A Economia com Todas as Letras e Números

Só o crescimento salva o Brasil

02 Maio 2017

O Brasil foi um dos países que mais cresceram no século passado e, durante a sua 2ª metade, o crescimento vigoroso da economia nacional ficou conhecido como o “Milagre Brasileiro”. Em todo o século XX o PIB nacional registrou declínio em apenas 13 ocasiões. A título de ilustração, no período de 1957 a 1976, o PIB nacional contabilizou expansão média anual de 8% e, no acumulado, o aumento foi de 365%. Um dos efeitos mais diretos desta forte expansão da economia brasileira foi a significativa elevação dos níveis de urbanização do país. Em 1960, por exemplo e de acordo com o IBGE, a população brasileira era constituída por 70.070 mil habitantes – 39,8% dos quais, ou seja 27.888 mil pessoas, viviam em áreas urbanas.

 

Passados 50 anos e já em 2010, a população brasileira totalizou 195.498 mil habitantes – dos quais, 85,3% do total, ou seja, 166.760 mil pessoas habitavam áreas urbanas. Em síntese, durante apenas meio século, a população das áreas urbanas do país praticamente se multiplicou por seis.

 

Início este texto destacando a relevância de algumas frases do “Profeta do Desenvolvimento Brasileiro”, o ex-Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira – (1956/1961), com o objetivo de tê-las como contribuição a uma reflexão sobre a atual situação econômica brasileira e os destinos que desejamos trilhar:

 

-“Numa hora de desalento e desânimo, em que a situação do país nos coloca nas pontas deste dilema: progredir ou perecer – orgulho-me de ter desfraldado em nossa pátria a bandeira do desenvolvimento nacional, na mais perfeita vigência do regime democrático”.

 

-“Quando lancei, em meu Estado natal, como fulcro de um programa de governo, o binômio – energia e transporte, justifiquei essa decisão lembrando que os fatos estavam a evidenciar esta verdade: nenhum acelerado processo de desenvolvimento econômico se pode verificar em uma região a que faltem energia e transportes, ainda que nela ocorram, em abundância, matérias primas e outros recursos naturais, a par de uma população ativa e ordeira. A formação de riquezas e sua concentração em atividades industriais de alta produtividade só se podem efetuar rapidamente, depois que um povo consegue construir a infraestrutura de seus serviços básicos de energia e transportes”.

 

-“Devemos, é verdade, arrumar a nossa casa, mas incorreremos em desordem maior ainda se entravarmos o ritmo da nossa produção. Cabe ao governo praticar todos os atos que conduzem ao equilíbrio orçamentário. Importa combater o empreguismo no serviço público e, com isso, reduzir os gastos da administração. É o que tenho feito, na medida de minhas possibilidades. Só eu mesmo sei o quanto me tem custado contrariar a expansão de inúmeros fatores negativos da vida brasileira e reagir contra eles, sem provocar atropelos. O que, porém, (...) pretendo tornar bem claro é que, na luta contra a inflação, se inclui, como um dos elementos mais importantes, o aumento da produção nacional. Mais de um milhão de consumidores se incorpora todos os anos à nossa população, seja dos que aqui nascem, seja dos que adotam o nosso país como segunda pátria. Creio na capacidade de trabalho e de recuperação do Brasil. Creio na indústria de meu país e sei o quanto lhe devemos todos. Não haverá nada que me convença da conveniência de corrermos o risco de desestimular a produção, quando o crescimento do número de consumidores é contínuo e intenso. Nenhuma política econômica será bastante convincente para mim, ou conveniente para meu país, se não considerar a realidade positiva de que é necessário alimentar, vestir e amparar novos contingentes humanos que vêm ampliar nossa superfície demográfica. Aos que, de boa-fé, nos aconselham medidas de contenção indiscriminadas, peço que recordem as condições em que se operou o desenvolvimento de grandes nações e julguem se lhes foi possível vencer os obstáculos com que se defrontavam sem criar riqueza. Aos que pensam que o Brasil deve parar a fim de pôr a casa em ordem, respondo que nosso país deve arrumar a casa produzindo, trabalhando, exigindo de seus filhos um esforço mais racional e um maior rendimento de produção. Constituiu sempre uma das preocupações centrais de meu governo coordenar as medidas tendentes ao mesmo tempo a salvar a nossa moeda, estabilizar a vida econômica, encorajar o aumento da produção, jugular o surto inflacionário”.

 

-“É preciso não esquecer que o problema fundamental do Brasil e dos demais países insuficientemente desenvolvidos não consiste em apenas elevar o ritmo de crescimento. O que cumpre é estabelecer uma taxa mínima de crescimento, a ser observada em determinado período. Assim poderemos atingir um nível de renda per capita que permita o início de um processo cumulativo e autônomo de crescimento, com recursos do próprio país, e diminuir a distância que o separa das grandes potências econômicas, em termos de renda per capita”.

 

(Discurso proferido durante solenidade paraninfando os alunos dos Cursos de Análise Econômica do Conselho Nacional de Economia - Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1958).

 

-“Estamos avançados no sentido de nosso desenvolvimento material, mas somos forçados a reconhecer- nos ainda muito atrasados, principalmente em relação aos países de alto grau de industrialização. Uma análise comparativa de nossa marcha com a das nações desenvolvidas resultará em algo de inquietude. Devemos ter a ambição de não nos contentar com o que já fizemos, e o orgulho de não nos resignarmos a continuar em posição secundária. Na verdade, não se trata sequer de ambição ou orgulho. Creio que já existe, na consciência coletiva brasileira, a noção de que o nosso desenvolvimento é um imperativo de segurança nacional.

 

Temos de acelerar o passo, integrando-nos num ritmo de crescimento mais rápido. Cumpre-nos procurar, a todo o transe, o socorro da técnica moderna. Temos de ocupar, nos mapas econômicos e políticos, uma posição correspondente à nossa importância territorial e demográfica. A grande tese do nacionalismo brasileiro, a meta dos verdadeiros patriotas consiste em diminuir a margem imensa que nos separa dos povos que se elevaram à prosperidade. Esse ideal constitui, por outro lado, um objetivo de prudência neste mundo de dura competição”. – (Discurso proferido ao final do 3º ano de governo – 31 de janeiro de 1959).

 

-“Impõe-se, portanto, a conclusão de que, num país como o nosso, não somente as peculiaridades geográficas e humanas, mas também os dados acerca da evolução econômica indicam o desenvolvimento acelerado como o único caminho de salvação. Nenhuma política será legítima, se não objetivar, com caráter prioritário, o desenvolvimento. É esta uma diretriz que já nenhum governo poderá abandonar no Brasil”. (Conferência proferida no Clube Militar, sobre a política de desenvolvimento seu governo - Rio de Janeiro, 21 de julho de 1959).

 

-“Os que não se atualizam perdem a corrida da vida, que é a batalha contra o atraso, o retardamento, a conformidade, o subdesenvolvimento, a fome e a submissão, ou a dissolução; a batalha da mocidade dos povos contra as capitulações da desagregação e da miséria! Não digo novidade, acrescentando que também é a batalha da liberdade, como corolário da subsistência. Não julgamos assegurada a liberdade no continente, faltando-lhe a prosperidade. Não a consideramos garantida no Brasil, sem o desenvolvimento. Isto há três séculos reconhecia o pregador genial. É a palavra do Padre Antônio Vieira: ‘Não há mais cruel tirano que a pobreza e a necessidade’.” – (Discurso proferido durante a solenidade de reabertura dos cursos da Universidade do Brasil - Rio de Janeiro, 6 de março de 1960). De acordo com o IPEAData – órgão ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, durante os cinco anos de governo do presidente Juscelino Kubitschek - 1956/1961, o PIB-Produto Interno Bruto brasileiro cresceu, no acumulado, 47,5%. A taxa média anual de expansão foi de 8,1%.

 

A Agricultura brasileira, no período JK, contabilizou um resultado positivo de 20,3%, a Indústria, 61,0% e o Setor de Serviços, 37,5%. Trata-se, para qualquer época em que se queira analisar, de um robusto desempenho, comparável ao crescimento registrado na China e em alguns outros poucos países. Juscelino Kubitschek de Oliveira deve estar, literalmente, se mexendo no mausoléu do Memorial JK, em Brasília - onde encontram os seus restos mortais, tamanha que poderia ser a sua decepção com os resultados medíocres apresentados pela economia brasileira, cuja máquina do crescimento há muito está enferrujada e quebrada. No dia 7 de março último, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou os resultados relativos às contas nacionais de 2016, que apuraram uma queda do PIB-Produto Interno Bruno de 3,6% no ano.

 

O Brasil vem sendo acometido pela síndrome do raquitismo econômico e desaprendeu o que é crescer. Somente nestes últimos três anos – 2014 a 2016 – a economia brasileira já registrou retração acumulada de 6,77% no período- contra uma expansão média mundial de 10,02%. Isto é um verdadeiro desastre e só encontra paradigma em países vítimas de desastres naturais ou em situação de guerra.

 

Com esses resultados, conforme já havíamos previsto e divulgado em nossa edição anterior, o Brasil entrou em 2017 assumindo a perspectiva de quebrar outro recorde econômico histórico: será o 7º ano seguido de crescimento econômico inferior às taxas médias mundiais. E estas estimativas não se originam de estudos de analistas econômicos privados ou ligados a instituições financeiras: em 22 de março o próprio governo federal revisou os seus cálculos e passou a admitir uma expansão de apenas 0,5% do PIB para este ano (e, portanto, registrando uma renda per capita negativa de 0,30%). De acordo com projeções do FMI-Fundo Monetário Internacional a economia mundial deverá registrar, em 2017, uma expansão de 3,44% - enquanto a brasileira, o crescimento previsto para esse mesmo ano, é de 0,2%.

 

PIB BRASILEIRO RECUA 3,6% EM 2016 E FECHA ANO EM R$ 6,3 TRILHÕES – US$ 1,8 TRILHÃO. EM DOIS ANOS, A QUEDA CHEGA A 7,3% - SÓ COMPARÁVEL A PAÍSES EM SITUAÇÃO DE GUERRA

 

 

TAXA DE INVESTIMENTO (FBCF/PIB) 2016 = 16,4%

TAXA DE POUPANÇA (POUP/PIB) 2016 = 13,9%

 

Segundo o Relatório divulgado pelo IBGE, “em 2016, o PIB brasileiro caiu 3,6% em relação ao ano anterior, queda ligeiramente menor que a ocorrida em 2015, quando havia sido de 3,8%. Houve recuo na agropecuária (-6,6%), na indústria (-3,8%) e nos serviços (-2,7%). O PIB totalizou R$ 6.266,9 bilhões em 2016. O PIB caiu 0,9% no 4º trimestre de 2016 frente ao 3º trimestre, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. É o oitavo resultado negativo consecutivo nesta base de comparação. A agropecuária cresceu 1,0%, enquanto que a indústria (-0,7%) e os serviços (-0,8%) recuaram. Na comparação com o 4º trimestre de 2015, o PIB sofreu contração de 2,5% no último trimestre de 2016, o 11º resultado negativo consecutivo nesta base de comparação. Houve queda na agropecuária (-5,0%), na indústria (-2,4%) e nos serviços (-2,4%).

 

PIB CAI 0,9% EM RELAÇÃO AO 3º TRI DE 2016

A queda de 0,9% no 4º trimestre de 2016 resulta dos seguintes desempenhos: agropecuária (1,0%), indústria (-0,7%) e serviços (0,8%). Na indústria, houve crescimento de 0,7% na extrativa mineral. A indústria de transformação (-1,0%) e a construção (-2,3%) apresentaram queda. Já a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou variação negativa de 0,1% no trimestre. Nos serviços, todas as atividades apresentaram resultado negativo, especialmente os serviços de informação (-2,1%) e transporte, armazenagem e correio (-2,0%), seguidas por comércio (-1,2%), outros serviços (-0,9%), intermediação financeira e seguros (-0,7%), administração, saúde e educação pública (-0,6%) e atividades imobiliárias (-0,2%). Pela ótica da despesa, o consumo das famílias (-0,6%) caiu pelo oitavo trimestre seguido, e a formação bruta de capital fixo (FBCF) manteve resultado negativo (-1,6%). A despesa de consumo do governo (0,1%) manteve-se praticamente estável em relação ao trimestre imediatamente anterior.

 

EM RELAÇÃO AO 4º TRIMESTRE DE 2015, PIB RECUA 2,5%

Com a queda de 2,5% frente ao 4º trimestre de 2015, o valor adicionado a preços básicos caiu 2,3% e os impostos sobre produtos líquidos de subsídios recuaram em 3,3%. A agropecuária apresentou queda de 5,0% em relação a igual período do ano anterior. A indústria teve queda de 2,4%, sendo que a transformação também recuou 2,4% e a construção caiu 7,5%. Já a extrativa mineral se expandiu em 4,0% em relação ao quarto trimestre de 2015, puxada principalmente pelo crescimento da extração de petróleo e gás natural. A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou expansão de 2,4%. O valor adicionado de serviços caiu 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para a contração de 7,5% de transporte, armazenagem e correio e de 3,5% do comércio (atacadista e varejista). Também apresentaram resultado negativo as atividades de intermediação financeira e seguros (-3,4%), serviços de informação (-3,0%), outros serviços (-2,6%) e administração, saúde e educação pública (-0,7%). As atividades imobiliárias (0,1%) mantiveram-se praticamente estáveis no período. Pelo sétimo trimestre seguido, todos os componentes da demanda interna apresentaram queda, sendo que o consumo das famílias (-2,9%) apresentou a oitava queda seguida. Este resultado pode ser explicado pelo comportamento dos indicadores de crédito, emprego e renda ao longo do período. Já a formação bruta de capital fixo caiu 5,4%, a 11ª queda consecutiva. Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações de bens de capital e pelo desempenho negativo da construção neste período. A despesa de consumo do governo variou negativamente em 0,1% em relação ao quarto trimestre de 2015.

 

 

PIB TEM QUEDA DE 3,6% EM 2016

Em 2016, o PIB sofreu contração de 3,6% em relação a 2015. Essa queda resultou do recuo de 3,1% do valor adicionado a preços básicos e da contração de 6,4% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: agropecuária (-6,6%), indústria (-3,8%) e serviços (-2,7%). O PIB per capita teve queda de 4,4% em termos reais, alcançando R$ 30.407. O PIB per capita é definido como a divisão do valor corrente do PIB pela população residente no meio do ano.

 

 

O decréscimo da agropecuária em 2016 (-6,6%) decorreu, principalmente, do desempenho da agricultura. Na indústria, o destaque positivo foi o desempenho da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que cresceu 4,7% em relação a 2015. A indústria de transformação teve queda de 5,2% no ano. A construção sofreu contração de 5,2%, enquanto que a extrativa mineral acumulou recuo de 2,9%, influenciada pela queda da extração de minérios ferrosos. Dentre as atividades que compõem os serviços, transporte, armazenagem e correio sofreu queda de 7,1%, seguida por comércio (-6,3%), outros serviços (-3,1%), serviços de informação (-3,0%) e intermediação financeira e seguros (-2,8%). As atividades imobiliárias variaram positivamente em 0,2%, enquanto que a administração, saúde e educação públicas (-0,1%) ficou praticamente estável em relação ao ano anterior. Na análise da despesa, pelo terceiro ano seguido houve contração da FBCF (-10,2%). Este recuo é justificado pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo recuo da construção. A despesa de consumo das famílias caiu 4,2% em relação ao ano anterior (quando havia caído 3,9%), explicado pela deterioração dos indicadores de juros, crédito, emprego e renda ao longo de todo o ano de 2016. A despesa do consumo do governo, por sua vez, caiu 0,6%, ante uma queda de 1,1% em 2015. Já no setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 1,9%, enquanto que as importações de bens e serviços caíram 10,3%.

 

PIB ATINGE R$ 6,3 TRILHÕES - US$ 1,8 TRILHÃO EM 2016

O Produto Interno Bruto em 2016 totalizou R$ 6.266,9 bilhões – (correspondente a US$ 1.799,44 trilhão). A taxa de investimento no ano de 2016 foi de 16,4% do PIB, abaixo do observado no ano anterior (18,1%). A taxa de poupança foi de 13,9% em 2016 (ante 14,4% no ano anterior)”.

 

 

País que não cresce é país condenado ao atraso, empobrecimento e ao subdesenvolvimento. Deixamos de ser emergentes e o ananismo econômico vigora e virou modelagem para a nosso crescimento econômico. Nestes últimos seis anos o Brasil está registrando a maior calamidade de sua história econômica. Nunca se destruiu tantos valores. Vamos aos exemplos. De 2011 a 2016 – período do 1º e 2º mandato de Dilma Rousseff, o país contabilizou uma retração acumulada da renda per capita de 3,52%.

O PIB per capita médio anual ficou negativo em 0,55%. Nesse mesmo período, a expansão média anual do PIB brasileiro ficou em 0,34% - contra 3,45% apurados em relação à média mundial. Enquanto a economia mundial neste período avançou, no acumulado, 22,59% - de acordo com estatísticas do FMI-Fundo Monetário Internacional, a brasileira conseguiu expandir-se em ridículo 1,77% - uma diferença de 20,8 pontos percentuais ocorrida durante apenas seis anos. E isso acontece justamente num país que deveria estar entre as lideranças do crescimento econômico mundial, a exemplo de seus parceiros do BRICS China e Índia. É interessante observar que em 1995, analisada em dólares americanos correntes, a economia brasileira superava a chinesa. À época, enquanto o Brasil possuía um PIB equivalente a 2,55% do total mundial, a da China representava 2,37%. De acordo com projeções do FMI, em 2020 a economia chinesa atingirá uma participação global de 17,58% - contra apenas 2,37% da brasileira – percentual inferior àquele de 25 anos atrás. Desde 1995 – quando se implantou o Plano Real e já considerando as projeções para 2017, somente em 6 oportunidades (anos de 1995, 2002, 2004, 2007, 2008 e 2010) a taxa de crescimento do PIB brasileiro conseguiu superar a média mundial. Nesse período, enquanto a taxa média anual de crescimento da economia brasileira foi de 2,35%, a mundial teve desempenho bem mais expressivo, de 3,7%. No acumulado do período, o PIB brasileiro contabilizou expansão de 54,14%, contra 88,75% registrados no âmbito mundial. Em 2016 o Brasil contabilizou a 5ª maior retração econômica entre todos os países e, consideradas as estatísticas divulgadas pelo FMI para este século, cabe destacar que o desempenho da economia brasileira foi um dos menos expressivos de todo o mundo, tendo expandido o seu PIB em níveis inferiores à média mundial, da América Latina, do BRICS e dos países considerados emergentes, dos quais faz parte. Assim, por exemplo, enquanto a taxa média de crescimento anual da economia mundial foi de 3,71%, a brasileira situou-se em 2,46% - tendo sido verificado no acumulado do período de 2001 a 2016 um aumento de 80,5% na média global, contra 46,4% do Brasil. A renda per capita dos brasileiros experimentou outro forte recuo no ano passado: 4,36% - reduzindo-se a US$ 8.730,80 - recuando ao nível do ano de 2008, quando alcançou US$ 8.840,00.

 

 

A balança comercial brasileira obteve, em 2016, um superávit de US$ 47,68 bilhões, o mais expressivo de sua história, tendo as exportações atingido US$ 185,24 bilhões – queda de 3,09% quando comparado com o ano anterior. Já as importações registram expressiva queda de 19,78% e totalizaram US$ 137,55 bilhões. Os principais parceiros do comércio brasileiro foram: China (18,12%), Estados Unidos (14,55%) e Argentina (6,97%) e o maior superávit comercial ocorrido foi a China, no valor de 11,97 bilhões.

 

Em 2016 o Brasil registrou no balanço de transações correntes déficit de US$ 23,8 bilhões (1,30% do PIB), o menor para o ano desde 2007. O gráfico aqui registra o expressivo ajuste realizado nas contas externas. Os ingressos líquidos dos investimentos diretos no país totalizaram US$ 78,9 bilhões (4,37% do PIB) recorde histórico em relação ao PIB – sendo mais que suficientes, portanto, para cobrir o déficit em transações correntes. Nota-se que o IDP segue em patamar historicamente elevado e tem se mostrado resiliente, o que demonstra apetite externo por investimentos no Brasil, apesar das crises econômica e política. A entrada de Investimento direto no país (IDP) em 2016 é a maior desde 2014 e mais do que suficiente para financiar o déficit em transações correntes. O IDP segue em patamar historicamente elevado e demonstra apetite externo por investimentos no Brasil, apesar da crise.

 

As reservas internacionais totalizaram US$ 372,2 bilhões no conceito liquidez em dezembro, aumento de US$ 3,482 bilhões em relação ao ano anterior. Em 2016, retornaram liquidamente ao Banco Central US$ 5,1 bilhões em operações de linhas com recompra, a receita de juros que remunera a carteira de reservas atingiu US$ 3,0 bilhões, as variações por preço contribuíram para elevação do estoque em US$ 429 milhões, enquanto aquelas por paridade ajudaram a reduzir as reservas em US$ 1,3 bilhão. A posição da dívida externa bruta estimada ao final de 2016 totalizou US$ 319,75 bilhões, redução expressiva de US$ 15 bilhões em relação ao montante de 2015. A dívida externa estimada de longo prazo atingiu US$ 265,4 bilhões, redução de US$ 6,9 bilhões, enquanto o endividamento de curto prazo somou US$ 54,4 bilhões, aumento de US$ 3,3 bilhões no mesmo período. Nota-se que a dívida externa é inferior ao estoque de reservas, tornando o país credor externo em US$ 52,4 bilhões em dezembro, contra US$ 33,99 bilhões em 2015 (não considerando os saldos dos créditos brasileiros no exterior e haveres de bancos comerciais. Além disso, a dívida de curto prazo é relativamente pequena, importante fator em momentos de crise e volatilidade. Tais características são positivas, indicando que a dívida externa é administrável e evitam um stress ainda maior em momentos de forte aversão ao risco.

 

CRÉDITO BANCÁRIO RETRAIU 10,1% EM 2016

Pode-se afirmar que o crédito bancário concedido no Brasil está estatizado, pois 56,06% do total origina-se de instituições financeiras. O crédito bancário no Brasil encolheu 10,1% em termos reais, na comparação do saldo total de crédito em dez/16 com dez/15. A contração deve-se tanto ao desempenho do crédito com recursos livres (-11,5%) quanto direcionados (-8,8%). Em porcentagem do PIB, o crédito atingiu 49,3%, o menor valor desde nov/12. A maior derrocada ocorreu no crédito a Pessoas Jurídicas que atingiu 24,6%, menor valor desde out/11. Em relação às Pessoas Físicas, atingiu 24,7%, menor valor desde nov/14. A queda do crédito direcionado a Pessoas Jurídicas, com redução do balanço do BNDES, foi especialmente importante para a contração do crédito a PJ (retração de 2,1 pp em um ano).

 

De acordo com o Banco Central do Brasil, em 2016 a taxa de juros média anual incidente nas operações de crédito e financiamentos praticada pelas instituições financeiras no país foi de 32,8% ao ano – representando um spread bancário de 23,8 pontos percentuais. A inadimplência média nacional das operações de crédito foi de 3,7% (3,5% nas Pessoas Jurídicas e 4,0% nas Pessoas Físicas. Apesar dos dados consolidados do ano que passou, a sinalização para 2017 é mais alentadora. Já se começa a perceber quedas menores das concessões e taxas de juros menores – com poucos reflexos, apesar das quedas da taxa Selic terem começado a aparecer de maneira mais intensa. Com a continuidade do ciclo de queda da taxa de juros básica, espera-se que o mercado de crédito deverá mostrar resultados positivos ao longo de 2017, mesmo que ainda modestos. A recuperação do crédito deverá auxiliar na recuperação da atividade econômica, como indicam o gráfico aqui a seguir apresentado.

 

 

 

A participação do Setor de Serviços na economia brasileira atingiu 73,3% em 2016 – quase 10 pontos percentuais a mais que os 64,7% de 2004. Esse resultado ocorreu, em boa parte, à custa da indústria de transformação, que registrou redução de 17,8% em 2004 para 11,7% no ano passado. O peso dos serviços no valor adicionado, que já era considerado elevado, subiu para um nível bem acima de outros países emergentes. Na China, a participação do Setor de Serviços no PIB é próxima de 50% e, no Chile, é quase 64%; na Índia, 45%. Pode ser tido como normal o segmento de serviços apropriar ganhos e maiores participações no PIB – em países desenvolvidos essa fatia chega 75% a 80% (casos dos Estados Unidos, Reino Unido e França. A dúvida é que o processo no Brasil estaria ocorrendo prematuramente, considerado o atual nível de renda per capita do país. Um dos problemas é que boa parte das atividades de serviços têm baixa produtividade, enquanto a indústria tem ganhos de eficiência e produtividade maiores. Cabe salientar que na maior parte dos serviços inexiste espaço para a competição com importados. Como esse segmento tem grande peso na formação do valor adicionado, acaba por puxar para baixo a produtividade média do país. A taxa de investimento na economia brasileira registrou, em 2016, o pior desempenho em, pelo menos, 20 anos. O resultado de 16,4% do PIB – redução de 10,2% em relação ao ano anterior, foi o menor da série histórica, iniciada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A taxa de investimento é considerada um elemento indispensável e crucial para se analisar ou considerar as perspectivas de crescimento da economia. Já são 11 trimestres consecutivos de retração na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Relativamente ao volume investido pelas estatais federais e União registra-se, ademais, forte retração durante os últimos três anos decorrente, principalmente, da expressiva redução das despesas da Petrobras: o total investido caiu de R$ 173,3 bilhões em 2013 para R$ 118,8 bilhões em 2016.

 

 

 

BRASIL NA RABEIRA DO MUNDO EM 2017

Apesar de o governo federal ter anunciado a revisão das estimativas do PIB deste ano – reduzindo-as de uma expectativa de crescimento de 1% para 0,5% (a previsão do FMI é de um crescimento do PIB brasileiro em apenas 0,2%), vários economistas estão afirmando que a recessão brasileira está no fim e o pior está ficando para trás. Mesmo assim e de acordo com a mediana das previsões de crescimento econômico para 36 países, estudo da Bloomberg revela que o Brasil crescerá só 0,8% neste ano. Este resultado é considerado o pior desempenho entre os países analisados, empatado com a Itália e melhor apenas que o da Venezuela, que deverá ter retração de 2,5%. Segundo as projeções divulgadas pela Bloomberg, o crescimento econômico brasileiro deve continuar muito abaixo de vários outros países emergentes em 2017, como é o caso da Índia (7,4%), China (6,5%) e dos vizinhos Argentina (3%) e Colômbia (2,4%).

 

 

SEM CRESCIMENTO VIGOROSO AS INCERTEZAS SERÃO INÚMERAS E O FUTURO, INCERTO

Não basta nem é suficiente apenas a estabilização de preços e existem inúmeros exemplos nesse sentido, como o de Portugal, durante o período do governo de Antônio Oliveira Salazar, de julho de 1932 a setembro de 1968. Volto a insistir em três pontos que considero essenciais:

 

1 - A instabilidade e a crise brasileira têm levado a política econômica a uma postura eminentemente imediatista, onde a busca da estabilização ofusca todos os problemas de médio e longo prazos. A obsessão pelas questões conjunturais retira da economia qualquer referencial, qualquer norte. A maior parte da energia social esgota-se na persecução do equilíbrio das contas públicas e da redução dos índices da inflação.

 

2 - Só o crescimento torna plástica a economia, criando condições para que as ações conscientes e deliberadas do Governo e da Sociedade possam atuar no rumo da atenuação dos problemas sociais e da desconcentração da renda de um lado, e da modernização do aparelho produtivo, de outro. A estagnação da economia enrijece-a, afastando a possibilidade de modificações em sua estrutura e em seu conteúdo.

 

3 - Desenvolver ações de cunho compensatório e assistencialista atenua, momentaneamente as carências mais imediatas, mas não resolve de maneira definitiva os problemas sociais. Há que se conceber uma política de estado de redistribuição efetiva de renda permanente, acoplada ao crescimento consistente, contínuo, vigoroso e sustentável da economia. Sem crescimento econômico as esperanças se perdem e o futuro, torna-se absolutamente incerto. Conforme já mencionado, já há mais de três décadas contínuas as nossas políticas econômicas se restringem quase basicamente à busca permanente e obsessiva pela estabilização de preços e cujos ingredientes essenciais têm resultado numa brutal carga tributária, exorbitante taxa real de juro básico e baixos níveis de investimentos. De outro lado, as despesas públicas se exponenciam, gerando déficits e mais déficits, o que resulta no aumento da dívida pública. Nesse sentido, não seria adequada a propugnação apenas de uma reforma, é preciso empreender uma verdadeira revolução tributária, além de outras, para o encontro do desenvolvimento que a Nação requer abraçar. O desenvolvimento é o único caminho, a nova bandeira, a saída para a perspectiva perdida, desanimada e desesperançada. E, nesse sentido, uma constituinte revisionista exclusiva alicerçaria a direção para as novas bases da prosperidade nacional. O modelo, até aqui e presentemente insistido, está esgotado. Quando o denominador é baixo, todo numerador costuma ser alto. Quando as receitas são baixas, todas despesas costumam ser elevadas. Arthur Laffer – (Curva de Laffer (comprovou que quanto mais elevada a carga tributária, menor será a receita tributária e, há muito, já ultrapassamos os limites do bom-senso em relação à “des-carga” tributária praticada no país. É a cobra devorando a própria cauda, é o remédio sendo usado como veneno e que, ao invés de curar, simplesmente mata o paciente. O foco precisa ser redirecionado para o âmbito das receitas e isto significa, enfim, retomar o crescimento econômico, com a ampliação real do PIB-Produto Intern Bruto do País.

 

O crescimento econômico vigoroso, contínuo, consistente e sustentável deve urgentemente ser colocado como a meta primeira e prioritária do Brasil. Transformar o Brasil em Nação Desenvolvida – esta deve ser a nossa bandeira e visão de futuro, uma decisão imediata e inadiável por mais tempo. Se não as iniciarmos já nos restará, tão-somente, o consolo do atraso e com o qual também chegará, inevitavelmente, a desordem institucional atrelada a ameaças à nossa democracia. Não podemos aceitar que o Brasil seja condenado ao atraso e subdesenvolvimento.

 

 

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