Direito

O surpreendente crescimento econômico do Peru

“... a base do raciocínio jurídico, do mesmo modo que o cálculo pode ser a base do raciocínio matemático. 
A linguagem está para o jurista como o desenho está para o arquiteto.” 
- San Tiago Dantas 
 
Surpreendentemente, e pouco conhecido no Brasil por falta de notícias, estamos perdendo contato com o país e mais que com o país, com a multissecular civilização que merece nosso respeito, atenção e estudo. Trata-se de dedicar tempo a conhecer o que ocorre no Peru.

Assim, vamos transmitir algumas informações que se tornam necessárias e fornecidas pelo IPE (Instituto Peruano de Economia), para que os leitores possam ter conhecimento do que ocorre nessa república irmã e tem ou pode ter reflexo com o Brasil.
Sempre com informações colhidas no IPE, a trajetória do PIB per capita do Peru, merece ser bem avaliada em comparação com outros países.

A pergunta que se pode fazer é como evoluíram os países que alcançaram um PIB similar ao do Peru em 2018? Essa trajetória toma em consideração a paridade de poder aquisitivo em dólares desde de 2011. Os países cotejados nesse período, em que foi elaborado o relatório pelo FMI, foram Taiwan, Chile, México, Argentina e Coréia do Sul.
Desde 2013, o Peru vem crescendo sustentavelmente, com seu PIB passando de 2% para uma hipótese de 4% neste ano, seguramente 3,8%. Releve-se que o FMI comprovou que o PIB per capita do Peru em 2018 foi de USD 12.660. Mas, para crescer a 6%, teria que manter a sustentabilidade em 20 anos e somente então poderia alcançar o PIB que a Coreia do Sul tinha em 2010.

De outro lado, se levar em conta o PIB do Peru no arco de tempo de 2001 a 2018 (em paridade de poder aquisitivo, tendo em conta o valor do dólar em 2011), o PIB tende a atingir porcentagem maior, se a economia se mantiver sustentável e com crescimento hipotético anual médio de 6,1%. Mas, na verdade, entre 2014 e 2018, o crescimento médio anual foi de 3,3%, o que demonstra aumento das contas públicas e maiores programas do governo, não obstante crises políticas ocorridas.

Todos esses dados levaram o FMI a concluir que o crescimento médio anual de 3,3%, tendo crescido o PIB em 2018 a USD 12.660, per capita.
Deve-se relevar o seguinte: a economia peruana, em 2018, manteve uma tendência de aceleração bastante robusta, conforme atestaram o Instituto Nacional de Estatística e o Banco Central de Reserva e chegou-se a falar que o país cresceria 5%. O setor de construção, que é uma das principais fontes de emprego do país, foi um dos fatores que incrementaram esse resultado.
Nos setores primários, o maior crescimento foi da pesca, comparativamente, a relação do crescimento da pesca com a indústria manufatureira foi realmente impressionante, pois ainda que pareça incrível a indústria pesqueira teve aumento de 188,5%, devido à maior captura de anchovas, comparativamente com o crescimento da manufatura de 12,2%.

Tradicionalmente, a República do Peru foi tida como grande produtora de minérios e hidrocarbonatos.  E também, para espantar os incrédulos da política governamental, ambas registraram um retrocesso de 2,52%. Esse número negativo fez com que esses dois últimos setores resultassem num crescimento econômico de 0,34%.
Outro ponto a salientar é que o emprego em Lima (região metropolitana) aumentou 1,6% no último trimestre de 2018, mas, em contraponto, o número de trabalhadores adequadamente empregados aumentou muito pouco, com apenas 2.100 pessoas.

Porém, o número de trabalhadores subempregados cresceu num nível de 4,4% para atingir um total de 77.100 pessoas, com o subemprego, por horas, atingindo o número positivo de 23,5%.
Conclusão, o Peru contemporâneo avança como economia sustentável bastante robusta. Ressalto que o Ministério da Saúde tem tido papel relevante, pois os peruanos se alimentam corretamente ou através de uma alimentação saudável, revertendo as tendências negativas do aumento do sobrepeso e obesidade. Além disso, percebi uma ascensão social muito importante pela facilidade e profusão de métodos educacionais modernos, que tem propiciado melhorias sensíveis na qualidade de vida dos jovens e das crianças, bem como na melhor qualidade na prestação de serviços.

As diversas obras contratadas com a Odebrecht foram suspensas depois das delações premiadas dessa mesma empresa, o que retardará seu término em alguns anos, mas também está sendo feito para que, com a reparação de pesadas multas impostas à empresa brasileira, o fluxo financeiro para essas obras tenha um retardamento temporal, mas compensado.
Um excelente consultor peruano e professor da instituição Centrum Católica, Rolando Arellano, sem hesitar, publicou sua opinião no Canto do Autor, no jornal El Comercio, em 14 de janeiro de 2019, p. 27, um verdadeiro hino à Lima e seus cidadãos, dizendo: “Que somos fofoqueiros, indisciplinados ou pouco solidários? Talvez, há provas que somos mais que outros povos? Que Lima é horrível? Talvez para alguns como Sebástian Salazar Bondy dizia há 50 anos, porém, com segurança, não o é para a maioria que aqui encontrou a esperança de um futuro melhor”
 

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