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Por: Wilson Renato Pereira 

 

Em nenhum lugar é mais apropriado para falar de conjuração do que Minas Gerais. Está no DNA do Estado. Mas, desta vez, não se trata de um movimento ao estilo de Tiradentes, Cláudio Manoel da Costa, Tomaz Gonzaga e outros, participantes da célebre e malsucedida conspiração política contra a coroa portuguesa.

Trata-se, agora, de uma trama com grande chance de sucesso, no mais saboroso dos sentidos, que brota das montanhas mineiras, sempre férteis de boas idéias e novidades. A última delas, que promete dar muito prazer a quem sabe apreciar cervejas de qualidade, atende pelo nome de Inconfidentes Cervejarias Conjuradas, microcervejaria próxima a Serra do Curral, na Grande BH, cujos tanques já começaram a produzir.

Os responsáveis são sete revolucionários, originários das premiadas cervejarias artesanais Grimor, Jambreiro e Vinil: Gabriela Montandon e Paulo Patrus (mais conhecidos como o “casal cervejeiro”), Humberto Ribeiro, Fabrício Bastos, Ricardo Marques e Virgílio de Barros e Daniel Pinheiro, todos com uma história de respeito no setor e autores de receitas vencedoras em concursos de associações de cervejeiros artesanais.

Com o sugestivo nome de Derrama, a cerveja inaugural da Inconfidentes, que remete tanto ao estopim da Inconfidência Mineira quanto faz alusão à própria bebida, deve ficar pronta em meados de junho, com a sua primeira brassagem feita exatamente no dia 21 de abril passado. Mais simbólico, impossível.

A Derrama é uma criativa Wit IPA (fusão do estilo belga Witbier com o American India Pale Ale). A base é de uma Wit: malte pilsen e malte de trigo. Para completar, na fervura foram utilizadas sementes de coentro, a tradicional especiaria utilizada nesse estilo belga.

Dois lúpulos norte-americanos serviram de base e outros sete, escolhidos por cada um dos cervejeiros, de forma que contribuir com toques pessoais para o aroma da cerveja e conferir as características cítricas que se desejava na cerveja, mas mantendo o perfil desejado. O IBU (unidade de medida de amargor) ficou em 45, o que agrada muito aos hopmaniacs ou lúpulomaníacos. (Nota: o amargor é considerado fundamental na personalidade dessa bebida e serve, em geral, para balancear o adocicado fornecido pelo malte).

A nova cerveja terá produção inicial de 12 mil litros/mês, apenas dez por cento da capacidade mensal da Inconfidentes. Num primeiro momento, ela será distribuída apenas em barris de chopp. Daqui a um ano, está previsto o lançamento das garrafas de 600 e 355 ml.

Todo o movimento que está sendo feito pelo pessoal da Inconfidentes não se restringe à produção de cerveja. Há toda uma mensagem simbólica que pretende chamar atenção das autoridades públicas e da sociedade para a incansável luta do setor artesanal em favor da sua sobrevivência, que depende da reforma da legislação que regula atualmente as suas atividades.

Segundo Paulo Patrus, que já foi dirigente da Associação dos Cervejeiros Artesanais Mineiros (Acerva), “a Inconfidentes passará a engrossar o coro das microcervejarias nacionais para que o governo enxergue a necessidade de valorizar o setor, perceba seus benefícios para a cultura e a economia regional e trate-o com mais justiça tributária”.

Ele justifica os motivos da demanda dos cervejeiros artesanais sob o argumento de que o governo dá a eles o mesmo tratamento das grandes indústrias, apesar da diferença de escala. ”Pela nossa origem, estaremos sempre pocurando disseminar a cultura cervejeira e lutando para que o Brasil tenha uma legislação própria também para o produtor caseiro, que iniciou toda essa revolução cervejeira que está acontecendo no país”, disse.

Além da Derrama, obra conjunta, as três cervejarias conjuradas irão produzir marcas próprias, inicialmente, dois estilos de cerveja cada. A Grimor fará suas brassagens com a Grimor 3, do estilo Amber Lager, e a Grimor 21, uma Herb Beer com pétalas de rosa e hibisco. A Jambreiro terá os rótulos Bâdil, uma American Brown Ale, e a Lebenskraft, uma cerveja do estilo Kolsh. A Vinil, por sua vez, produzirá a Baba, uma Extra Special Bitter, e a Tropicália, uma cerveja de trigo clara.

Como informou Patrus, no médio prazo, serão ao todo 15 rótulos de cervejas que já foram produzidas pelos sete cervejeiros como homebrewers, mas outras receitas ainda poderão ser desenvolvidas por eles e sair dos tanques da Inconfidentes.

 

NOTAS CERVEJEIRAS

Beer Tour em BH

Já pensou começar o dia comendo pães, bolos, biscoitos, queijos, embutidos, geléias, tudo harmonizado com boas e apropriadas “brejas”? É o café da manhã cervejeiro, que inicia os Beer Tours promovidos em Belo Horizonte pelo cervejólogo e sommelier Rodrigo Lemos e que reúne, periodicamente, aficionados pela bebida para percorrer cervejarias da região.

Segundo Lemos, que acredita no aforismo “Beba menos, beba melhor”, do movimento slowbier, o objetivo é disseminar a cultura cervejeira local e valorizar os bons produtos feitos por aqui. O último tour passou pela Drik, Krug Bier, Taberna do Vale e Küd Cervejaria.

Em geral, participa desse evento quem já tem costume de frequentar estabelecimentos especializados em cervejas de qualidade, quer saber como elas são produzidas e conhecer as novidades antes de serem lançadas no mercado. Mas há, também, quem está começando a conhecer o amplo mundo das brejas, se “beerevangelizando”.

Antes que se pense outra coisa, as pessoas que participam dos Beer Tours são transportadas em uma van. Ninguém vai no seu próprio veículo após degustar os produtos das lojas e cervejarias visitadas, já que dirigir após ingestão qualquer quantidade de bebida alcoólica é contra a lei.

 

Mais novidades da Wäls

Com uma produção média de 25 mil litros/mês, em Belo Horizonte, a Wäls Cervejas Especiais tem planos para construir uma planta em Araxá, projeto do renomado arquiteto Gustavo Pena. É coisa para mais 300 mil litros/mês.

Por aqui, duas novidades: lançamento da cerveja do Stadt Jever, uma Special Lager com dry hopping do lúpulo Mandarina.

Em agosto, lançamento de uma receita feita em parceria com o pessoal do setor de cervejas do Pão de Açúcar, especialmente para comemorar os 65 anos do supermercado. É uma Witbier, com adição de baunilha, alfarroba, cascas de laranja, anis estrelado e coentro. Serão produzidos oito mil litros, com venda exclusiva no Pão de Açúcar.

 

Concurso da Acerva Mineira

Anualmente, a Associação dos Cerveiros Artesanais Mineiros (Acerva) realiza um concurso para promover e divulgar a cultura cervejeira, prestigiar o movimento homebrewer local e preparar potenciais participantes do Concurso Nacional de Cervejas Artesanais. O evento tem como base técnica o guia de estilos da Beer Judge Certification Program (BJCP) e este ano selecionou os estilos American Amber Ale, Robust Porter, Saison, Vienna Lager e Estilo Livre (Escola Mineira de Cerveja).

Como informou o presidente da entidade, Humberto Ribeiro reunião de entrega dos prêmios foi realizada na Cervejaria Küd Bier, no bairro Jardim Canadá, Nova Lima. Os vencedores foram:

American Amber Ale: Reinaldo Barros e Pedro Gusmão (1), Fabiano Carvalho (2) e Cristiam Rocha (3)

Robust Porter: Cristiam Rocha (1), Renato Buaiz e Adriano Ferreira (2) e Fabiano Carvalho (3)

Saison: Kelvim Azevedo (1), André Tirso (2) e Cristiam Rocha (3)

Vienna Lager: Cristiam Rocha (1), Fabiano Carvalho (2) e Bernardo Gosling (3)

Estilo Livre (Escola Mineira de Cerveja): Daniel Draghenvaard (1), Giovani Mendes (2) e Carlos Henrique (3).

Vale destacar que a exigência do concurso, neste estilo, é que a bebida concorrente leve qualquer ingrediente da culinária mineira ou faça referência à cultura do nosso Estado, tanto no aroma quanto no sabor. “O céu é o limite. O que vale é a criatividade do cervejeiro na escolha dos ingredientes que considera ideais e a técnica para harmonizá-los”, diz o presidente da Acerva, Humberto Ribeiro.

Por exemplo, campeã no Estilo Livre, a cerveja Barlei Uaine do Jequitinhonha foi fervida com pedras incandescentes. Os principais ingredientes foram cevada maltada e milho verde, com adição de chips de madeira jatobá na maturação.

 

Errata

Na coluna “Cerveja & Cia” da edição anterior, o parágrafo final ficou com a leitura truncada. O correto é: “Um cerveja tipo pilsen deve ser consumida o mais próximo possível da data de sua fabricação, evitando oxidação e caramelização excessivas, que afetam tanto o sabor quanto o aroma. Esses processos decorrem, em geral, de condições inadequadas de temperatura e transporte. Mas, vale conferir, pois tanto Wäls quanto Urquell proporcionam satisfação garantida.”

 

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