A difícil recuperação de perdas
A difícil recuperação de perdas
A difícil recuperação de perdas
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Fernando Soares Rodrigues*

 

O primeiro trimestre deste ano servirá de teste para a difícil recuperação de perdas no mercado financeiro em relação a 2001. Ao encerrar o ano passado na faixa de 10%, a inflação derrubou a rentabilidade de todos os ativos financeiros mesmo com a taxa Selic tendo subido de 2% ao ano para 9,25% ao ano no período.

 

Neste ano, o maior desafio para se conseguir alguma rentabilidade ou perdas menores está posto para os investidores em cadernetas de poupança, a tradicional e mais popular forma de investimentos. As cadernetas devem render cerca de 6,17% ao ano correspondente a 0,5% fixo ao mês mais a TR. Essa rentabilidade líquida mal supera a inflação anual prevista pelo boletim Focus do Banco Central (BC) em 5,56% para este ano e com tendência de alta. E perde para atual Selic de 10,75% ano com previsão de alcançar 12,25% no final de 2022 segundo aquela pesquisa do BC realizada junto às 100 principais instituições financeiras.

 

Essa disparidade entre a remuneração da poupança e a taxa Selic deve estimular a busca na renda fixa pelos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e os fundos de investimentos financeiros DI, os que acompanham a alta dos juros. Os títulos do Tesouro Direto que acompanham a inflação e a taxa Selic são outras opções a considerar. É preciso ficar atento ao melhor período de resgate antes do vencimento.

Os investidores devem ficar atentos nessas opções às pesadas alíquotas do Imposto de Renda (até 22% nas aplicações por seis meses). Nos fundos de investimentos financeiros ainda ocorre de seis em seis meses, o acerto do IR denominado “come cotas”.

 

A alta expressiva da Selic nos últimos meses vem combatendo a inflação, mas sem eficácia elevada. O tradicional instrumento de política monetária não consegue conter a pressão dos preços dos combustíveis e dos principais produtos de consumo obrigatório. O barril do petróleo alcançou a faixa de US$ 90,00 e pode superar a faixa de US$ 100,00. O reflexo é imediato nos custos do transporte das principais mercadorias feito principalmente por rodovias.

 

Dólar aliviou

Ao recuar para menos de R$ 5,20 na segunda quinzena de fevereiro, o dólar comercial aliviou um pouco os preços dos combustíveis e de produtos que têm seus preços internos influenciados pelas commodities cotadas na moeda norte-americana.

 

Ao sair da renda fixa e poupança em busca de maior rentabilidade, o investidor enfrenta outros grandes desafios formados pela conjuntura econômico-financeira e política tanto interna como externa.

 

Fundos

Os fundos de ações, multimercados e imobiliários são algumas das opções mais analisadas.

 

Os fundos de ações são a entrada na bolsa de valores brasileira, a B3, para os investidores de pequeno porte. Os fundos de ações de baixo risco em geral aplicam nos papéis da carteira do Ibovespa com boas perspectivas de rentabilidade. Atualmente são as ações de bancos e companhias exportadoras. O Ibovespa com sua carteira de 93 ações recupera um pouco em 2022 as perdas do ano passado. Mesmo assim, mal consegue superar a faixa dos 110 mil pontos.

 

Perigo dos gastos

No cenário interno, a expectativa de elevação dos gastos públicos com a proximidade das eleições chega a superar as eventuais declarações fora de contexto do presidente Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes.

 

O presidente do BC, Roberto Campos Neto declarou que a liderança do ex-presidente Lula nas pesquisas de candidatos à Presidência da República não assusta ao mercado. Mas o teste principal a este respeito ocorrerá com a formação da equipe econômica preliminar do Lula e as linhas dos planos do candidato da oposição. Ainda deve ser considerado o histórico do candidato Lula que fala uma coisa e faz outra. Na sua primeira eleição, o dólar disparou e depois de se acomodou quando ele chamou por exemplo Henrique Meirelles para o BC, Roberto Rodrigues para o Ministério da Agricultura e o Palocci para o Ministério da Fazenda. Convocou lideranças de mercado para um governo supostamente de “esquerda”.

 

Quanto aos fundos multimercado, é preciso analisar bem a formação de suas carteiras quanto ao percentual de risco. Podem ocorrer ganhos mais expressivos do que os da renda fixa quanto perdas também.

 

Nos fundos imobiliários, os corretores só ressaltam as vantagens quanto ao aluguel tradicional de imóveis. Não abordam que o baixo crescimento deste ano – do PIB previsto para 0,30% segundo o boletim Focus, ou menos ainda segundo grandes bancos – reduz a procura de imóveis comerciais para alugar. Em São Paulo, como em todos o País, sobram imóveis comerciais para aluguel. Antes de aplicar num fundo imobiliário é preciso uma análise acurada de sua carteira de imóveis.

 

Inflação nos EUA

No cenário externo, a inflação recorde 7,5% ao ano alcançada pelos EUA preocupa. Pode obrigar o FED, o banco central norte-americano, a elevar os juros acima do previsto. A rentabilidade maior dos títulos americanos provoca no mundo todo a maior busca por aqueles investimentos. E a redução de investimentos em países menos desenvolvidos. Mesmo assim, o boletim Focus mantém em US$ 60 bilhões, a previsão de entrada de investimentos externos diretos no Brasil neste ano.

 

O superávit de US$ 63,53 bilhões na balança comercial para este ano pelo boletim Focus é outro fator de tranquilidade no câmbio. O dólar tem condições de terminar o ano na faixa de R$ 5,50 segundo o Focus. E cair para R$ 5,45 no próximo ano.

 

*Jornalista especializado em economia e finanças

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