A crônica de Lindolfo Paoliello
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A crônica de Lindolfo Paoliello
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Publicação tem autoria da professora Letícia Malard

A literatura de Lindolfo Paoliello completa 40 anos e para marcar a ocasião foi lançado um livro sobre a trajetória do autor. “A Crônica de Lindolfo Paoliello”, de autoria de Letícia Malard, professora emérita de Literatura Brasileira, mestra e doutora em Literatura, apresentado ao público em edição virtual do Sempre um Papo, e posterior lançamento presencial, na qual a autora e o homenageado foram saudados por Ângelo Oswaldo de Araujo Santos, prefeito de Ouro Preto e ex-secretário da Cultura de Minas Gerais.

A iniciativa é da Editora Del Rey, responsável por editar os cinco últimos livros do autor: Alma dos Anjos e Pura Emoção (1997), O Melhor da Crônica (2003), Prestígio (2018) e a segunda edição de O Melhor da Crônica, em versão virtual (2021). Há 40 anos era lançado o primeiro livro de Lindolfo Paoliello, “A Rebelião das Mal-Amadas”, pela saudosa editora Codecri, responsável também pelo jornal satírico O Pasquim.

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Para a autora Letícia Malard a edição de “A Crônica de Lindolfo Paoliello” é um complemento natural à publicação de suas crônicas, seus livros e as coletâneas das quais participou. “Faltava registrar em livro uma apreciação sobre sua visão de mundo, seu estilo, a sintaxe em sua narrativa, os traços marcantes de sua crônica. Aceitei com prazer o convite, por ser uma pessoa que prezo e admiro”, revela.

O homenageado vê o livro como uma reafirmação da sua fidelidade ao gênero literário, como o “recorrente entendimento da crônica como portal de entrada na literatura, assim como a exaltação às escolas de segundo grau, universidades e aos próprios jornais e revistas para prestigiarem a crônica, entendendo-a como gênero literário tão brasileiro quanto é o chorinho para a música. No decorrer do processo deflagrado na comemoração dos 40 anos de minha atividade literária observo que esse processo está sendo visto como uma afirmação não da minha obra, mas da própria crônica. A crônica vive em Minas!”, completa.

O início dessa longa trajetória literária foi em Cabo Frio (RJ). Em um fim de tarde, no início dos anos 80, Paoliello era um dos últimos a deixar a Praia das Conchas rumo à Praia do Peró para reencontrar a família. Caminhava sozinho e ocorreu pensar em que atividade deveria se concentrar como o legado de sua vida. “Eu estava no ponto alto de minha carreira como executivo de uma multinacional e aquele seria um caminho natural. Mas não. Escolhi a crônica: “vou me dedicar a cultivar a crônica, independente do que eu estiver fazendo”, decidiu.

Chegou a escrever por mais de 15 anos para o jornal Estado de Minas, no qual havia sido repórter de economia. Mas queria mais do que as crônicas diárias que acabam no esquecimento. O escritor relembra que alguém escreveu que o cronista “tem a responsabilidade de fixar aquilo que, um dia, foi presente” e viu nisso a responsabilidade de escrever para ficar.

A partir de então escreveu oito livros, posteriormente reunidos em uma coletânea e participou em três antologias. “Daí pode ter surgido a inspiração da Del Rey em convidar Letícia Malard para levar além o meu propósito de assegurar às minhas crônicas a perenizarão nos livros. Agora a varinha mágica dessa fada da literatura brasileira vai desvendar e manter vivo o espírito do cronista. Não poderia ser apresentado de forma mais bonita e mais digna o legado com o qual sonhei”, conclui Paoliello.

O cronista Lindolfo Coelho Paoliello, nascido em Ubá, Minas Gerais, tem os seguintes livros publicados: A Rebelião das Mal-Amadas, Editora Codecri, Rio, 1981; Nosso Alegre Gurufim, Editora Comunicação, Belo Horizonte, 1983; O Poeta Que Não Sou, Editora Lê, Belo Horizonte, 1986; O País das Gambiarras, Editora Record, Rio, 1987;Banquete dos Mendigos, Editora Oficina de livros, Belo Horizonte, 1982; Alma dos Anjos, Editora Del Rey, Belo Horizonte, 1997; Pura Emoção, Editora Dei Rey, Belo Horizonte, 1997; O Melhor, da Crônica, Ed. Del Rey, BH 2003.Segunda edição em e.book,2021; Prestigio-a Reputação Afirmando uma Instituição, Ed. Del Rey, BH, 2018.

Suas crônicas foram incluídas em três antologias: “Crônicas Mineiras”, Editora Ática, 1984, “As Cores das Palavras”, Editora UFMG, 1997, e “Crônicas Brasileiras”, University Press of Florida, Universidade da Flórida, 1994.

Destaca-se o fato deste autor ter levado a crônica ao público por todos os meios editoriais desde a primeira publicação, aos 20 anos, em 9 de abril de 1967, no Jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte. Publicou posteriormente em revistas; levou a crônica aos deficientes visuais pelo sistema Braille (As Cores das Palavras, Editora UFMG, 1997); na televisão, através do jornal MGTV,da Globo-Minas e fechou o ciclo com o rádio, através da minissérie A Crônica no Rádio/Boa Noite pra Você, realizada pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, em novembro de 2009.

Livros de Lindolfo Paoliello têm sido adotados pelos colégios Loyola, Dom Silvério e Promove e o livro Nosso Alegre Gurufim foi adotado no vestibular da PUC-MG. Pelo conjunto de sua obra, o cronista foi homenageado pela Rede Globo- Minas no projeto “Esses Mineiros” e pelo Ministério da Cultura, no lançamento de “O Melhor da Crônica”.

Por iniciativa do poeta Affonso Romano de Sant`Anna, então presidente da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, seus livros foram inseridos no acervo daquela biblioteca, abrindo a inserção de suas crônicas nas principais bibliotecas do Brasil.

Jornalista, graduado em Direito pela UFMG, Lindolfo Paoliello iniciou sua vida profissional como repórter de Economia do ESTADO DE MINAS, foi executivo da Fundação João Pinheiro e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Criou e dirigiu a área de Comunicação da Fiat Automóveis SA, tendo sido corresponsável pela formação da imagem institucional da Fiat no Brasil, tendo deixado aquela empresa para abrir seu escritório de consultoria de Comunicação que dirige há 34 anos. Foi professor de Comunicação da PUC-MG e de Marketing da Fundação Dom Cabral. É diretor de Relações Institucionais da CBL-Companhia Brasileira de Lítio e Associado da Fundação Dom Cabral, responsável pela sua atuação no Centro Oeste de Minas Gerais e na Região Central Mineira.

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