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A recessão econômica brasileira acabou?

21 Dezembro 2017

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
Bacharel em Administração, Ciências Contábeis e Econômicas.
Presidente da ASSEMG-Associação dos Economistas de
Minas Gerais e do Conselho de Administração do IBEF-Minas;
Presidente/Editor-Geral de MercadoComum

A recessão econômica brasileira acabou?

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografiae Esta-tística divulgou, em 1º de dezembro, os números relati-vos ao desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre de 2017, registrando-se crescimento do PIB--Produto Interno Bruto de 1,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. É o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2014, deixando o terreno negativo pelo terceiro trimestre consecutivo. Com esse resulta-do, o país deixa a recessão para trás, entrando numa nova trajetória de expansão da economia. 

Apesar de modestos, os resultados alcançados melhoram o ambiente de negócios e de investimentos, propiciando uma substancial elevação das expectativas e de cenários mais promissores.

Assim, logo após a divulgação do PIB referen-te ao terceiro trimestre, o Relatório Focus do Banco Central de 04 de dezembro passou a evidenciar ritmo mais forte de crescimento da economia brasileira para os próximos anos, indicando que o mercado financeio passou a revisar as perspectivas de crescimento para 2017 e 2018 – apostando em desempenho bem me-lhor do que anteriormente – em um claro sintoma da recuperação antecipada pelos indicadores de confia-ça, bem como pela revisão dos dados anteriormente divulgados.

De acordo com o Focus, do ponto de vista da atividade econômica, o PIB do terceiro trimestre (e a revisão dos trimestres anteriores) indica melhora da perspectiva de crescimento no curto prazo. Para 2017, o mercado projeta crescimento de 0,89% (era de 0,73% há quatro semanas), enquanto para 2018 se projeta ex-pansão de 2,60% (era 2,50% há quatro semanas).

Cabe mencionar que as projeções do FMI-Fun-do Monetário Internacional para a economia nacional – de acordo com o documento intitulado World Eco-nomic Outlook divulgado em outubro apontava, para a economia brasileira, uma expansão de 0,75% em 2017 – destacando-se, simultaneamente, um crescimento do PIB mundial de 3,62%.

As novas estimativas de crescimento do PIB--Produto Interno Bruto de 2017 apontam para uma expansão entre 0,75% a 1,25%. As projeções do FMI--Fundo Monetário Internacional que são bem conserva-doras – porém as que mais tem acertado nestes últimos anos  – prevê expansão de 0,75% do PIB brasileiro para este ano – ressaltando-se que foram realizadas antes das revisões dos cálculos ora divulgados pelo IBGE. 

Alguns economistas afirmamque, com a recen-te revisão de números feita pelo IBGE, a recessão de 2014-16 deixou de ser a mais aguda já medida no país.  Essa marca havia sido estabelecida pelo Codace, um comitê de economistas abrigado na Fundação Getúlio Vargas que se dedica a determinar a duração e a in-tensidade dos ciclos econômicos.  A diferença está na casa depois da vírgula. 

Em outubro, o grupo calculou que a crise mais recente havia durado 11 trimestres –igualando o recor-de de 1989-92– e provocado uma queda do Produto Interno Bruto de 8,6%, um pouco maior que os 8,5% de 1981-83. 

O percentual foi apurado com base na série his-tórica de evolução do PIB divulgada um mês antes. Esses dados, porém, passam por reavaliações e ajustes periódicos, como aconteceu agora. 

 

De acordo com matéria da Folha de São Pau-lo, de 01.12.2017, “Com as novas contas do IBGE, o desempenho do Brasil no ano passado passou a pare-cer ligeiramente menos trágico –uma queda do PIB de 3,5%, em vez dos 3,6% medidos anteriormente.

No início de novembro, também já havia muda-do a medida da retração de 2015, de 3,8% para 3,5%.

Dessa maneira, as novas estatísticas oficiai apontam que, do segundo trimestre de 2014 ao últi-mo de 2016, a produção e a renda do país encolheram 8,2%. 

Mesmo antes dessa revisão, o epíteto de “maior recessão da história” já se mostrava questionável.

Em primeiro lugar, porque só há valores do PIB detalhados por trimestre a partir dos anos 1980. Mesmo cifras anuais só começaram a ser calculadas na década de 1940.

Adicionalmente, a metodologia de apuração passou por consideráveis mudanças nos últimos anos, tornando as comparações imprecisas.

Por fim,na recessão de 1981-83, provocada pela explosão da dívida externa brasileira, a taxa de crescimento da população era bem superior à atual –ou seja, a queda da renda por habitante era igualmente mais acentuada. 

É indiscutível, de todo modo, que quatro gran-des recessões se destacam na história do país desde o século 20.

A de 1930-31, decorrente da Grande Depressão norte-americana, enfraqueceu a oligarquia agrária e marcou o fim da República elha.

Na crise da dívida externa, intensificaram-seas pressões pelo encerramento da ditadura militar; as contrações de 1989-92 e 2014-16 contribuíram decisi-vamente para a derrocada dos governos de, respectiva-mente, Fernando Collor e Dilma Rousseff”.

“Segundo o FMI-Fundo Monetário Nacional, as perspectivas em relação ao desempenho da economia brasileira não são nada boas quando olhamos um pouco mais à frente rumo, por exemplo, ao período compreendido entre os anos de 2017 a 2022. De acordo com as projeções desse organismo, o PIB brasileiro deverá registrar, no acumulado do referido período, crescimento de apenas 8,3% - contra 14,3% da América Latina; 33,4% dos países emergentes”

SÍNDROME DO RAQUITISMO ECONÔMICO – 

Os dados divulgados pelo IBGE revelam, sim, que o país não se encontra mais em recessão econô-mica, mas ainda está muito distante de um voo em céu de brigadeiro – recordando que as reformas estruturais continuam imprescindíveis, insubstituíveis e inadiáveis por mais tempo – caso contrário, a crise econômica persistirá e impedirá o desenvolvimento do país – oca-sionando surtos esporádicos de expansão econômica, como autênticos voos de galinha. As estatísticas eco-nômicas atuais simplesmente sinalizam que deixamos de andar para trás, adiantando-nos um pouco à frente, em passos tímidos quando a questão considerada for o crescimento econômico vigoroso e consistente. 

A estimativa de crescimento do PIB-Produto Interno Bruto de 2017 aponta para uma expansão en-tre 0,75% a 1,25% - repetindo que isso ocorre em um ambiente em que a economia mundial deverá crescer, segundo o FMI, em torno de 3,60%. No entanto, qual-quer que seja o resultado alcançado pode-se, desde já, considerá-lo pífioe medíocre – um verdadeiro pibículo (mistura de PIB com ridículo), uma vez que a população brasileira deverá registrar crescimento de 0,78% neste ano. Mesmo com as projeções otimistas indicando uma expansão de PIB de 3,0% em 2018 – esse resultado se alcançado será ainda bem inferior às projeções quanto ao crescimento do PIB mundial, estimado em 3,71% para aquele ano.

O Brasil termina 2017 atingindo o sétimo ano consecutivo em que a economia nacional contabiliza taxas de crescimento inferiores à média mundial.

No século passado, até o meado dos anos 1980, o Brasil foi um dos países que mais cresceu e, alguns períodos, ficaramconhecidos como “Pleno Desenvolvi-mento (JK)” e  “Milagre Brasileiro”.

O Brasil já, por três décadas é um dos países que menos cresce no mundo.

Porque? A resposta é simples: desaprendemos o que é crescer de forma vigorosa, continua, consis-tente e sustentável. A máquina do crescimento econô-mico brasileiro está enferrujada e quebrada. A obses-siva busca pela estabilização monetária vem retirando qualquer norte, qualquer referencial em torno do desenvolvimento nacional – que há muito deixou de ser uma prioridade para o país – mergulhado tão-somente nas suas questões meramente conjunturais.

Vejamos o que acontece nestes três últimos anos (2014/2017): enquanto o PIB mundial registra ex-pansão acumulada de 10,6% - a economia brasileira deverá contabilizar uma retração, no mesmo período, de 6,2%. Durante este século XXI – 2001 a 2017 já é grande a diferença que nos separa em relação ao mun-do como um todo – quando a economia global avan-çou, no acumulado 87,8% e a brasileira, apenas 47,7%.

No trimestre de agosto a outubro de 2017, havia aproximadamente 12,7 milhões de pessoas desocu-padas no Brasil. Este contingente apresentou queda de 586 mil pessoas frente ao trimestre de abril a julho de 2017, quando a desocupação foi estimada em 13,3 mi-lhões de pessoas. No confronto com igual trimestre do ano passado, o pessoal desocupado subiu 5,8% (menor ritmo de expansão desde nov/14), significandoum adicional de 698 mil pessoas desocupadas na força de trabalho.

Cabe um alerta: país que não cresce é país con-denado à pobreza, às desigualdades sociais e ao sub-desenvolvimento, considerados os maiores inimigos da democracia.

Segundo o FMI-Fundo Monetário Nacional, as perspectivas em relação ao desempenho da economia brasileira não são nada boas quando olhamos um pou-co mais à frente rumo, por exemplo, ao período compreendido entre os anos de 2017 a 2022. De acordo com as projeções desse organismo, o PIB brasileiro deverá registrar, no acumulado do referido período, crescimento de apenas 8,3% - contra 14,3% da América Latina; 33,4% dos países emergentes (e dos quais o Brasil também é considerado integrante) e 24,4% da média mundial. Ou seja, confirmadosesses indicadores de desempenho das economias, a brasileira deverá alcançar o equivalente a apenas um 1/3 da média mundial – o que é absolutamente lamentável. E há um outro importante detalhe: a renda per capita dos brasileiros em 2022, em dólares norte-americanos, ainda será inferior àquela verificada no ano de 2011.

O crescimento econômico vigoroso deve deixar de ser apenas uma casualidade, uma questão episódica, uma efemeridade, um acontecimento meramente fortuito para se transformar, efetivamente, na grande meta econômica nacional, permeando a convolação do País em uma economia madura e desenvolvida. 

A deterioração das contas públicas brasileira a partir de 2015 é simplesmente alarmante.

Durante estes três anos – 2015, 2016 e 2016 os gastos com juros no pagamento da dívida bruta bra-sileira totalizaram cerca de US$ 380 bilhões – tendo a mesma saltado de 56,3% do PIB-Produto Interno Bruto ao finalde 2014, para 76,1% - estimada para o fina de 2017.

Os juros sobre a dívida pública representam a 2ª maior despesa do governo, só perdendo para os bene-fícios previdenciários. Nesse mesmo período, o défici nominal acumulado das contas públicas representou cerca de US$ 485 bilhões.

A “descarga” tributária, já elevadíssima - considerando-se o déficitnominal apurado deverá situar-se em torno de 42,0% do PIB – isso significandoque de cada R$ 100,00 produzidos pela economia - R$ 42,00 estão sendo literalmente confiscadospelo governo. A cada ano, se nada for feito, o déficitanual da Previdência Social aumentará em torno de 5% e, em 2018, poderá significar um ombo de R$ 193 bilhões.Considero oportuno rememorar algumas cita-ções do presidente Juscelino Kubitschek:

1 -“Impõe-se, portanto, a conclusão de que, num país como o nosso, não somente as peculiarida-des geográficase humanas, mas também os dados acerca da evolução econômica indicam o desenvolvi-mento acelerado como o único caminho de salvação. Nenhuma política será legítima, se não objetivar, com caráter prioritário, o desenvolvimento. É esta uma di-retriz que já nenhum governo poderá abandonar no Brasil.”

2 – “Não podemos pedir – seria inútil o pedido e inatendível – que os brasileiros esperem mais alguns decênios por um nível econômico e social que lhes torne a vida mais digna de ser vivida. Ou criamos rapidamente essas condições, num esforço acelerado, pela política de desenvolvimento, por sucessivas contrações de cinquenta anos em cinco, ou a gesta-ção demorada dos benefícios da justiça social levará o povo a apressar como quiser a fonte desse fruto. O roteiro para o porto seguro, no qual será encontrado o entendimento mútuo, foi o que segui em meu governo: a estrada larga do desenvolvimento. Somente adotando o progresso rápido como forma de pacificaçã social, construiremos à maneira moderna uma grande nação”. 3 – “A necessidade da aceleração do desenvolvimento, a urgência do desenvolvimento é uma contingência da hora que atravessamos, tão particularmente perigosa para os países nas condições do nosso – de imensas proporções geográficas,com sensível e grave desnível de fortuna entre as diversificadasregiões que o compõem”.

O Brasil de hoje precisa se reconciliar com o desenvolvimento e o crescimento econômico vigoroso.

É importante, porém,  ressaltar dois equívocos, que, em minha opinião, têm permeado as políticas econômicas do País, e que, se persistirem, obstruirão inapelavelmente qualquer tentativa de relançamento da economia brasileira de volta ao caminho do desen-volvimento.

O primeiro deles diz respeito à crença de que a estabilidade econômica é condição prévia à retomada do desenvolvimento do País. Primeiro a estabilidade, só depois o desenvolvimento. Sendo assim, as políti-cas de estabilização assumem um caráter de primazia absoluta, subordinando e sufocando todas as outras políticas. Apequena-se a política econômica, amesquinham-se os objetivos para a economia do País. E já lá já se vão mais de três décadas de busca inglória da miragem da estabilidade”.

Evidentemente, ninguém em sã consciência há de negar a necessidade das economias nacionais ostentarem bons e saudáveis fundamentos macroeconômicos. Não se trata disso! No entanto, o caminho da estabilidade deve ser concebido e implementado no bojo de uma política de desenvolvimento para o País. A estabilidade não precede o desenvolvimento, ao contrário, é a estratégia de desenvolvimento do País que deve, simultaneamente, orientar e contextualizar as opções da política macroeconômica. Até porque, ao contrário do que se costuma propagar, os caminhos possíveis para se alcançar a estabilidade econômica são vários.

IBGE divulga dados sobre o PIB brasileiro do 3º trimestre de 2017

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografiae Esta-tística divulgou, em 1º de dezembro último, os resulta-dos relativos ao desempenho da economia brasileira do 3º trimestre de 2017, o qual publicamos a seguir – ressaltando que, como é usual na divulgação das contas nacionais do terceiro trimestre, nelas também se inclui a revisão da série incorporando informações relativas às pesquisas anuais do ano anterior, entre outros ajustes.

Com esta revisão, o PIB de 2016 se retraiu 3,5% e não 3,6%, como anteriormente divulgado. Mas, as principais mudanças ocorreram nos primeiros dois tri-mestres de 2017: o primeiro trimestre, ao invés de testemunhar queda de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado, ficou estável; o segundo trimestre, por sua vez, cresceu 0,4% e não 0,3.

O consumo das famílias cresceu 1,2% nesta comparação, enquanto os investimentos (formação bruta de capital fixo)cresceram 1,6%. Foi o primeiro crescimento dos investimentos após 15 trimestres seguidos de queda ou estabilidade. Já o consumo do governo caiu -0,2%.

Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 1,641 trilhão, sendo R$ 1,415 trilhão de valor adicionado a preços básicos e R$ 225,8 bilhões de impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

O Produto Interno Bruto (PIB) variou 0,1% no 3º trimestre de 2017 frente ao 2º trimestre de 2017, na série com ajuste sazonal. Em relação a igual período de 2016, o crescimento foi de 1,4%. No acumulado em quatro trimestres terminados no 3º trimestre de 2017, o PIB registrou queda de 0,2%, frente aos quatro tri-mestres imediatamente anteriores. Já o acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB cresceu 0,6%, em relação a igual período de 2016.

PIB VARIA 0,1% EM RELAÇÃO AO 2º TRI E CHEGA A R$ 1,641 TRILHÃO 

O Produto Interno Bruto (PIB) variou 0,1% no 3º trimestre de 2017 frente ao 2º trimestre de 2017, na série com ajuste sazonal. Em relação a igual período de 2016, o crescimento foi de 1,4%. No acumulado em quatro trimestres terminados no 3º trimestre de 2017, o PIB registrou queda de 0,2%, frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Já acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB cresceu 0,6%, em relação a igual período de 2016.

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 1,641 trilhão, no 3º trimestre de 2017, sendo R$ 1,416 trilhões referentes ao Valor Adicionado e R$ 225,8 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

As informações completas sobre as Contas Trimestrais podem ser acessadas aqui.

PIB CRESCE 0,1% EM RELAÇÃO AO TRIMESTRE ANTERIOR 

O PIB manteve-se praticamente estável (variação positiva de 0,1%) na comparação do 3º trimestre de 2017 contra o 2º trimestre do ano, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. A Agropecuária registrou queda de 3,0%, a Indústria teve crescimento de 0,8% e os Serviços aumentaram em 0,6%.

Dentre as atividades industriais, houve crescimento de 1,4% nas Indústrias de transformação e variação positiva de 0,2% nas Indústrias extrativas. As demais mantiveram-se praticamente estáveis: Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,1%) e Construção (0,0%).

Nos Serviços, apresentaram resultado positivo o Comércio (1,6%), as Atividades imobiliárias (0,9%), as Outras atividades de serviços (0,2%) e a Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,2%). Atividades financeiras,de seguros e serviços re-lacionados (0,1%), Transporte, armazenagem e correio (0,0%) e Informação e comunicação (-0,1%) registraram estabilidade.

EM RELAÇÃO AO MESMO TRIMESTRE DO ANO ANTERIOR, PIB CRESCE 1,4%

Quando comparado a igual período do ano an-terior, o PIB apresentou expansão de 1,4% no terceiro trimestre de 2017. O Valor Adicionado a preços básicos teve aumento de 1,2% e os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios cresceram 2,5%.

Dentre as atividades que contribuem para a geração do Valor Adicionado, a Agropecuária registrou crescimento de 9,1% em relação a igual período do ano anterior. Este resultado pode ser explicado, principalmente, pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no terceiro trimestre e pela produtividade, visível na estimativa de variação da quantidade produzida em relação à área plantada.

Conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), divulgado no mês de novembro, o crescimento na estimativa de produção anual e ganho de produtividade de culturas com safras relevantes nesse trimestre, como milho (54,9%), algodão herbáceo (10,7%) e laranja (0,1%) suplantou o fraco desempenho de culturas como, por exemplo, cana de açúcar (-6,8%), café (-7,9%) e mandioca (-1,8%). As estimativas para Pecuária e Produção Florestal apontaram um desempenho positivo no período analisado.

A Indústria registrou variação positiva de 0,4%. As Indústrias de transformação apresentaram crescimento de 2,4%. O seu resultado foi influenciado,prin-cipalmente, pelo aumento da produção de alimentos; veículos automotivos; equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos; móveis e indústrias diversas; e máquinas e equipamentos.

A Construção apresentou redução no volume do valor adicionado: -4,7%. Já as Indústrias extrativas se expandiram em 2,4% em relação ao terceiro trimestre de 2016, puxada pelo crescimento da extração de minérios ferrosos. A atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, por sua vez, registrou variação positiva de 0,2%.

O valor adicionado de Serviços teve expansão de 1,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para o crescimento de 3,8% do Comércio (atacadista e varejista), seguido por Atividades imobiliárias (2,1%), Transporte, armazenagem e correio (1,9%) e Outras atividades de serviços (1,2%). Apresentaram queda os Informação e comunicação (-3,0%) – atividade esta que inclui telecomunicações, atividades de TV, rádio e cinema, edição de jornais, livros e revistas, informática e demais serviços relaciona-dos às tecnologias da informação e comunicação (TICs) – e as atividades de Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,8%). Já Ati-vidades financeiras,de seguros e serviços relacionados registrou variação nula no trimestre.

DE JANEIRO A SETEMBRO, PIB ACUMULA AUMENTO 0,6%

O PIB no acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2017 cresceu 0,6% em relação a igual período de 2016. Nesta base de comparação, Agropecuária cresceu 14,5%, enquanto que Indústria (-0,9%) e Serviços (-0,2%) acumularam queda.

Dentre as atividades da Indústria, apenas Construção (-6,1%) acumula queda. As demais atividades industriais registram resultado positivo nesta base de comparação: Indústrias extrativas (5,9%), Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (1,3%) e Indústrias de transformação (0,3%).

Nos Serviços, as maiores quedas se deram em Informação e comunicação (-2,0%), Atividades finaceiras, de seguros e serviços relacionados (-1,8%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade (-0,9%). Transporte, armazenagem e correio também apresentou variação negativa: -0,2%. Já Comércio e Atividades imobiliárias cresceram, ambas, 0,8%, enquanto que a atividade Outras atividades de serviços variou positivamente em 0,2%.

Na análise da demanda interna, considerando o resultado acumulado do ano até setembro de 2017, destaca-se a queda de 3,6% da Formação Bruta de Ca-pital Fixo. A Despesa de Consumo das Famílias variou positivamente em 0,4%, enquanto que a Despesa de Consumo do Governo (-0,6%) acumula queda no ano. Analisando-se o setor externo, as Importações de Bens e Serviços apresentaram expansão de 3,9%, enquanto que as Exportações de Bens e Serviços cresceram 4,0%.

NO ACUMULADO EM QUATRO TRIMESTRES, PIB REGISTRA QUEDA DE 0,2%

O PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em setembro de 2017 apresentou variação negativa de 0,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Esta taxa resultou da variação negativa de 0,1% do Valor Adicionado a preços básicos e do recuo de 0,5% nos Impostos sobre Produtos Lí-quidos de Subsídios. O resultado do Valor Adicionado neste tipo de comparação decorreu dos seguintes desempenhos: Agropecuária (11,6%), Indústria (-1,4%) e Serviços (-0,8%).

Dentre as atividades industriais, Indústrias ex-trativas (5,4%) e Eletricidade e gás, água, esgoto, ati-vidades de gestão de resíduos (2,0%) apresentaram crescimento. As Indústrias de transformação sofreram contração de 0,6% e a Construção caiu 6,6%.

Já dentre os Serviços, apenas Atividades imobiliárias (0,7%) não teve variação negativa. Destaque para a contração de 2,5% de Informação e comunicação, seguido por Atividades financeiras,de seguros e serviços relacionados (-2,4%), Transporte, armazenagem e correio (-1,9%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade (-0,8%), Outras atividades de serviços (-0,5%) e Comércio (-0,3%). O Gráfico II.10 apresenta as taxas, por atividade, acumuladas nos quatro trimestres terminados em setembro de 2017.

Na análise da despesa, a Formação Bruta de Capital Fixo sofreu contração de 4,2%. A Despesa de Consumo das Famílias (-0,5%) e a Despesa de Consumo do Governo (-0,4%) também apresentaram variação negativa. Pelo nono trimestre em sequência, todos os componentes da demanda interna apresentam resultado negativo. Já no âmbito do setor externo, as Expor-tações de Bens e Serviços (1,1%) e as Importações de Bens e Serviços (2,7%) cresceram.

EM VALORES CORRENTES, PIB TOTALIZA R$ 1,641 TRILHÃO

O Produto Interno Bruto no terceiro trimestre de 2017 totalizou R$ 1,641 trilhão, sendo R$ 1,416 tri-lhão referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 225,8 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2017 foi de 16,1% do PIB, pouco abaixo do observado no mesmo período do ano anterior (16,3%). A taxa de poupança foi de 15,2% no terceiro trimestre de 2017 (ante 14,9% no mesmo período de 2016).

Considerando-se a Formação Bruta de Capital Fixo acumulada em quatro trimestres, a tendên-cia de queda da participação continua, tendo atingi-do 15,5%, o menor patamar desde o início da série histórica, em 1996. Como a FBCF deve demorar ainda muito a voltar a patamares mais elevados, por defin-ção o crescimento potencial do PIB vai sendo reduzido

REVISÃO DAS SÉRIES DAS CONTAS TRIMESTRAIS

As Contas Nacionais Trimestrais têm a rotina de, na divulgação do terceiro trimestre de cada ano, realizar uma revisão mais abrangente que incorpora os novos pesos das Contas Nacionais Anuais de dois anos antes, atualizações nas séries de dados adotadas e, se for o caso, aperfeiçoamentos metodológicos. O detalhamen-to dos principais pontos revistos pode ser encontrado na publicação completa das Contas Trimestrais.

A Tabela I.1 mostra a revisão, para o ano de 2016, das taxas de crescimento do PIB e seus principais componentes pelas óticas da oferta e da demanda.

Apresentamos, a seguir, os principais indicadores macroeconômicos do Brasil relativos aos anos de 2014 a 2016 (resultados efetivos) e as projeções para 2017 e 2017 elaborados por Rosenberg & Associados:

 

 

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