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Para aqueles que apostavam que a crise da dívida europeia tinha sido finalmente superada e que o Brasil sairia relativamente incólume desta turbulência, o agravamento da situação na Zona do Euro e as ondas de choque que já se fizeram sentir no país da presidente Dilma Rousseff constituem um desmentido contundente. Enquanto, no âmbito europeu, desdobra-se a crise, com o aprofundamento da corrida bancária contra os bancos gregos e espanhóis, a discussão aberta sobre a possível saída desordenada da Grécia da Zona do Euro, a fuga de capitais e a elevação desmedida dos juros dos títulos de dívida soberana, no Brasil já se assiste à queda dos preços das commodities exportadas, a reversão do fluxo de capitais e o secamento das fontes de financiamento externo, para não falar na drástica queda do ritmo de expansão da economia. Só resta saber qual será o tamanho do estrago causado pelo novo “choque” externo, assim como a reação da política econômica do governo brasileiro.

Embora iniciada na Europa, como desdobramento da crise do subprime, que eclodiu em setembro de 2008, com a quebra do banco de investimentos norte americano Lehman Brothers, a turbulência européia já contagiou a economia mundial, que se encontra em franco processo de desaceleração. Assim, enquanto a maioria dos países europeus caminha para a recessão, pressionados pela política medíocre de equilíbrio orçamentário, a economia dos EUA dá sinais de desaceleração, o mesmo ocorrendo com o atual carro chefe da economia mundial: a China. De fato, pelo sétimo mês consecutivo, o índice de gerentes de compra do HSBC ficou abaixo dos 50, o que caracteriza contração da atividade industrial. Pior ainda, o índice recuou de 49,3 em abril para 48,7 em maior, acompanhando os resultados fracos no âmbito do comércio exterior e do crédito bancário. Como resultado, as autoridades chinesas já falam num crescimento do PIB de somente 8,5% neste ano, o que, é bem verdade, ainda se trata de uma expansão vigorosa, embora longe do ritmo anual de 10% verificado antes de 2008. Mas mesmo essa taxa parece exagerada, pois o Banco Mundial acredita que o mesmo fiacrá em torno de 8,2%. Uma vez que os EUA, a Zona do Euro e a China respondem, conjuntamente, por 44% do PIB mundial, um arrefecimento do seu ímpeto expansivo repercute negativamente de forma muito sensível sobre o comportamento da economia internacional. Em particular, sofrem as commodities agrícolas e metálicas, cujos preços são muito influenciados pela conjuntura da economia global.

Com efeito, a mudança das expectativas ao nível mundial, com a ampliação do quadro de incerteza, já se refletiu na retração dos fundos de hedge, ou seja, de ativos de risco, que têm fugido das commodites agrícolas, com a queda das cotações do índice Dow Jnoes UBS, que está no seu pior momento desde inícios de dezembro do ano passado. Mais do que isso, os fundos estão reduzindo sua posição com­prada e aumentando sua posição vendida, numa mudança que poderá trazer uma nova e perigosa tendência à queda persistente dos preços desses produtos. Se isso efetivamen­te se materializar, haverá nova pressão contracionista sobre a economia internacional, desta feita oriunda de países como o Brasil, que têm escapado com pequenos danos da crise internacional em grande parte como resultado dos preços das commodities.

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Outra consequência da deterioração das expectativas foi o fechamento do mercado de crédito para as empresas dos países em desenvolvimento, inclusive para o Brasil. Assim, depois de quatro meses em que ingressaram US$ 27,5 bi­lhões em recursos correspondendo a capital de empréstimo, desde fins de abril, quando a Braskem e o Banco do Nor­deste captaram US$ 800 milhões no mercado externo, que nenhuma companhia brasileira conseguiu levantar mais nem um dólar no exterior. Caso essa situação persista por um pe­ríodo mais longo, certamente que haverá uma redução do nível dos investimentos das grandes empresas brasileiras, a não ser que consigam levantar junto ao BNDES o que deixa­rão de conseguir no mercado externo. Também se reverteu o fluxo de capitais de risco para a Bovespa, estimando-se em mais de US$ 1,0 bilhão as saídas líquidas em maio, o que, aliás, contribuiu decisivamente para que a bolsa brasileira re­cuasse para abaixo dos 55 mil pontos, o que agravou ainda mais o quadro de incerteza interno.

E como se não bastasse, a consequente valorização do dólar, que ultrapassou a “barreira” dos R$ 2,00, apesar de ser bem vinda pela indústria, na medida que favorece as exportações e encarece as importações, fragiliza as empre­sas brasileiras endividadas no exterior, enquanto alimenta o processo inflacionário. E isso num momento em que, em razão do casamento entre aumento da inadimplência e do clima de incerteza, se retraem as vendas de bens duráveis de consumo, particularmente de automóveis, a impactar ne­gativamente sobre a trajetória da economia brasileira. Aliás, o próprio governo, que apostara um crescimento do PIB de 4,5% ao ano, já fala em 3,0% como um bom número, o que significa que a expansão econômica do País provavelmente ficará bem abaixo desse número.

Enfim, contrariando os otimistas de plantão, a economia na­cional já sente na carne os efeitos da crise da dívida soberana europeia, sendo desejável que a presidente Dilma intensifique a política anti recessiva, ao mesmo tempo que tome medidas para equilibrar o balanço de transações correntes, cujo déficit só não é maior em razão da própria crise.

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