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Após efetuar lançamentos em outras cidades, o jornalista

Ivanir Yasbeck autografou, no último dia 27 de fevereiro, na Academia Mineira de Letras, em Belo Horizonte, o livro
intitulado “O Real Itamar”, com prefácio do também jornalista Mauro Santayana.

No livro, o autor traça a biografia autorizada do ex-presidente Itamar Franco e narra sua trajetória política, desde quando foi eleito prefeito de Juiz de Fora até sua eleição, aos 80 anos, para o Senado Federal e sua morte, em julho de 2011, de leucemia.

A obra é resultado de uma solicitação feita ao autor, em junho de 2009, pelos fiéis amigos e antigos assessores de Itamar Franco, Marcelo Siqueira e Djalma Morais.

Para elaboração deste trabalho, foram franqueados ao jornalista documentos, catalogados no Instituto Itamar Franco,
em Juiz de Fora. O autor realizou um sem número de entrevistas com o ex-presidente, ocorridas em Juiz de Fora, nos
intervalos de seu trabalho em Belo Horizonte, como presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Foram entrevistados, também, amigos e ex-colaboradores do ex-presidente.

Importantes fontes de informações foram alguns dos integrantes da chamada “República do Pão de Queijo”, expressão criada pela Folha de São Paulo para definir o grupo de Juiz de Fora que sempre acompanhou Itamar Franco. Integravam o grupo, entre outros amigos, Marcelo Siqueira (presidente das Centrais Elétricas de Furnas) e Djalma Morais (Ministro das Comunicações), Henrique Hargreaves (Chefe do Gabinete Civil) e Ruth Hargreaves (Assessora especial), Mauricio Correia (Ministro da Justiça), Murilo Hingel (Ministro da Educação), Alexis Stepanenko (Ministro do Planejamento) e Mauro Durante.

O engenheiro e jornalista José Pedro Rodrigues de Oliveira e os deputados Raul Belém e José de Castro Ferreira, embora amigos íntimos de Itamar Franco, não podem ser chamados de integrantes da República do Pão de Queijo, pois não dependiam de Itamar Franco para a sua atuação política e ou profissional e já tinham voo próprio, antes da ascensão política do ex-presidente.

O autor deixou de narrar vários episódios envolvendo Itamar Franco, como, por exemplo, os seus diversos amores, além da filha de Humberto Lucena, a doença que o acometeu, as contendas com desafetos, os acordos políticos com Newton Cardoso, Tancredo Neves, José Alencar e outros.

O autor não diz, mas quem apresentou Itamar Franco à imprensa de Belo Horizonte, na época em que era um simples
postulante à prefeitura de Juiz de Fora, foi o então deputado estadual José de Castro Ferreira, do PTB, que. muito
ajudou Itamar em sua trajetória. José de Castro era um amigo fiel de Itamar Franco, embora dele não dependesse para se eleger deputado estadual e federal.

Tinha sólidas bases fincadas no antigo PTB de Juiz de Fora e na Zona da Mata. José de Castro, aliás, não era nascido em Juiz de Fora, mas em Carmo do Rio Claro.

Certo dia, José de Castro, que tinha um excelente trânsito entre os jornalistas que faziam cobertura política no Estado, convidou os jornalistas políticos para um contato com um “político novo, competente, futuroso”, chamado Itamar Franco.

E o levou à sala de imprensa da Assembleia Legislativa.
Foi o primeiro contato de Itamar com a imprensa da Capital e os jornalistas tiveram boa impressão e elogiaram a desenvoltura e lucidez do jovem candidato a prefeito de Juiz de Fora.

Outro episódio que o autor não narra foi o telefonema dado por Itamar Franco aos jornalistas, no dia de sua renúncia à prefeitura de Juiz de Fora, para ser candidato a senador pelo PMDB.

Na época, o jornalista Jadir Barroso era repórter do Jornal do Brasil e se encontrava na Sala de Imprensa da Assembleia Legislativa, quando toca o telefone. A secretária Margareth atente e diz:
– O prefeito de Juiz de Fora, Itamar Franco, quer falar com você;
Jadir foi ao telefone e Itamar foi logo dizendo:
– Jadir, avise aos seus colegas de imprensa que eu resolvi me desincompatibilizar da Prefeitura para ser candidato ao Senado pelo MDB e hoje, à meia noite, vou renunciar ao cargo de prefeito. Já está tudo acertado com o presidente do
meu partido, Jorge Ferraz, para eu ser o candidato do MDB.

O Tancredo não será candidato. Amanhã, estarei aí em Belo Horizonte, para o MDB formalizar a minha indicação para
candidato.
Surpreso, respondeu:
-Vou avisar aos colegas e transmitir-lhes a entrevista.
Vamos noticiar.
O prefeito ainda fez várias considerações sobre sua candidatura,
num momento em que uma candidatura do MDB era considerada derrota na certa.

Fato inusitado que o autor não narra foi o ocorrido na primeira reunião do Conselho de Administração do BDMG, para o
qual Itamar fora nomeado pelo governador Aécio Neves e designado para presidi-lo. O valor dos subsídios mensais
dos membros do Conselho do BDMG era próximo ao do presidente do banco. Itamar Franco, com toda tranqüilidade,
em sua primeira intervenção como presidente do Conselho, foi logo dizendo:

– O governador baixou um decreto estabelecendo que nenhum servidor do estado pode ganhar mais do que o governador.

E como o salário do governador é de R$9.500,00, proponho que o presidente do Conselho recebam 80% deste
valor e os conselheiros, a metade. Perplexos, os membros do Conselho, certamente de olho nos subsídios, foram obrigados a engolir a proposta de Itamar.

O autor em nenhum momento deixa transparecer a fama de temperamental e briguento de Itamar Franco. Pelo contrário, procura dar-lhe uma roupagem de homem ameno e tranqüilo

Não há duvida de que a ética, a responsabilidade, a seriedade e o profundo respeito pela coisa pública estão presentes no livro e são a marca registrada de Itamar Franco, demonstrada em episódios como os da demissão de Eliseu Rezende do Ministério da Fazenda e o afastamento do seu amigo Henrique Hargreaves da Casa Civil, até o esclarecimento completo das denúncias contra ele.

A ascensão de Itamar à presidência da República, com a cassação do mandato de Fernando Collor de Melo e a implantação do plano real são dois episódios dos mais marcantes da sua trajetória política.

Itamar Franco foi casado com a herdeira de uma das mais tradicionais famílias de Juiz de Fora, a família Surerus. Mas, o casamento durou apenas sete anos.

O livro contém inúmeras fotografias, retratando fatos de que participou o ex-presidente, todas pertencentes ao acervo do Instituto Itamar Franco.
Recomenda-se sua leitura como importante documento semi- oficial sobre a vida de um dos mais ilustres mineiros de
todos os tempos.

 

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