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Indústria brasileira do aço deve fechar 2017 em ritmo lento

01 Julho 2017

O consumo aparente de aço no 1º trimestre deste ano apresentou um crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando que as vendas internas tiveram nesse mesmo período uma queda de 0,5%, o crescimento verificado no consumo aparente foi suprido pelo aumento das importações, que foi de 73,1%. De janeiro a março desse ano, a produção apresentou um crescimento de 10,9%, canalizado basicamente para as exportações, que tiveram um crescimento de 17,4%.

O significativo crescimento das exportações deve-se à entrada em operação de uma nova usina - a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) -, voltada para o mercado externo e ao enorme esforço despendido pelas demais usinas brasileiras, que por operarem, atualmente, com 40% de ociosidade, aumentaram suas exportações para evitar novos fechamentos de equipamentos e demissões de colaboradores, dado que o mercado interno continua deprimido. Deve ser considerado ainda que a base de comparação dessas exportações, no 1º trimestre de 2016, é extremamente baixa, o que ajuda a impulsionar as variações percentuais.

Apesar dos resultados do 1º trimestre, para 2017, o Instituto Aço Brasil prevê que a produção brasileira de aço bruto encerre o ano com um crescimento de 3,8% em relação a 2016, totalizando 32,5 milhões de toneladas. Já para as vendas internas de produtos siderúrgicos, está prevista alta de 1,3%, chegando a 16,7 milhões de toneladas, patamar similar ao de 2006. O consumo aparente de aço no País deve ser de 18,7 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 2,9% em comparação com o ano passado. Caso esse resultado seja confirmado, serão mantidos os padrões de uma década atrás.

As previsões do Aço Brasil para esse ano ratificam o que vem sendo alertado pela Coalizão composta pelos segmentos automotivo, produtos químicos, máquinas e equipamentos, têxteis/confecção, calçados,eletrodomésticos, eletroeletrônicos, autopeças, siderurgia, papel e celulose, de que não ocorrerá retomada do mercado interno em 2017. Estes segmentos, que representam 48,5% da produção e 68,5% das exportações da indústria de transformação do País, operam em média com 50% de ociosidade e demitiram, nos últimos 2 anos, cerca de 500 mil colaboradores.

O incremento das exportações de produtos industrializados no curto prazo é a única saída para evitar o agravamento da situação da indústria de transformação e o aumento do desemprego. As exportações podem contribuir de forma decisiva para a retomada rápida e sustentada do crescimento econômico do País. Para tanto, é imprescindível que o governo restitua os tributos não recuperáveis já pagos no consumo de elos anteriores da cadeia produtiva, através do mecanismo do REINTEGRA, elevando a alíquota atual em 3 pontos percentuais (dos atuais 2% para 5%).

A correção dessa assimetria permitirá o aumento imediato das exportações, sem pressões inflacionárias, mantendo o nível de arrecadação tributária e criando mais de 400 mil novos postos de trabalho e injetando mais de US$ 15 bi na economia. Além disso, no curto prazo, o Governo deveria incentivar a exigência de conteúdo local. Esta é uma estratégia adotada por diversos países, como os Estados Unidos e Índia, para manter o desenvolvimento da indústria nacional frente à guerra de mercado no cenário internacional.

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