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Roteiro para inesquecível para pós pandemia.

Em geral, o Sudeste da Ásia impressiona o turista ocidental pela tradição do budismo, pela riqueza de detalhes das construções e delicadeza dos hábitos de seu povo.

Uma vez ali, o viajante precisa preparar o espírito para se maravilhar com cenários realmente deslumbrantes. Mianmar (antiga Birmânia) é um desses lugares singulares, que nunca mais sairá de nossa memória.

Capital do reino de Mianmar entre os séculos XI e XIII, a cidade de Bagan apresenta as paisagens mais impressionantes do planeta.

Quando era capital do primeiro império birmanês, milhares de templos budistas foram construídos na região. Hoje existem ruínas de cerca de 2.200 templos distribuídos em uma área de 25 quilômetros quadrados.

Os templos são bem rústicos, quase sem cores e poucos adornos.  O que impressiona é a quantidade de templos misturados às pequenas vilas formando um cenário de edificações monumentais entre campos de cereais e legumes, cenário capaz de emocionar o viajante mais experiente. Por causa do regime político fechado de Mianmar, que isolou o país do restante do mundo, essa maravilha permaneceu escondida.

Como praticamente em todo Sudeste Asiático, história de Bagan está vinculada ao budismo. No ano de 1044, o rei Anawrahta tomou o trono à força e unificou grande parte da Birmânia. O fundamento religioso utilizado para a dominação foi o Budismo Theravada. O significado é Doutrina dos Sábios, a escola mais antiga e conservadora do budismo, que predominou por muitos séculos na Birmânia, Sri Lanka, Camboja, Laos, Tailândia e estendeu-se por todo o Sudeste Asiático.

Com essa doutrina imposta aos birmaneses, o rei unificou a população, começou a construir templos e a converter a população ao Budismo Theravada. Por 200 anos após a morte do rei, seus seguidores continuaram sua obra de unificação e mais templos foram construídos, seguindo sua vontade.

Até que, em 1287, a cidade foi invadida por Kublai Khan (filho de Gengis Khan, da Mongólia) que paralisou as construções. A partir da invasão, esse lugar maravilhoso ficou perdido no tempo.

Em 1975, um terremoto destruiu muito a região. Em 1990, já com visão estratégica e foco no turismo, o governo resolveu investir e reconstruir os monumentos.

Após uma ditadura militar sangrenta, Mianmar passou a ser um exemplo de abertura política convidando estrangeiros a descobrir este lugar que parece existir apenas em sonhos.

Atualmente, Bagan resgatou a importância religiosa e cultural da região graças ao turismo. O país recebe mais de um milhão de viajantes por ano (antes da pandemia) e o turismo está se tornando uma das principais fontes de recursos.

A melhor maneira de deslumbrar essa paisagem única no mundo é de balão. Entre novembro a maio, balões decolam a cada manhã, com visitantes para um voo panorâmico sobre as vilas com uma visão espetacular. Com o crescimento do turismo, a demanda por voos de balão está crescendo. Novos balões estão se juntando aos existentes, o que faz a paisagem ficar ainda mais bonita. O voo custa cerca de 750 reais, mas há lista de espera.

O clima do país é extremamente quente o ano todo, com as temperaturas sempre acima dos 30 graus, superando os 40 graus entre fevereiro e maio.

Como chegar: De avião, há diversos voos saindo diariamente de Yangon, ex-capital de Myanmar (1 hora de voo). Existem conexões saindo de Bangkok, Cingapura, Hanoi e Chiang Mai. Também saem ônibus noturnos de Yangon para Bagan. Outra opção é ir de barco (9 horas de viagem), saindo da cidade de Mandalay, em Myanmar. Ou seja, de onde você estiver no Sudeste da Ásia, você tem como chegar a Bagan.

Em 2007, Bagan se candidatou para constar da lista das Sete Maravilhas do Mundo. Mas o país, ainda culturalmente fechado ao mundo, não investiu em campanhas internacionais e Bagan não chegou nem nas 20 finalistas. Sem dúvida, uma grande injustiça para o patrimônio mundial.


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