Seu Dinheiro

Poupar para não ser explorado

21 Maio 2018

O início da campanha eleitoral deve aumentar a turbulência nos tribunais superiores e no mercado financeiro especialmente na bolsa de valores. O excesso de candidatos à Presidência da República e o desconhecimento de seus planos e tendências políticas verdadeiras
aumentam as incertezas em um dos poucos países do mundo em que o debate ideológico continua bastante acirrado.
 
No PT, principal partido brasileiro de esquerda, continuam válidas as antigas práticas do mais célebre ditador russo do século passado, Stálin, para quem tudo era perdoado e possível de ser praticado desde que fosse benéfico à ditadura do proletariado, o arremedo de comunismo de então. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas foram sacrificadas porque não se ajustaram às diretrizes do partido comunista russo da era de Stálin.
 
O cenário de turbulência no Brasil ficou mais explícito após o aumento da relevância que se conferiu ao Supremo Tribunal Federal no primeiro trimestre e a condenação em segunda instância e a prisão de Lula, o então candidato líder nas pesquisas eleitorais. Por esses motivos fatores econômicos importantes foram relegados a segundo plano.
 
PARAÍSO DOS BANCOS
 
Altamente concentrado e, portanto, sem concorrência, o setor bancário consegue obter o máximo de proveito do cenário econômico-financeiro caracterizado por inflação e juros básicos em baixa, aumento da liquidez em R$ 25 bilhões por parte do Banco Central
(BC) ao reduzir os recolhimentos compulsórios que incidem sobre os depósitos à vista e a prazo e outros fatores de estímulo à redução do custo do dinheiro.
 
Os bancos, que oferecem remuneração cada vez menor nos ativos de renda fixa que administram, cobram juros nos empréstimos ainda maiores. Enquanto as cadernetas de poupanças rendem entre 0,39% e 0,5% ao mês, e os fundos de investimentos financeiros e Certificado de Depósitos Bancários (CDBs) apenas um pouco mais deduzidos o Imposto de Renda e as taxas de administração, os bancos chegam a cobrar 15% de juros ao mês no cheque especial e cerca de 330% ao ano no rotativo de cartões de crédito. Não é de se assustar então com as pesquisas que mostram o crescimento dos spreads bancários, a diferença entre os bancos pagam aos investidores e as taxas de que cobram nos empréstimos.
 
Poupar dinheiro no Brasil tornou-se uma necessidade para as pessoas. Trata-se de uma defesa contra a exploração do sistema bancário. O pior é que o número de endividados em atraso supera a faixa de 50 milhões de pessoas.
 
Alguns bancos, com um de origem mineira, não dão folga aos aposentados e pensionistas do INSS. Seus “consultores” chegam ligar duas a três vezes ao dia para os aposentados do INSS que ainda não tomaram o consignado oferecendo crédito e de maneira inclusive ilegal, pois falam que estão ligando para oferecer o crédito liberado pelo instituto de previdência.

CRESCIMENTO LENTO

Um dos grandes destaques positivos para quem conviveu, em passado recente, com a hiperinflação foi a queda do IPCA de março passado para 0,09% reduzindo a inflação oficial do País acumulada nos 12 meses anteriores para 2,68%, bem abaixo da meta de 4,5%
para o ano fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O juro real (taxa Selic menos inflação projetada para os próximos 12 meses) recuou para cerca de 2,5% ao ano, o menor percentual dos últimos tempos. Trata-se de uma taxa ainda muito atrativa internacionalmente, pois o juro básico americano situa-se abaixo dos 2% ao ano, oscilando entre 1,5% e 1,75% ao ano.
 
Antevendo esse recuo da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu os juros básicos da economia, a Selic para 6,5% ao ano até abril.
 
Segundo o boletim Focus do BC do início de abril, a Selic pode terminar 2018 no patamar de 6,25% ao ano e subir para 8% ao ano ao final de 2019, quando se projeta IPCA na faixa de 4%. A partir do segundo semestre deste ano, os ativos com rentabilidade pós-fixada ficarão mais atrativos.
 
A queda dos juros e da inflação pode ser debitada em larga escala à correta atuação do BC. Mas não se pode esquecer que a reação da economia foi mais lenta do que o esperado no primeiro trimestre, diante de um batalhão oficial de cerca de 13 milhões de desempregados
e outros milhões de pessoas no desalento (que já não procuram emprego) ou que sobrevivem de trabalho informal ou à custa de rendas de parentes e amigos, etc.
 
A pesquisa do boletim Focus reduziu em abril para 2,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, apesar de o novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia achar possível o alcance de 3% ao final de 2018. Para 2019, a projeção é de crescimento de 3%.
 
O percentual de pobreza absoluta subiu mais de 1,5 milhão. Em Estados com Rio de Janeiro e Minas, milhares de funcionários públicos e militares são obrigados a cortar suas despesas básicas ou deixar de honrar compromissos diante dos atrasos e escalonamento nos seus salários e pensões.
 
No governo Temer, o Brasil consolidou assim um crescimento expressivo da economia sob o comando do então ministro Henrique Meirelles, que deixou o cargo para tentar ser candidato à Presidência da República. O crescimento que começou com o percentual de 1% de crescimento do PIB no ano passado, é insuficiente, no entanto, para a recuperação mais rápida das perdas ocorridas durante o governo Dilma Rousseff.

CENÁRIO EXTERNO

O comportamento do dólar e das contas externas do País está bom, mas sempre dependente do cenário externo, principalmente do governo dos EUA.

O boletim Focus prevê dólar comercial a R$ 3,30 no final deste ano e a R$ 3,39 ao término de 2019. O Brasil deve terminar 2018 com superávit comercial de US$ 55 bilhões. Para o término de 2019, essa diferença entre as exportações e importações deve alcançar US$
57 bilhões.
 
O déficit nas contas externas deve fechar este ano em US$ 25 bilhões e terminar 2019 em US$ 39 bilhões. Esse déficit será facilmente coberto com o ingresso de US$ 80 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2018. No próximo ano é previsto o ingresso de US$ 80 bilhões também. Diante desse cenário não é previsto uma disparada nas cotações do dólar. Aplicar recursos em fundo cambial é então uma aplicação de risco.
 
Mesmo com a alta de 0,91% do dólar no primeiro trimestre, o ouro negociado como ativo financeiro na B3, o novo exótico nomes da BM&F Bovespa, alcançou valorização de 6% no primeiro trimestre. Pesou mais a valorização do metal no mercado dos EUA.
 
As turbulências nos cenário interno e externo dificultam projeções sérias sobre o comportamento da bolsa brasileira. No primeiro trimestre, o Ibovespa acumulou alta de quase 10%. Agora até o final do ano e a definição dos planos do presidente a ser eleito, a bolsa brasileira pode ficar sujeita a grandes oscilações.
 
O mercado acredita que o cenário não é de todo ruim, porque não prevê a vitória de um candidato de esquerda radical, após a prisão de Lula e seu previsível afastamento da disputa.
 
Ações de bancos com seus lucros exorbitantes devem ser avaliadas, sempre com a ajuda de analistas de investimento experientes e de confiança.
 
 

 

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