Debate Econômico

PIB de Minas Gerais teve uma das maiores quedas da história recuo de 4,3 por cento em termos reais e atingiu cerca de R$ 160 bilhões em 2015

21 Dezembro 2017

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

Bacharel em Administração, Ciências Contábeis e Econômicas. Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de Minas. Presidente/Editor-Geral de MercadoComum

AGORA É OFICIAL:

PIB de Minas Gerais teve uma das maiores quedas da história – recuo de 4,3% em termos reais e atingiu cerca de R$ 160 bilhões em 2015

Em 2015, PIB cai em todos os estados pela primeira vez em 14 anos

A queda de 3,5% no PIB nacional em 2015 se repetiu em todos os estados do Brasil, além do Distrito Federal. Os dados são das Contas Regionais, divulgadas em 16 de novembro pelo IBGE. A queda simultânea em todas as unidades da federação é algo inédito na pesqui-sa, que tem sua série histórica iniciada em 2002.

“Esse resultado de queda de todas as unidades da federação ainda não tinha sido visto, inclusive por nenhuma série já estimada pelo IBGE antes disso. É um resultado inédito que afeta todos os estados da federação”, explicou o gerente das Contas Regionais, Frederico Cunha.

De acordo com o IBGE “a unidade da federação que teve o melhor desempenho em 2015 foi o Mato Gros-so do Sul, que registrou redução de 0,3% no volume de seu PIB, em parte pelo bom ano da agropecuária local, que cresceu 10,1% neste período. Os setores de Indústria (-4,4%) e Serviços (-1,6%), no entanto, derrubaram decisivamente a taxa no estado.

'Os estados que tiveram melhor resultado foram bastante influenciados pela agropecuária. O que pesou negativamente foi a indústria de transformação, o comércio e a construção civil. Todas essas atividades tiveram quedas expressivas'. acrescentou Frederico.

Já o Amapá foi o estado com a redução mais acentuada em seu PIB, com taxa de -5,5%. As principais contribuições negativas foram dos setores de Indústria (-16,9%) e Serviços (-4,1%). Eles foram puxados para baixo, principalmente, pelas atividades de Construção (-17,9%) e de Comércio, manutenção e reparação de veículos automotores e motocicletas (-14,5%)”.

SUDESTE MANTÉM TENDÊNCIA E PERDE 0,9% DE PARTICIPAÇÃO NO PIB EM 2015

O estudo do IBGE revela que “a região Sudeste manteve a tendência registrada nos últimos anos e perdeu 0,9% de participação no PIB do Brasil em 2015, ficando em 54%. A queda acumulada desde 2002 é de 3,4 pontos percentuais (p.p), enquanto Norte (0,7 p.p.), Nordeste (1,1 p.p), Centro-oeste (1,1 p.p.) e Sul (0,6 p.p.) ganharam espaço.

A manutenção dessa tendência em 2015 aconte-ceu mesmo com uma leve recuperação de espaço por parte de São Paulo, de 32,2% em 2014 para 32,4%. Rio de Janeiro (de 11,6% para 11%), Minas Gerais (de 8,9% para 8,7%) e Espírito Santo (de 2,2% para 2,0%), entre-tanto, perderam participação no mesmo período.

ntre 2002 e 2015, a queda se concentrou em dois estados da região Sudeste: de 34,9% para 32,4% em São Paulo; de 12,4% para 11%, no Rio de Janeiro. Minas Gerais e Espírito Santo, inclusive, registram au-mento na participação em relação a 2002: de 8,3% para 8,7%, no primeiro, e de 1,8% para 2,0%, no segundo.

Pela primeira vez na série histórica iniciada em 2002, houve queda no volume do PIB de todas as uni-dades da federação em 2015, com Mato Grosso do Sul (-0,3%), Roraima (-0,3%) e Tocantins (-0,4%) com os me-lhores resultados, enquanto Amapá (-5,5%), Amazonas (-5,4%) e Rio Grande do Sul (-4,6%) tiveram as reduções mais acentuadas. Neste ano, apenas cinco estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná) foram responsáveis por 64,7% do PIB nacional. Entre 2002 e 2015, os maiores crescimentos acumulados são de Tocantins (112,1%), Mato Grosso (101,8%), Piauí (84,4%), Acre (81,2%) e Rondônia (79,4%). O maior PIB per capita foi o do Distrito Federal (R$ 73.971,05), en-quanto o Maranhão teve o menor (R$ 11.366,23).

Embora tenha aumentado sua participação em 0,2 p.p. em relação a 2014, São Paulo é o estado com a maior perda acumulada neste aspecto entre 2002 e 2015: 2,5 p.p., dos 34,9% em 2002 para os 32,4% de 2015.

MATO GROSSO DO SUL TEVE MENOR QUEDA EM VOLUME EM RELAÇÃO A 2014 (-0,3%)

Em 2015, o PIB nacional variou -3,5% em vo-lume, com quedas em todas as unidades federativas, algo inédito na série iniciada em 2002. O Mato Grosso do Sul, por sua vez, foi a unidade da federação que teve a menor redução, com -0,3%. Boa parte deste resultado da economia sul-mato-grossense deve-se ao desempenho positivo da Agropecuária (10,1%). Roraima (-0,3%), Tocantins (-0,4%), Pará (-0,9%) e Distrito Federal (-1,0%) também tiveram desem-penhos melhores que o nacional (-3,5%). Por outro lado, Amapá (-5,5%), Amazonas (-5,4%), Rio Grande do Sul (-4,6%), Minas Gerais (-4,3%) e Goiás (-4,3%) tiveram as quedas mais acentuadas, com contribuição importan-te das atividades dos setores de Indústria e Serviços.

Cinco estados concentravam 64,7% do PIB em 2015

Os cinco estados com maior participação no PIB do país em 2015 - São Paulo (32,4%), Rio de Janeiro (11,0%), Minas Gerais (8,7%), Rio Grande do Sul (6,4%) e Paraná (6,3%) - concentravam 64,7% da economia bra-sileira, 0,2 p.p. menos que em 2014. Essa redução de-veu-se sobretudo a Rio de Janeiro e Minas Gerais, que registraram queda neste aspecto.

PIB PER CAPITA DO DISTRITO FEDERAL FOI CERCA DE 2,5 VEZES O DO BRASIL EM 2015

Por unidade da federação, o maior PIB per capita continua sendo o do Distrito Federal, com o valor de R$ 73.971,05, cerca de 2,5 vezes maior que o PIB per capita do País. Os outros maiores PIB per capita são, na ordem, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Estes estados não mudaram suas posições no ranking em relação a 2002. O Mato Grosso foi o estado que mais avançou sua posição na série, passando de 11º em 2002 para 7º em 2015.

Por outro lado, Maranhão (27º) e Piauí (26º) foram os menores neste aspecto em 2015. Ao longo da série, es-tes dois estados alternaram posições, mas nunca deixaram de ter os menores resultados. Porém, em 2002, o PIB per capita de ambos era cerca de 30% do PIB per capita do Brasil e, em 2015, alcançaram o patamar de 40%. Assim, Maranhão e Piauí conseguiram reduzir a distância entre seus PIB per capita e o nacional.

O Piauí foi o estado em que o valor do PIB per capita mais cresceu dentre todos as unidades da fede-ração, aumentando cerca de 5 vezes entre 2002 e 2015 (R$ 2.440,70 para R$ 12.218,51). O Maranhão também se destacou neste quesito, crescendo cerca de 4,2 vezes. Outros estados que se destacaram no crescimen-to em valor do PIB per capita ao longo da série foram Tocantins, que cresceu 4,4 vezes e Rondônia, Pará e Ceará, que aumentaram cerca de 4 vezes.

Tocantins foi o estado que mais cresceu em vo-lume do PIB entre 2002 e 2015

Na série entre 2002 e 2015, o PIB em volume do Brasil cresceu a uma média de 2,9% ao ano (a.a.). O estado que mais cresceu foi Tocantins, com média de 6,0% a.a., seguido por Mato Grosso com 5,5% e Piauí com 4,8% a.a.. Em Tocantins, o destaque neste período foi a Indústria, que teve aumento de 7,2% a.a.. Em Mato Grosso, a variação foi impulsionada pelo setor Agrope-cuário, que cresceu 8,5% a.a., acompanhando o de-senvolvimento do cultivo de soja no estado. No Piauí, a maior variação ocorreu na Indústria, que cresceu 7,0% a.a. entre 2002 e 2015.

A exemplo do Tocantins, todos os estados da região Norte tiveram variação em volume do PIB maior que a média nacional.  Seguida da região Norte, com variação de 4,3% a.a., está a Região Centro Oeste com 4,1% a.a., com destaque para o desempenho do Mato Grosso.

 

 

Siga o Mercado Comum