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Consumo nacional deve movimentar R$ 4,2 tri na economia neste ano, equivalente ao consumido em 2011

01 Julho 2017

Através da análise dos dados entre 2016 e 2017, o estudo IPC Maps mostra que o consumo nacional tem fôlego para atingir R$ 4,2 trilhões, embora se iguale aos níveis de consumo de 2011 quando comparados com os valores sem considerar a inflação. Serão gastos R$ 300 bilhões a mais que em 2016, indicando crescimento real estimado em 0,42%. O desembolso desses recursos nos 22 itens da economia permanece maior no interior dos Estados sobre as capitais, que melhoraram minimamente o seu perfil de consumo. Enquanto os 50 maiores municípios concentram mais de 40% de tudo que é consumido no País, a mobilidade nos extratos sociais está praticamente estagnada, com reflexos de queda no topo da pirâmide social (classes A e B) e estreitamento ainda mais acentuado nas classes menos favorecidas.

O fenômeno da interiorização no consumo que percorre o Brasil alcança 70,15% de tudo que será consumido pelos brasileiros em 2017, pouco acima de R$ 2,9 trilhões, já considerando o atual cenário de retração econômica nacional. O estudo mostra que esse fenômeno não é novo, e que vem se evidenciando desde 2015 quando a movimentação do consumo fora das Capitais bateu os 70%. Atualmente, resta às capitais estaduais pouco menos de 30,0% (próximo de R$ 1,3 trilhão), uma participação que por longos anos espelhava mais da metade do consumo nacional.

Focando a renda nas mãos do consumidor, os dados analisados pelo IPC Maps indicam não só que a movimentação de recursos evoluiu pelas cidades interioranas, como também o estudo mostra um diferencial na criação de novas empresas acompanhando uma alternativa ao empreendedorismo no País. De acordo com o responsável pelo estudo, Marcos Pazzini, “este cenário pode contribuir para se traçar um novo horizonte de oportunidades competitivas para a economia, impulsionando a ocupação da mão-de-obra e o consumo por produtos e serviços”.

Esta análise é resultado da compilação dos dados de potencial de consumo dos municípios do Interior dos Estados, em comparação com o consumo nas Capitais, usando informações do IPC Maps entre 2016 e 2017, feito pela empresa especializada em informações de mercado, a IPC Marketing Editora.

PERFIL BÁSICO

O potencial de consumo das famílias brasileiras é estimado em R$ 4,2 trilhões. Aqui já considerados uma expectativa de crescimento positivo de 0,42% e um índice de inflação IPCA de 4,36%.

A população registra 207,7 milhões de pessoas, mais da metade residentes no interior das cidades:  85% residentes em domicílios urbanos. A renda per capita urbana é de R$ 22.193,36, enquanto a área rural tem uma projeção de R$ 9.437,37.

O estudo IPC Maps se baseia em dados secundários, atualizados e pesquisados através de fontes oficiais de informação como as do IBGE, utilizando metodologia própria, em uso há mais de 20 anos.

PRIMEIROS REFLEXOS

Desde logo vale dizer que o estudo constata que as atividades econômicas elevaram a 20.754.951 unidades o patamar empresarial do País, em 2017 (ante as 19.069.462 instaladas em 2016). A quantidade só não é maior pela redução de empresas no período, revelando um diferencial passível de análise entre os vários estratos, por número de funcionários, como observa Pazzini. Enquanto aquelas que possuem até nove funcionários mantém crescimento positivo de 11,9%, nas demais faixas empresariais com mais de 10 funcionários o crescimento foi negativo (superior a 40%) em cada um dos estratos. O destaque fica para as empresas com mais de 500 funcionários: das 18.434 unidades existentes no ano passado, restando apenas 6.510 unidades em 2017, uma retração de 64,7%.  Além disso, é expressiva a queda das MEIs – Micro Empresas Individuais (28,2%) provavelmente devido ao fechamento de pequenos negócios neste momento de crise, reduzindo a atividade em 3.285.510 unidades.  Em contrapartida, em 2017, o número de microempre-sas chega 9.241.585 unidades, um aumento de 8,6%.

BASE CONSUMIDORA

O IPC MPS 2017 indica que o cenário de consumo urbano do País será puxado pela classe B e que responde por 42,9% (cerca de R$ 1,674 trilhão superior ao registrado em 2016, de R$ 1,554 trilhão), com 23,1% dos domicílios urbanos.  Em contrapartida, a classe média (classe C) que mantém os 47,9% dos domicílios brasileiros, movimenta 33,9% do consumo (ou R$ 1,324 trilhão) ante os 33,6% do ano passado. A classe D/E permanece abrigando 26,6% dos domicílios, perfazendo 10,3% do consumo, ou R$ 402,1 bilhões. No topo da pirâmide, a classe alta (A) baixou sua participação para 12,9 ante os 13,4% do consumo de 2016, correspondendo a R$ 503,6 bilhões, conquistado por 2,4% dos domicílios.

Em termos globais, a área rural do País deve responder por um consumo da ordem de R$ 300 bilhões – contra os R$ 265,5 bilhões registrados em 2016.

CENÁRIO REGIONAL

Os reflexos participativos regionais mostram pequenos ajustes, mantendo praticamente os números do ano passado. A liderança no consumo é marcada pelo Sudeste registrando uma participação de 48,78% (pouco inferior aos 49,04% do ano passado).  O mesmo ocorrendo com o Nordeste: 18,84% (contra os 19,03%) e o Centro-Oeste elevou para 8,51% o consumo que era de 8,4%.  O Sul alcançou 17,94% (onde eram 17,58%), e o Norte do País registra 5,93% ante os quase 6% alcançados em 2016.

MERCADOS POTENCIAIS

Se puxarmos uma dimensão no desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros, em 2017, verifica-se que juntos são potencialmente responsáveis por 40,25%, equivalentes a R$ 1,692 trilhão (ante os 39,8% do ano passado).

O ranking dos municípios mostra a diversificação desse universo. Permanece a liderança dos mercados como os de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, seguidos por Salvador, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, com Goiânia, retomando a 8ª posição, seguida de Manaus e Recife. Algumas Cidades do interior dos Estados ganham destaque na atual conjuntura como Campinas, que é a 9ª maior do País, destacando-se ainda Guarulhos, Ribeirão Preto, S. Bernardo, Sto. André e S. José dos Campos, no Estado de São Paulo, além de outras cidades como São Gonçalo e Niterói (RJ), Campo Grande (MS), Florianópolis e Joinville (SC), Uberlândia (MG), etc.

GEOGRAFIA DA ECONOMIA

As atividades das 20,8 milhões de empresas existentes atualmente, em sua maior parte, 49% se concentram em áreas de Serviços (eram 47% em 2016), outros 33% no Comércio (ante os 34% anterior), as Indústrias estão com 15% delas (baixou dos 16% de 2016), ficando o Agronegócio estável nos 3%.

A maior quantidade delas está situada na região Sudeste, onde se encontram 50,23% (frente os 50,30% do ano passado), registrando 10.426.142 unidades instaladas, seguida pelo Nordeste, com 18,12%, uma fatia de 3.760.638 unidades. O Sul aparece na 3ª posição com 18%, chegando a 3.736.107 unidades, o Centro- Oeste 8,44% (1.751.189 unidades) e o Norte com as demais 5,21% das empresas, 1.080.875 unidades.

A dimensão quantitativa das empresas por mil habitantes indica parâmetros interessantes: a região Sul lidera com folga, pois tem 126,03 empresas para cada l.000 habitantes; o Sudeste tem 119,91, enquanto a região Centro-Oeste está na 3ª. posição neste indicador, com 110,30 empresas/mil habitantes. Abaixo da média nacional, que é de 99,93 empresas por 1000 habitantes em 2017, temos as regiões Nordeste, com 65,68 e a região Norte, que fica com apenas 60,15 empresas/mil habitantes.

HÁBITOS DE CONSUMO

Através do IPC Maps é possível traçar um perfil dos consumidores por classes sociais até onde gas-tam seu dinheiro. Os itens básicos lideram o consumo, como manutenção do lar 26,7%  (incorporam despe-sas com aluguéis, impostos, luz-água-gás);  alimentação 17,1% sendo 11,9% no domicílio e 5,2% fora dele; 1,2% com bebidas; transportes 7,5%, sendo 4,7% com veículo próprio e transporte urbano 2,8%; saúde, medicamentos, higiene pessoal e limpeza 8,8%; vestuário e calçados 4,8%;  materiais de construção 4,4%; seguidos de recreação  e viagens 3,3%; eletrônicos-equipamentos  2,3%; educação  2,2%;  móveis e artigos do lar 1,9% e fumo 0,6%.

FAIXAS ETÁRIAS

No estudo deste ano, o viés do consumidor indica que a sociedade brasileira contará com 207,7 milhões de pessoas, sendo 175,9 milhões na área urbana. É de se destacar que a faixa etária economicamente ativa, dos 18 aos 59 anos, representa 60% da população, com um universo de 125,3 milhões de pessoas, em quantidades equilibradas entre homens e mulheres. Os idosos, na faixa dos 60 ou mais, já somam 25.9 milhões onde se concentram 56% de idosas. Os jovens e adolescentes dos 10 aos 17 anos chegam a 26,8 milhões.  Já a população infantil, de 0 a 9 anos, compreende 29,7 milhões.

O IPC Maps 2017 permite, ainda, a análise setorial da economia com a apresentação dos segmentos empresariais por localidade segundo o principal ramo de atividade, ou seja, Indústria, Comércio, Serviços e Agronegócios.

RETRATO DO BRASIL EM NÚMEROS

Além destes destaques, o banco de dados do IPC Maps 2017 possibilita informações através de softwares de geoprocessamento, oferecendo um perfil de cada uma das 5.570 cidades brasileiras e detalhes dos bairros/ distritos de 209 municípios com mais de 100 mil habitantes. Tais cidades contam com a segmentação por ramos de atividade, incluindo quantidade e tipo de empresas, indústrias, serviços (saúde, agências bancárias, educação, etc.) agronegócios, comércio – varejista e atacadista, por exemplo -, além de transmitir informações demográficas e do potencial de consumo da população local.

 

CLIQUE e confira a série de gráficos do estudo IPC Maps 2017.

 

 

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