Entrevista

Ana Maria Rangel: minha candidatura à presidência da República prioriza o desenvolvimento.

30 Maio 2014

Candidatura cidadã: é assim que Ana Maria Rangel se define ao se apresentar como pré-candidata à Presidência da República pelo PEN (Partido Ecológico Nacional). Empresária, divorciada, mãe de dois filhos, esta carioca de 57 anos se coloca como alternativa às candidaturas dos grandes partidos.

“Querem nos fazer acreditar que não temos opção; que só temos o ruim contra o menos pior. O brasileiro está cansado de ser enganado e se frustrar com promessas vazias. Os eleitores estão à espera que apareça alguém em que possam confiar”. É por isso que ela acredita que tem chance de surpreender.

Sua estratégia se resume ao se­guinte tripé: 1) Um programa de governo de peso, com pessoas respeitadas e competentes. “Va­mos ter o melhor programa, dis­parado, explicando tudo, o que vamos fazer, assentado princi­palmente no desenvolvimento e no crescimento econômico vigo-roso, contínuo e sustentável”; 2) Propaganda eleitoral focada na internet. “É a primeira eleição no Brasil que a internet vai fazer toda diferença”; 3) E um ex-ministro do TSE como assessor jurídico; “Para garantir os meus direitos constitucionais como participar de debates na TV”. Independen­te da confiança da candidata, o que ela apresenta com certe­za vai fazer com que a disputa eleitoral levante o nível do debate e também vai ajudar a garantir o segundo turno. Veja a seguir a entrevista com Ana Maria Rangel:

Os partidos pequenos normal­mente são usados como par­tidos de aluguel, para atacar adversários, não dispondo de credibilidade nem tempo de propaganda eleitoral. Como os eleitores vão conhecer e levar a sério a sua candida­tura? Em primeiro lugar quero dizer que não é uma aventura. Sei que é uma luta de David con­tra Golias, mas acredito no que estou fazendo, vejo claramente que a população quer mudanças de verdade, não apenas no dis­curso. Os políticos tradicionais perderam a noção da realidade porque estão há muito tempo no poder. Não perceberam que o mundo mudou.

Se o mundo árabe derrubou ditaduras a partir de uma faísca de indignação, com uma prisão injusta numa fei­ra, porque aqui não pode-mos mudar dentro das regras democráticas? A começar pelo partido, temos espaço para isso. O Pen51 é diferente e, por causa do número, trata-se de uma boa ideia (risos). Se não fosse dife-rente, não me aceitariam como pré-candidata. Quem criou foi um empresário mineiro, que mora em Ribeirão Preto, cansado de tudo isso. Ele quer produzir, gerar im­postos, ser útil à sociedade, mas o governo não ajuda, ao contrário, só atrapalha. Ele não quer um par­tido contaminado, quer se cercar de pessoas do bem, cidadãos que aspiram um país melhor. Nos­sa campanha não vai ficar ata­cando ninguém, nem discutindo o passado, vamos ter propostas concretas, claras, sem enrolação, com data para acontecer, expli­cando como vamos viabilizar cada uma delas. O desenvolvimento e o crescimento econômico com taxas vigorosas, contínuo e sus­tentável é uma de nossas premis­sas básicas. Em pouco tempo os eleitores vão perceber tratar-se de uma candidatura séria, com uma proposta surpreendente, consis­tente e, com isso, com certeza vamos ganhar espaço para as nossas ideias na mídia e junto aos eleitores.

Cite um exemplo? Vou citar um exemplo simples. De acordo com o Banco Mundial, o Bra­sil ocupa a 4ª posição entre os países que mais tempo demora para se abrir uma empresa, per­dendo apenas para o Suriname, Guiné Equatorial e Venezuela. Para abrir uma empresa no Brasil leva-se 104 dias e, para fechar, demora-se até anos. Quando o pequeno empresário consegue abrir o seu negócio, já começa pagando altos impostos, apesar das desonerações do setor. Nossa gente é empreendedora, criativa, inventiva em soluções fantásticas que poderiam gerar enormes benefícios, empregos, qualidade de vida. Esse potencial é esmagado pela falta de flexibli­dade, agilidade e incentivos do governo. Nossa proposta é clara, dentro de um ano será possível abrir uma empresa pela internet em poucos dias, com isenção de impostos para micro e pequenas empresas nos primeiros anos. E são esses pequenos empresári­os e empreendedores que terão crédito. Isso começa no primeiro dia de governo, com medida pro­visória, onde se estabelece o pra­zo para fazermos as mudanças. Temos que apostar em quem vai produzir e gerar empregos. Não só os pequenos empresári­os, mas os médios, grandes e gigantes também. Todas as em­presas que querem produzir e crescer precisam de no mínimo um Estado eficiente, não se pode apenas beneficiar os amigos do rei. Com renda melhor uma família terá condições de desfru­tar de saúde e educação, porque com fome ninguém vai conseguir nem estudar. A renda também traz estrutura familiar, o que ainda ajuda a combater a violência, que começa em casa. Mas este é um só um exemplo da Reforma do Estado que planejamos, que será ampla, estrutural.

Quais são estas mudanças? Simplificar, desburocratizar e me-xer nos impostos é uma mudança estrutural. O governo gasta muito e mal, além da corrupção desen­freada. Conheço dezenas de em­presários brasileiros e estrangeiros que deixaram de investir no Bra­sil por causa de várias barreiras. Primeiro, a complexidade da le-gislação fiscal e a burocracia, de­pois os “pedágios” para liberar o negócio, e ainda o impostos avas­saladores. Portanto, a primeira tarefa é simplificar e desburocra­tizar o máximo possível, na era da informática temos que fazer tudo pela internet, no menor tempo, o mais rápido possível. Estamos tão atrasados, defasados, estamos perdendo investimentos até para a Argentina, que está um caos, enfrentando sérias dificuldades. Muitas indústrias que iam se insta­lar aqui foram para lá. Precisamos recuperar a indústria nacional, que atualmente é responsável por apenas 24,9% do PIB brasileiro, e a tendência é de queda, perdendo espaço para o setor de serviços. Não podemos mais exportar ape­nas commodities para importar de volta os produtos industrializados. Assim nunca vamos chegar a lu­gar nenhum. Precisamos investir pesado na inovação, em tecno­logia e no empreendedorismo industrial para que fabriquemos aqui mesmo no país produtos de qualidade, gerando mais em­pregos e mais renda, e para que sejamos mais competitivos no mercado internacional, ou nosso crescimento permanecerá es­tagnado, pífio, medíocre e insu­ficiente para atender à demanda da sociedade, para tirar verda­deiramente milhões de pessoas da pobreza, de forma definitiva. Para isso, temos que fazer uma reforma tributária séria, moderna, mais justa e vamos expor isso no programa de governo detalhada­mente como vamos fazer. Para trazer investimentos temos que ter uma infraestrutura impecável, o que não foi feito nos últimos anos. Para isso, temos que não só buscar o capital estrangeiro, mas como o capital nacional que está lá fora, dando incentivos para voltar ao país. Se os próprios bra­sileiros não estão apostando no país, como o capital internacional vai apostar?

Como vai fazer para trazer este capital de volta? Foi como eu disse, condições favoráveis, de incentivo, impostos adequa­dos, e principalmente infraestru­tura, sem promover quebras de contratos nem mudando sempre a legislação. É preciso recuperar a confiança no Brasil e entendo que precisamos de uma políti­ca econômica clara, de respon-sabilidade fiscal e de autonomia do Banco Central. O Estado não tem que ser grande como hoje, e nem mínimo, mas adequado ao que precisamos e, acima de tudo, eficiente. A maioria dos fun­cionários públicos não tem carrei­ra, incentivo, reciclagem, temos que dar melhores condições de trabalho para termos condições de cobrar resultados. A clareza da política econômica se estende às agências reguladoras, que foram politizadas nos últimos anos. Va­mos profissionalizá-las verdadeira­mente, não serão cargos políticos, vamos trocar pessoas políticas por técnicos competentes e espe­cialistas nas áreas, criar mecanis­mos de auditoria, vigilância, com participação também da socie­dade civil, para que eles funcio­nem bem. Se funcionassem bem, não teríamos problemas graves como, por exemplo, de telefonia e de energia que temos hoje. Al­guns países como a Espanha re­cuperaram a economia com uma política de retorno de capital dos próprios cidadãos, desde que não seja oriundo da corrupção ou de outros crimes como o tráfico de drogas. Estima-se que haja no exterior cerca de US$ 300 bi-lhões de recursos pertencentes a brasileiros, que poderiam estar aqui gerando desenvolvimento, riquezas e empregos. Imagina se

 

Todas as empresas que querem produzir e crescer precisam de no mínimo um Estado eficiente, não se pode apenas beneficiar os amigos do rei.

a gente consegue trazer 1/3 desse dinheiro para investir aqui, seria uma revolução econômica. E a gente tem um projeto concreto para isso.

A senhora está falando de mui­tas mudanças, que são profun­das. Como um partido pequeno faria esta mudança sem apoio no Congresso? O Brasil precisa urgentemente de mudanças pro­fundas, sem sustos e revoluções, tudo é uma questão de planeja­mento, transparência, exatamente como estamos construindo o nos­so plano de governo. Nele a gen­te explica as principais metas, de como vamos implantar as nossas propostas, e em qual prazo. Não queremos apenas reavivar a espe­rança do brasileiro, vender ilusões como sempre fize-ram, estamos mostrando o quê, porque, quando e como vamos fazer. Vamos mais longe, empresas estatais como a Petrobras terão um quadro míni­mo vindo de fora da empresa, os executivos e seus assessores não podem continuar sendo políticos, mas serão sugeridos à Presidente da República por uma equipe de headhunters reconhecida no mer­cado, vamos buscar no Brasil ou no mundo inteiro os melhores exe-cutivos do setor petrolífero para recuperar a Petrobras, que precisa voltar a ser uma das maiores em­presas internacionais, tornando-se de fato auto-suficiente e enchendo de orgulho os brasileiros. Esse pro­cedimento será comum a todas as empresas estatais. Ao profissionali-zar as agências vamos trazer com­petição à telefonia - no Brasil temos as tarifas mais ca-ras do mundo e um serviço ainda bastante distante do ideal. Se a Anatel (Agência Na­cional de Telecomunicações) fosse verdadeiramente profissionalizada isso não aconteceria. Vamos abrir e estimular o mercado da aviação regional, abri-lo para a iniciativa privada e construir novos aeropor­tos. Não queremos trazer instabi-lidade nem prejuízo para nenhum setor, pelo contrário, vamos res­gatar a estabilidade e a confiança no país, através de regras claras, equilibradas, dando a oportuni­dade das empresas ganharem, mas num ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, deixar o con­sumidor satisfeito. Tem alguém no Brasil feliz com a conexão da inter­net e a telefonia, que são altamente ins-táveis? Creio que não. E a ener-gia cara e instável também afasta investidores e prejudica consumi-dores. A mesma coisa acontece com os transportes e as rodovias, que estão uma verdadeira calami­dade. Os parâmetros que vamos usar sempre são os internacionais, temos que colocar o Brasil nos tri-lhos do desenvolvimento de novo, em muitos setores estamos atrasa­dos um século em relação a alguns países. A inovação tecnológica que temos é insuficiente para compe­tir. Precisamos recuperar e temos a fórmula para isso. O lema de JK era 50 anos em 5; o nosso é avançar 100 anos numa gestão.

Mas a senhora não respondeu ainda sobre como conseguir mudanças no Congresso? Co-mo eu disse, o nosso programa é claro, temos na nossa equipe pessoas altamente competentes, e várias outras pessoas de bem deste país que estão agregando à nossa companha. Por isso, o programa está ficando cada vez melhor. As pessoas de bem neste país estão fartas de tanta sujeira, de tanta corrupção e incompetên­cia. Não precisamos de ser gênios para nada, temos as soluções aí na sociedade, nas associações, empresas, sindicatos sérios, e tan­tos outras entidades da sociedade civil. Precisamos pegar o que têm de melhor e aplicar, partir para a ação. Vamos também aprovei-tar as melhores experiências históricas, desde aquelas muito bem-sucedidas na época de JK quanto as internacionais, porque queremos avançar, crescer e nos desenvolver. Vamos crescer aci­ma da média mundial. A nossa proposta pressupõe transformar o Brasil em uma Nação desen­volvida e essa será a nossa maior e principal meta! Quando um pre-sidente é eleito, ele toma posse como muita força eleitoral. Por­tanto, nós vamos começar a tra­balhar logo no primeiro dia, com metas para cada ministro; vamos reduzir dos atuais, e absurdos, 39 ministérios para 15 – dos quais 3 serão extraordinários e cuidarão do cumprimento das grandes metas. Então eles terão um prazo para implantar essas mudanças, e vamos decretar medidas pro­visórias para os projetos propos­tos na campanhas. E trabalhar para concretizá-las no prazo de­terminado.

A senhora está dizendo que vai profissionalizar as empre­sas estatais, trazer os melho-res quadros. Como os políti­cos vão aceitar ficar de fora? A partir do momento que um presi­dente é eleito, os eleitores fizeram uma escolha. A nossa proposta é clara, profissionalizar o serviço público, trazer poucas pessoas de fora, os melhores do país e até do mundo. Vamos propor aos deputados e senadores de cada estado, independente do partido, que acompanhem as mudanças, os projetos, os investimentos, que o governo federal vai fazer. Eles próprios se sentem humilhados de tanto descaso, para conseguir al­guma coisa ficam rodando Brasília com um pires na mão, muitas ve-zes são praticamente obrigados a aceitar condições, digamos, não republicanas para liberar um pro­jeto. O que eles querem é retribuir som a forma de serviços para o seu eleitor, querem ser reeleitos. Os nossos projetos irão de encon­tro com os anseios deles, porque vamos fazer, verdadeiramente, uma revolução urbana e de in­fraestrutura neste nosso país e, consequentemente, eles poderão participar deste processo como legisladores e terão o seu crédito também. É preciso entender que o eleitor não aceita essa política velha de toma-lá-dá-cá. Esta era chegou ao fim, a sociedade não aceita mais. As pessoas estão indo para a rua, protestando, o judiciário mesmo lento e também precisando de reformas urgentes, está reagindo. O Congresso vai reagir e responder à sociedade se adaptando aos novos tempos. O exemplo começa de cima num governo.

Não é muito pretensão acredi­tar que pode ser eleita? De for­ma nenhuma, sou brasileira nata, uma cidadã que sempre cumpriu com os seus deveres, tenho direito a me candidatar como qualquer pessoa neste país. Tenho o di­reito de acreditar, assim como o brasileiro tem o direito de acredi-tar e mudar. Porque temos que aceitar os partidos grandes como legítimos, se eles se mostraram praticamente iguais, ilegítimos em suas ações, atitudes que a popu­lação rechaça, não aguenta mais? Político hoje no Brasil virou sinôni-mo de ladrão! Tenho uma equipe de alto nível e vamos agregar mais pessoas à medida que o tempo avançar. Assim que a candidatu­ra for ratificada pelo partido em nossa convenção, mostraremos a nossa seriedade e capacidade, porque não adianta apenas ser honesto, mas competente, se cer­car de pessoas competentes, e ter projetos viáveis, lúcidos, trans­parentes e reais, prontos para ser implantados. A grande diferença desta eleição é a internet. Antes a campanha eleitoral era muito cara, não tinha tantas leis punitivas de caixa dois, hoje não depende mais só da TV e da grande mídia para se eleger. Se não fosse a inter­net, Obama não seria eleito. Ele, apesar dele ter sido senador, não fazia parte da elite americana, não fazia parte do status quo político, pelo contrário, era um legítimo ci­dadão que veio do povo, estudou com bolsa, fez estágio, trabalhou muito. O eleitorado americano estava maduro para elegê-lo, e o eleitorado brasileiro está maduro para eleger um cidadão verda­deiro, que está ligado aos valores de ética, mérito, honestidade, competitividade, investimentos, liberdade de pensamento e de im­prensa, direitos civis.

A senhora disse que militou como voluntária em ações sociais, como foi isso? Mes­mo com as responsabilidades de empresária, mãe de dois filhos, nunca deixei de trabalhar como voluntária na Sociedade de São Vicente de Paulo, os Vicentinos, e entidades beneficentes de defesa dos direitos dos imigrantes e tam­bém de promoção de dignidade da vida humana. São entidades filantrópicas ligadas à Igreja Católi­ca. O Papa Francisco, aliás, disse recentemente que a política é uma das formas mais elevadas da cari­dade cristã, porque visa o bem comum. O Papa está trazendo de volta os verdadeiros valores cris­tãos para o catolicismo. Eu não tenho vergonha ou constrangi­mento como muitos políticos de dizer que sou Católica, que vou à missa, tenho fé. Muitos não que-rem admitir para não perder apoio dos evangélicos. Não tem nada a ver. Estamos num Estado laico, o mundo sofreu muito por juntar religião e política, muitas guerras e perseguições. Defendo a liber­dade religiosa, o direito de esco- lher a religião, agora é essencial que se tenha ética, respeito, ho-nestidade, dedicação verdadeira ao próximo, e isso a gente apren­de principalmente na religião.

Como a senhora entrou na política, qual é a sua formação, profissão, família? A senho­ra disse que é empresária, de qual setor, conte-nos sobre a sua empresa. Em 2006 eu ten­tei ser candidata à Presidência da República e não consegui de imediato, porque o presidente do partido em que eu estava filiada àquela época acabou me pedin­do dinheiro, como pessoa física. Denunciei e fui perseguida por isso, apenas duas semanas antes da eleição consegui na Justiça o direito de disputar, mas era tarde demais, não deu tempo. Mesmo assim fiquei em primeiro lugar dentre os candidatos dos partidos pequenos. Deixei de lado a políti­ca, mas nunca a esperança de um Brasil melhor. Mas agora o país perdeu o rumo, perdemos opor­tunidades únicas na última déca­da e o Brasil não cresceu, andou para trás. Ninguém pode aceitar isso, eu não aceito, por isso es­tou aqui, vou à luta. A vida é feita de sonhos, os países se trans­formam em função dos sonhos dos seus habitantes, e o brasileiro quer essa mudança, mas não em cima de promessas falsas, o que estou apresentando é concreto, real. Uma programa de governo como ninguém tem. Eu fui morar nos Estados Unidos porque casei, porque também não tinha muitas oportunidades aqui no Brasil. Lá me formei como Cientista Política na Universidade Oglethorpe, em Atlanta. Depois trabalhei com um renomado professor nos Estados Unidos, Joseph Knippenberg; fazíamos estudos e dávamos palestras sobre o Brasil. Depois, tive uma empresa no setor de transportes rodoviários nos Esta­dos Unidos por 14 anos. Foi im­portante, aprendi muito, porque é um país que deu certo. Até os imigrantes conseguem prosperar. No Brasil tudo é mais difícil. Hoje, eu vejo aqui as nossas estradas e fico absolutamente indignada e chocada, assim também com a falta de infraestrutura, com o baixo nível do ensino, com a fal­ta de política industrial, falta de planejamento, com a corrupção, com o desperdício de oportuni­dades seguidas que o país...ah é tanta coisa errada e que piorou nos últimos anos, até a inflação está voltando. Mas vamos rever-ter tudo isso, é um país rico e um povo nobre, falta apenas um go-verno de verdade, de qualidade. É por esta indignação que estou me apresentando como candidata. Eu acredito no Brasil.

 

Vamos resgatar a estabilidade e a confiança no país, através de regras claras, equilibradas, dando a oportunidade das empresas ganharem, mas num ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, deixar o consumidor satisfeito.

 

Os países se transformam em função dos sonhos dos seus habitantes, e o brasileiro quer essa mudança, mas não em cima de promessas falsas, o que estou apresentando é concreto, real.Candidatura cidadã: é assim que Ana Maria Rangel se define ao se apresentar como pré-candidata à Presidência da República pelo PEN (Partido Ecológico Nacional). Empresária, divorciada, mãe de dois filhos, esta carioca de 57 anos se coloca como alternativa às candidaturas dos grandes partidos.

“Querem nos fazer acreditar que não temos opção; que só temos o ruim contra o menos pior. O brasileiro está cansado de ser enganado e se frustrar com promessas vazias. Os eleitores estão à espera que apareça alguém em que possam confiar”. É por isso que ela acredita que tem chance de surpreender.

Sua estratégia se resume ao se­guinte tripé: 1) Um programa de governo de peso, com pessoas respeitadas e competentes. “Va­mos ter o melhor programa, dis­parado, explicando tudo, o que vamos fazer, assentado princi­palmente no desenvolvimento e no crescimento econômico vigo-roso, contínuo e sustentável”; 2) Propaganda eleitoral focada na internet. “É a primeira eleição no Brasil que a internet vai fazer toda diferença”; 3) E um ex-ministro do TSE como assessor jurídico; “Para garantir os meus direitos constitucionais como participar de debates na TV”. Independen­te da confiança da candidata, o que ela apresenta com certe­za vai fazer com que a disputa eleitoral levante o nível do debate e também vai ajudar a garantir o segundo turno. Veja a seguir a entrevista com Ana Maria Rangel:

Os partidos pequenos normal­mente são usados como par­tidos de aluguel, para atacar adversários, não dispondo de credibilidade nem tempo de propaganda eleitoral. Como os eleitores vão conhecer e levar a sério a sua candida­tura? Em primeiro lugar quero dizer que não é uma aventura. Sei que é uma luta de David con­tra Golias, mas acredito no que estou fazendo, vejo claramente que a população quer mudanças de verdade, não apenas no dis­curso. Os políticos tradicionais perderam a noção da realidade porque estão há muito tempo no poder. Não perceberam que o mundo mudou.

Se o mundo árabe derrubou ditaduras a partir de uma faísca de indignação, com uma prisão injusta numa fei­ra, porque aqui não pode-mos mudar dentro das regras democráticas? A começar pelo partido, temos espaço para isso. O Pen51 é diferente e, por causa do número, trata-se de uma boa ideia (risos). Se não fosse dife-rente, não me aceitariam como pré-candidata. Quem criou foi um empresário mineiro, que mora em Ribeirão Preto, cansado de tudo isso. Ele quer produzir, gerar im­postos, ser útil à sociedade, mas o governo não ajuda, ao contrário, só atrapalha. Ele não quer um par­tido contaminado, quer se cercar de pessoas do bem, cidadãos que aspiram um país melhor. Nos­sa campanha não vai ficar ata­cando ninguém, nem discutindo o passado, vamos ter propostas concretas, claras, sem enrolação, com data para acontecer, expli­cando como vamos viabilizar cada uma delas. O desenvolvimento e o crescimento econômico com taxas vigorosas, contínuo e sus­tentável é uma de nossas premis­sas básicas. Em pouco tempo os eleitores vão perceber tratar-se de uma candidatura séria, com uma proposta surpreendente, consis­tente e, com isso, com certeza vamos ganhar espaço para as nossas ideias na mídia e junto aos eleitores.

Cite um exemplo? Vou citar um exemplo simples. De acordo com o Banco Mundial, o Bra­sil ocupa a 4ª posição entre os países que mais tempo demora para se abrir uma empresa, per­dendo apenas para o Suriname, Guiné Equatorial e Venezuela. Para abrir uma empresa no Brasil leva-se 104 dias e, para fechar, demora-se até anos. Quando o pequeno empresário consegue abrir o seu negócio, já começa pagando altos impostos, apesar das desonerações do setor. Nossa gente é empreendedora, criativa, inventiva em soluções fantásticas que poderiam gerar enormes benefícios, empregos, qualidade de vida. Esse potencial é esmagado pela falta de flexibli­dade, agilidade e incentivos do governo. Nossa proposta é clara, dentro de um ano será possível abrir uma empresa pela internet em poucos dias, com isenção de impostos para micro e pequenas empresas nos primeiros anos. E são esses pequenos empresári­os e empreendedores que terão crédito. Isso começa no primeiro dia de governo, com medida pro­visória, onde se estabelece o pra­zo para fazermos as mudanças. Temos que apostar em quem vai produzir e gerar empregos. Não só os pequenos empresári­os, mas os médios, grandes e gigantes também. Todas as em­presas que querem produzir e crescer precisam de no mínimo um Estado eficiente, não se pode apenas beneficiar os amigos do rei. Com renda melhor uma família terá condições de desfru­tar de saúde e educação, porque com fome ninguém vai conseguir nem estudar. A renda também traz estrutura familiar, o que ainda ajuda a combater a violência, que começa em casa. Mas este é um só um exemplo da Reforma do Estado que planejamos, que será ampla, estrutural.

Quais são estas mudanças? Simplificar, desburocratizar e me-xer nos impostos é uma mudança estrutural. O governo gasta muito e mal, além da corrupção desen­freada. Conheço dezenas de em­presários brasileiros e estrangeiros que deixaram de investir no Bra­sil por causa de várias barreiras. Primeiro, a complexidade da le-gislação fiscal e a burocracia, de­pois os “pedágios” para liberar o negócio, e ainda o impostos avas­saladores. Portanto, a primeira tarefa é simplificar e desburocra­tizar o máximo possível, na era da informática temos que fazer tudo pela internet, no menor tempo, o mais rápido possível. Estamos tão atrasados, defasados, estamos perdendo investimentos até para a Argentina, que está um caos, enfrentando sérias dificuldades. Muitas indústrias que iam se insta­lar aqui foram para lá. Precisamos recuperar a indústria nacional, que atualmente é responsável por apenas 24,9% do PIB brasileiro, e a tendência é de queda, perdendo espaço para o setor de serviços. Não podemos mais exportar ape­nas commodities para importar de volta os produtos industrializados. Assim nunca vamos chegar a lu­gar nenhum. Precisamos investir pesado na inovação, em tecno­logia e no empreendedorismo industrial para que fabriquemos aqui mesmo no país produtos de qualidade, gerando mais em­pregos e mais renda, e para que sejamos mais competitivos no mercado internacional, ou nosso crescimento permanecerá es­tagnado, pífio, medíocre e insu­ficiente para atender à demanda da sociedade, para tirar verda­deiramente milhões de pessoas da pobreza, de forma definitiva. Para isso, temos que fazer uma reforma tributária séria, moderna, mais justa e vamos expor isso no programa de governo detalhada­mente como vamos fazer. Para trazer investimentos temos que ter uma infraestrutura impecável, o que não foi feito nos últimos anos. Para isso, temos que não só buscar o capital estrangeiro, mas como o capital nacional que está lá fora, dando incentivos para voltar ao país. Se os próprios bra­sileiros não estão apostando no país, como o capital internacional vai apostar?

Como vai fazer para trazer este capital de volta? Foi como eu disse, condições favoráveis, de incentivo, impostos adequa­dos, e principalmente infraestru­tura, sem promover quebras de contratos nem mudando sempre a legislação. É preciso recuperar a confiança no Brasil e entendo que precisamos de uma políti­ca econômica clara, de respon-sabilidade fiscal e de autonomia do Banco Central. O Estado não tem que ser grande como hoje, e nem mínimo, mas adequado ao que precisamos e, acima de tudo, eficiente. A maioria dos fun­cionários públicos não tem carrei­ra, incentivo, reciclagem, temos que dar melhores condições de trabalho para termos condições de cobrar resultados. A clareza da política econômica se estende às agências reguladoras, que foram politizadas nos últimos anos. Va­mos profissionalizá-las verdadeira­mente, não serão cargos políticos, vamos trocar pessoas políticas por técnicos competentes e espe­cialistas nas áreas, criar mecanis­mos de auditoria, vigilância, com participação também da socie­dade civil, para que eles funcio­nem bem. Se funcionassem bem, não teríamos problemas graves como, por exemplo, de telefonia e de energia que temos hoje. Al­guns países como a Espanha re­cuperaram a economia com uma política de retorno de capital dos próprios cidadãos, desde que não seja oriundo da corrupção ou de outros crimes como o tráfico de drogas. Estima-se que haja no exterior cerca de US$ 300 bi-lhões de recursos pertencentes a brasileiros, que poderiam estar aqui gerando desenvolvimento, riquezas e empregos. Imagina se

 

Todas as empresas que querem produzir e crescer precisam de no mínimo um Estado eficiente, não se pode apenas beneficiar os amigos do rei.

a gente consegue trazer 1/3 desse dinheiro para investir aqui, seria uma revolução econômica. E a gente tem um projeto concreto para isso.

A senhora está falando de mui­tas mudanças, que são profun­das. Como um partido pequeno faria esta mudança sem apoio no Congresso? O Brasil precisa urgentemente de mudanças pro­fundas, sem sustos e revoluções, tudo é uma questão de planeja­mento, transparência, exatamente como estamos construindo o nos­so plano de governo. Nele a gen­te explica as principais metas, de como vamos implantar as nossas propostas, e em qual prazo. Não queremos apenas reavivar a espe­rança do brasileiro, vender ilusões como sempre fize-ram, estamos mostrando o quê, porque, quando e como vamos fazer. Vamos mais longe, empresas estatais como a Petrobras terão um quadro míni­mo vindo de fora da empresa, os executivos e seus assessores não podem continuar sendo políticos, mas serão sugeridos à Presidente da República por uma equipe de headhunters reconhecida no mer­cado, vamos buscar no Brasil ou no mundo inteiro os melhores exe-cutivos do setor petrolífero para recuperar a Petrobras, que precisa voltar a ser uma das maiores em­presas internacionais, tornando-se de fato auto-suficiente e enchendo de orgulho os brasileiros. Esse pro­cedimento será comum a todas as empresas estatais. Ao profissionali-zar as agências vamos trazer com­petição à telefonia - no Brasil temos as tarifas mais ca-ras do mundo e um serviço ainda bastante distante do ideal. Se a Anatel (Agência Na­cional de Telecomunicações) fosse verdadeiramente profissionalizada isso não aconteceria. Vamos abrir e estimular o mercado da aviação regional, abri-lo para a iniciativa privada e construir novos aeropor­tos. Não queremos trazer instabi-lidade nem prejuízo para nenhum setor, pelo contrário, vamos res­gatar a estabilidade e a confiança no país, através de regras claras, equilibradas, dando a oportuni­dade das empresas ganharem, mas num ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, deixar o con­sumidor satisfeito. Tem alguém no Brasil feliz com a conexão da inter­net e a telefonia, que são altamente ins-táveis? Creio que não. E a ener-gia cara e instável também afasta investidores e prejudica consumi-dores. A mesma coisa acontece com os transportes e as rodovias, que estão uma verdadeira calami­dade. Os parâmetros que vamos usar sempre são os internacionais, temos que colocar o Brasil nos tri-lhos do desenvolvimento de novo, em muitos setores estamos atrasa­dos um século em relação a alguns países. A inovação tecnológica que temos é insuficiente para compe­tir. Precisamos recuperar e temos a fórmula para isso. O lema de JK era 50 anos em 5; o nosso é avançar 100 anos numa gestão.

Mas a senhora não respondeu ainda sobre como conseguir mudanças no Congresso? Co-mo eu disse, o nosso programa é claro, temos na nossa equipe pessoas altamente competentes, e várias outras pessoas de bem deste país que estão agregando à nossa companha. Por isso, o programa está ficando cada vez melhor. As pessoas de bem neste país estão fartas de tanta sujeira, de tanta corrupção e incompetên­cia. Não precisamos de ser gênios para nada, temos as soluções aí na sociedade, nas associações, empresas, sindicatos sérios, e tan­tos outras entidades da sociedade civil. Precisamos pegar o que têm de melhor e aplicar, partir para a ação. Vamos também aprovei-tar as melhores experiências históricas, desde aquelas muito bem-sucedidas na época de JK quanto as internacionais, porque queremos avançar, crescer e nos desenvolver. Vamos crescer aci­ma da média mundial. A nossa proposta pressupõe transformar o Brasil em uma Nação desen­volvida e essa será a nossa maior e principal meta! Quando um pre-sidente é eleito, ele toma posse como muita força eleitoral. Por­tanto, nós vamos começar a tra­balhar logo no primeiro dia, com metas para cada ministro; vamos reduzir dos atuais, e absurdos, 39 ministérios para 15 – dos quais 3 serão extraordinários e cuidarão do cumprimento das grandes metas. Então eles terão um prazo para implantar essas mudanças, e vamos decretar medidas pro­visórias para os projetos propos­tos na campanhas. E trabalhar para concretizá-las no prazo de­terminado.

A senhora está dizendo que vai profissionalizar as empre­sas estatais, trazer os melho-res quadros. Como os políti­cos vão aceitar ficar de fora? A partir do momento que um presi­dente é eleito, os eleitores fizeram uma escolha. A nossa proposta é clara, profissionalizar o serviço público, trazer poucas pessoas de fora, os melhores do país e até do mundo. Vamos propor aos deputados e senadores de cada estado, independente do partido, que acompanhem as mudanças, os projetos, os investimentos, que o governo federal vai fazer. Eles próprios se sentem humilhados de tanto descaso, para conseguir al­guma coisa ficam rodando Brasília com um pires na mão, muitas ve-zes são praticamente obrigados a aceitar condições, digamos, não republicanas para liberar um pro­jeto. O que eles querem é retribuir som a forma de serviços para o seu eleitor, querem ser reeleitos. Os nossos projetos irão de encon­tro com os anseios deles, porque vamos fazer, verdadeiramente, uma revolução urbana e de in­fraestrutura neste nosso país e, consequentemente, eles poderão participar deste processo como legisladores e terão o seu crédito também. É preciso entender que o eleitor não aceita essa política velha de toma-lá-dá-cá. Esta era chegou ao fim, a sociedade não aceita mais. As pessoas estão indo para a rua, protestando, o judiciário mesmo lento e também precisando de reformas urgentes, está reagindo. O Congresso vai reagir e responder à sociedade se adaptando aos novos tempos. O exemplo começa de cima num governo.

Não é muito pretensão acredi­tar que pode ser eleita? De for­ma nenhuma, sou brasileira nata, uma cidadã que sempre cumpriu com os seus deveres, tenho direito a me candidatar como qualquer pessoa neste país. Tenho o di­reito de acreditar, assim como o brasileiro tem o direito de acredi-tar e mudar. Porque temos que aceitar os partidos grandes como legítimos, se eles se mostraram praticamente iguais, ilegítimos em suas ações, atitudes que a popu­lação rechaça, não aguenta mais? Político hoje no Brasil virou sinôni-mo de ladrão! Tenho uma equipe de alto nível e vamos agregar mais pessoas à medida que o tempo avançar. Assim que a candidatu­ra for ratificada pelo partido em nossa convenção, mostraremos a nossa seriedade e capacidade, porque não adianta apenas ser honesto, mas competente, se cer­car de pessoas competentes, e ter projetos viáveis, lúcidos, trans­parentes e reais, prontos para ser implantados. A grande diferença desta eleição é a internet. Antes a campanha eleitoral era muito cara, não tinha tantas leis punitivas de caixa dois, hoje não depende mais só da TV e da grande mídia para se eleger. Se não fosse a inter­net, Obama não seria eleito. Ele, apesar dele ter sido senador, não fazia parte da elite americana, não fazia parte do status quo político, pelo contrário, era um legítimo ci­dadão que veio do povo, estudou com bolsa, fez estágio, trabalhou muito. O eleitorado americano estava maduro para elegê-lo, e o eleitorado brasileiro está maduro para eleger um cidadão verda­deiro, que está ligado aos valores de ética, mérito, honestidade, competitividade, investimentos, liberdade de pensamento e de im­prensa, direitos civis.

A senhora disse que militou como voluntária em ações sociais, como foi isso? Mes­mo com as responsabilidades de empresária, mãe de dois filhos, nunca deixei de trabalhar como voluntária na Sociedade de São Vicente de Paulo, os Vicentinos, e entidades beneficentes de defesa dos direitos dos imigrantes e tam­bém de promoção de dignidade da vida humana. São entidades filantrópicas ligadas à Igreja Católi­ca. O Papa Francisco, aliás, disse recentemente que a política é uma das formas mais elevadas da cari­dade cristã, porque visa o bem comum. O Papa está trazendo de volta os verdadeiros valores cris­tãos para o catolicismo. Eu não tenho vergonha ou constrangi­mento como muitos políticos de dizer que sou Católica, que vou à missa, tenho fé. Muitos não que-rem admitir para não perder apoio dos evangélicos. Não tem nada a ver. Estamos num Estado laico, o mundo sofreu muito por juntar religião e política, muitas guerras e perseguições. Defendo a liber­dade religiosa, o direito de esco- lher a religião, agora é essencial que se tenha ética, respeito, ho-nestidade, dedicação verdadeira ao próximo, e isso a gente apren­de principalmente na religião.

Como a senhora entrou na política, qual é a sua formação, profissão, família? A senho­ra disse que é empresária, de qual setor, conte-nos sobre a sua empresa. Em 2006 eu ten­tei ser candidata à Presidência da República e não consegui de imediato, porque o presidente do partido em que eu estava filiada àquela época acabou me pedin­do dinheiro, como pessoa física. Denunciei e fui perseguida por isso, apenas duas semanas antes da eleição consegui na Justiça o direito de disputar, mas era tarde demais, não deu tempo. Mesmo assim fiquei em primeiro lugar dentre os candidatos dos partidos pequenos. Deixei de lado a políti­ca, mas nunca a esperança de um Brasil melhor. Mas agora o país perdeu o rumo, perdemos opor­tunidades únicas na última déca­da e o Brasil não cresceu, andou para trás. Ninguém pode aceitar isso, eu não aceito, por isso es­tou aqui, vou à luta. A vida é feita de sonhos, os países se trans­formam em função dos sonhos dos seus habitantes, e o brasileiro quer essa mudança, mas não em cima de promessas falsas, o que estou apresentando é concreto, real. Uma programa de governo como ninguém tem. Eu fui morar nos Estados Unidos porque casei, porque também não tinha muitas oportunidades aqui no Brasil. Lá me formei como Cientista Política na Universidade Oglethorpe, em Atlanta. Depois trabalhei com um renomado professor nos Estados Unidos, Joseph Knippenberg; fazíamos estudos e dávamos palestras sobre o Brasil. Depois, tive uma empresa no setor de transportes rodoviários nos Esta­dos Unidos por 14 anos. Foi im­portante, aprendi muito, porque é um país que deu certo. Até os imigrantes conseguem prosperar. No Brasil tudo é mais difícil. Hoje, eu vejo aqui as nossas estradas e fico absolutamente indignada e chocada, assim também com a falta de infraestrutura, com o baixo nível do ensino, com a fal­ta de política industrial, falta de planejamento, com a corrupção, com o desperdício de oportuni­dades seguidas que o país...ah é tanta coisa errada e que piorou nos últimos anos, até a inflação está voltando. Mas vamos rever-ter tudo isso, é um país rico e um povo nobre, falta apenas um go-verno de verdade, de qualidade. É por esta indignação que estou me apresentando como candidata. Eu acredito no Brasil.

 

Vamos resgatar a estabilidade e a confiança no país, através de regras claras, equilibradas, dando a oportunidade das empresas ganharem, mas num ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, deixar o consumidor satisfeito.

 

Os países se transformam em função dos sonhos dos seus habitantes, e o brasileiro quer essa mudança, mas não em cima de promessas falsas, o que estou apresentando é concreto, real.

Siga o Mercado Comum