O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou no dia 15 de janeiro o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda referente ao mês de dezembro. A taxa de inflação para as famílias de renda mais baixa (cujo rendimento familiar mensal é menor que R$ 1.650,50) foi de 1,58% no mês. Na faixa que representa as famílias de renda mais alta (com rendimento domiciliar superior a R$ 16.509,66), a variação foi de 1,05%, revelando uma diferença de 0,53 ponto percentual entre os dois grupos.
Embora tenha se mantido em dezembro o padrão inflacionário presente nos últimos meses, caracterizado pela aceleração dos preços dos alimentos no domicílio, o reajuste da energia elétrica e a alta nos preços dos serviços livres se revelaram focos de pressão adicionais no orçamento das famílias. Os segmentos de “habitação” e “alimentos e bebidas” foram os que mais impactaram a inflação das famílias de menor renda, impulsionados pela alta de 9,3% nas tarifas de energia e pelos aumentos no preço do gás de botijão (2,0%), arroz (3,8%), feijão (3,3%), batata (7,3%) e carnes (5,6%). Já os reajustes das passagens aéreas (28,1%), dos transportes por aplicativo (13,2%) e da gasolina (1,5%) fizeram do grupo “transporte” o maior foco inflacionário para a classe de renda mais alta no mesmo período.
Quando se observa a variação acumulada em 2020, se comparada com a de 2019, os dados mostram que para as três faixas de renda mais baixa houve uma aceleração da inflação, enquanto que para as três classes de renda mais alta o ano passado proporcionou um alívio inflacionário. A diferença entre essas pressões pode ser explicada pelo peso das despesas com alimentos, energia e gás: elas comprometem 37% dos orçamentos mensais nas famílias mais pobres e 15% nas mais ricas. No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa teve elevação de 6,2%, o segmento de renda alta registrou uma taxa mais modesta (2,7%).
Em 2020, os itens que mais pesaram na cesta de consumo dos mais pobres foram arroz (76%), feijão (45%), carnes (18%), leite (27%) e óleo de soja (104%), além das tarifas de energia (9,2%) e do gás de botijão (9,1%). Por sua vez, no mesmo período, a parcela mais abastada da sociedade sentiu uma alta moderada de serviços livres, como mensalidades escolares (1,1%) e serviços médicos e hospitalares (14,8%), além de deflações em itens consumidos majoritariamente por esse grupo, como passagens aéreas (-17%), seguro de automóvel (-8%) e gasolina (-0,2%).

Um verdadeiro absurdo

De acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Economia, no exercício fiscal de 2019 o Brasil pagou, a título de despesas de juros nominais sobre a dívida pública, o total de R$ 367,3 bilhões – o que corresponde a 4,96% do PIB do país. Já no exercício de 2020, quando a taxa Selic alcançou 2,0% ao ano, o gasto desta mesma despesa atingiu R$ 312,4 bilhões, equivalente a 4,22% do PIB, o nível mais baixo já registrado.
Cabe salientar que as despesas totais com Pessoal e Encargos Sociais da União, em 2020, totalizaram R$ 321,35 bilhões e que o déficit da Previdência Social/RGPS totalizou, no mesmo exercício, a importância de R$ 269,8 bilhões.
Um verdadeiro absurdo, dinheiro público jogado literalmente no lixo em benefício apenas de alguns privilegiados.