPQ; Celso Moretti, presidente da Embrapa; e Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil.

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