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O mercado de trabalho é extremamente sensível às crises de uma nação, e isto é um fato. Questões econômicas, desastres naturais, crises das mais variadas ordens como por exemplo a sanitária causada pela COVID-19 impactam diretamente questões relacionada a demissões e contratações. E como se já não bastasse isso tudo, alguns países adicionam instabilidade política à equação.

Historicamente o Brasil enfrentou diversas crises econômicas, entretanto, mesmo quando a economia dá uma trégua, questões relacionadas ao nosso contexto político impactam o mercado de trabalho. A polarização política, nossa falta de diálogo e convergência em relação às pautas importantes, desalinhamento entre os poderes e a questão da corrupção deixam os empresários locais e externos em estado de alerta, e portanto, inseguros para tomar decisões importantes como é o caso da contratação de executivos.

“Percebemos que os projetos em andamento perdem força, contratações são congeladas e até mesmo canceladas sempre que um “evento” político gera uma grande repercussão local ou global”, afirma Dani Verdugo, Headhunter que atua com Executive Search na THE Consulting.

O Novo Caged registrou criação de 131 mil novos postos de trabalho em julho. Nos próximos meses, a onda positiva poderá manter o ritmo de crescimento, ou desacelerar novamente a depender de como o cenário político se comportar.

Em países com maior estabilidade política, as empresas costumam seguir seus planos de médio e longo prazo com maior segurança. E neste sentido o círculo virtuoso entre política e economia acaba causando efeito benéfico na geração de novas posições de trabalho, bem como na manutenção dos empregos. No Brasil, à medida em que o cenário político demonstra fragilidade e incerteza, as decisões para realização de investimentos são adiadas, novos projetos perdem força e consequentemente as contratações são repensadas.

Um consenso mínimo na agenda econômica e de reformas estruturais é essencial para que possamos manter a retomada dos empregos formais nos próximos meses, e não perdermos tanto em desenvolvimento econômico após a pandemia.


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