Autos e Negócios

Muita história para contar

27 Março 2018

A ideia desta pauta surgiu assim que meu colega jornalista, Marcos Rozen, enviou um convite para participar da inauguração do Museu da Imprensa Automotiva, o MIAU, que aconteceu no fim do mês passado. Uma iniciativa que merece ser destaca não só pelo ineditismo - é o único do gênero no mundo -, como pela importância de preservar a história e reconhecer o trabalho bandeirante dos profissionais de imprensa que abriram as trilhas por caminhos desconhecidos e pelos quais, hoje, seguimos em nossa labuta diária de cobrir o setor automotivo no Brasil. 

FÁBRICAS

De grande importância para quem milita nos dois lados do balcão, como jornalista de veículo de comunicação ou como executivo integrante da equipe de assessores de imprensa, a proposta do MIAU é eternizar, por meio de um rico acervo, a evolução de uma trajetória que teve inicio há 61 anos. Para melhor entender o significado deste momento é preciso, assim como fazemos nas visitas aos museus tradicionais, uma viagem no tempo. Vamos, agora, para o dia 16 de agosto de 1956, quando, oficialmente, foi aberto o desafio de informar ao público leitor e ouvinte um relevante acontecimento, a criação, pelo Decreto 39.412, do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), a partir do plano de metas do então Presidente Juscelino Kubitschek.

Naquela época a força da mídia impressa suplantava e muito todas as outras. O rádio sempre se manteve como veículo de grande representação, mas eram os jornais os responsáveis pela integração nacional. A televisão apenas engatinhava, e o “Repórter Esso”, com seu conhecido jargão, o primeiro a dar as últimas, era o principal noticiário televisivo. As edições dos jornais fechavam tarde à espera das últimas notícias, e os vespertinos circulavam na parte da tarde, trazendo os acontecimentos que não foram retratados por completo nos diários. Revista que vale o registro apenas “O Cruzeiro”, com uma tiragem que até hoje poucas publicações similares conseguem atingir. E com toda esta pujança é que foi noticiada a chegada do GEIA, o que viria descortinar um admirável mundo novo para nosso país.

PIONEIRISMO

As primeiras fábricas de automóvel que seriam instaladas no Brasil trariam a reboque muitos empregos em uma extensa cadeia produtiva e um sem número de oportunidades possibilitaria a inclusão social de milhares de brasileiros. E era preciso divulgar esta boa nova para população. Foi a partir daí que começou de verdade o desenvolvimento industrial no Brasil. 

Tudo era muito novo, assim como o trabalho do jornalista que passaria a cobrir estes primeiros movimentos que mudaram para sempre o retrato do Brasil. Surgiu, então, o profissionalde imprensa que se especializaria na cobertura de um setor que estava nascendo. Da mesma forma, mas do outro lado do balcão, os fabricantes estruturavam seus respectivos departamentos de comunicação, para estabeleceram a ligação entre os veículos, jornais, rádios e revistas com as fábricas.

HISTÓRIA

O primeiro carro produzido no Brasil foi o DKW, produzido pela Vemag, sob a licença da Auto Union. Após o DKW, vários carros começaram a surgir e grandes fabricantes passaram a se instalar aqui de vez, com o objetivo de não apenas montar, mas fabricar os carros. Como no caso da Volkswagen, que em 1957 lançou a Kombi 1.200 com selo made in Brasil. A chegada dos carros da DKW e da Volks teve outro papel importante na história: com eles, o Brasil passou a se alinhar com o mercado europeu, deixando de lado os modelos americanos. 

As fábricas de automóveis com grandes investimentos, geração de emprego e renda representam (ainda hoje) um verdadeiro divisor de águas para economia do país. O automóvel para o brasileiro sempre foi, é, e sempre será um objeto de desejo, verdadeira paixão nacio-nal. Maior exemplo são os inúmeros clubes que reúnem aficionados por determinada marca ou tipo de carro, que se encontram sempre manter viva a história. E é dentro destro deste contexto que surge o MIAU, que passará a ser alimentado de forma que a história da imprensa especializada possa permanecer viva na memória de todos que por ali passarem para uma visita. 

MEMÓRIA VIVA 

“O homem permanece vivo quando sua memoria é preservada”, uma frase de efeito que tem muito de verdade. E o MIAU está ai para provar. O acervo reúne 10 mil itens raros e curiosos, como a edição número 1 da revista Quatro Rodas, que circulou pela primeira vez em 1960. O museu já está aberto ao público e esta localizado no bairro da Vila Romana, em São Paulo, entre os milhares de itens ali expostos, estão press-kits, catálogos, pôsters, manuais de proprietário, fotos em papel, revistas, livros, jornais, máquinas de escrever, câmeras, gravadores de áudio e vídeo, entre outros. Dividido em uma área permanente e outra temática, a primeira expo-sição do MIAU abre as comemorações dos 50 anos do Chevrolet Opala, que serão celebrados em 2018. 

TEMÁTICOS

De bebidas a petiscos, todos os itens fazem referência ao mundo dos carros, batizados com nomes que homenageiam personalidades do jornalismo automotivo, carros nacionais clássicos e afins.Marcos Rozen, fundador do MIAU revela que foi diante de dificuldade para se obter materiais antigos para produção de reportagens de cunho histórico, que há cerca de 15 anos passou a formar acervo a respeito. Com o passar do tempo essa coleção foi amplamente enriquecida com colaborações de outros jornalistas e interessados na área e, hoje, 75% do acervo do MIAU é formado por doações. O patrocínio do museu é da Audi, e ele funciona de quarta a sábado das 11h às 19h e aos domingos das 11h às 17h. Para marcar sua inauguração há promoção para os ingressos: o benefício da meia entrada vale para todos os visitantes, que, assim, pagam apenas R$ 15. A promoção é por tempo limitado e os ingressos podem ser obtidos diretamente na entrada do museu, que aceita cartões de débito e crédito. Que saber mais sobre o MIAU, entre no site: www.miaumuseu.com.br

 

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