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Não se pode falar da Península de Macau sem lembrar que Portugal foi um dos maiores colonizadores do mundo nos séculos 16 e 17. Seu território se expandiu até à China, especialmente ao Sul, formando uma rica rota de comércio com a Europa e outras regiões da Ásia.

Última colônia europeia na Ásia, esteve sob o domínio português até 1999, quando foi retornada para a soberania da República Popular da China. A região, que inclui a península e duas ilhas (Taipa e Coloane) é um movimentado destino turístico, consagrado, principalmente, pelos cassinos. Aliás, Macau hoje, vive economicamente muito bem com a exploração dos jogos de azar. Redes de cassinos famosos como o Sands e o Venetian trouxeram muito dinheiro e investimentos pesados para a região.

Com o fluxo de capital vindo de turistas da China e de outras áreas da Ásia, os jogos respondem por boa parte do PIB. Hoje, Macau é reconhecida como “Las Vegas do Oriente” e ultrapassa a Meca Norte Americana dos Jogos em termos de faturamento.

A pequena península, com menos de 30 KM2 dista apenas 60 Km de Hong Kong. Chega-se à Macau de Ferry boats, que partem de Hong Kong de hora em hora, numa travessia linda, de aproximadamente 40 minutos.

Cassinos monumentais como o Grand Lisboa, o Wynn e o MGM, arranha-céus com construção de até um milhão de metros2, são espetáculos de cores e luzes, que fazem tudo para atrair o turista com espetáculos, restaurantes e, claro, grandes salões de jogos.

O turista pode visitar os cassinos, não necessariamente para jogar. A entrada é gratuita e vans luxuosas pegam os turistas nos hotéis. Mas, o limite de idade é de 21 anos, e não são permitidas fotos.

Como grande parte dos turistas permanece apenas um dia em Macau, em razão da proximidade com Hong Kong, os cassinos oferecem, também gratuitamente, guarda-volumes super seguros para deixar a bagagem durante sua estada.

Além dos cassinos, que, particularmente, não me seduzem, mas é necessário reconhecer sua importância para o turismo e economia local, vale a pena reservar um período do dia para conhecer o centro histórico de Macau e as influências da cultura lusitana.

As ruínas da Igreja de São Paulo, construída no século 17 é um Monumento marcante da cultura portuguesa na península. O monumento é considerado uma das maiores igrejas católica da Ásia. De um tufão seguido de incêndio, que destruiu a região em 1835, apenas a fachada restou intacta.

Ao lado, a Fortaleza do Monte, com uma imensa escadaria, uma vista deslumbrante. Um jardim ornamental nas laterais registra o domínio português no passado, em meio a construções tipicamente chinesas. Um cenário, realmente, impressionante.

A língua falada normalmente é o Cantonês e o Inglês. Há um trabalho de resgate da língua local, o Patuá Macaense, de influência portuguesa e Cantonesa, que era falada entre a população luso-chinesa, hoje usada por menos de 3% da população.

Mas, os nomes das ruas, praças e monumentos permanecem grafados em Português, além de Cantonês e Inglês.

Come-se muito bem em Macau. Como não poderia deixar de ser, a culinária macaense traz heranças portuguesas e chinesas, além das especiarias trazidas por mercadores da África e Sudeste Asiático. A fusão dessa culinária trouxe resultados surpreendentes, inclusive galinha à portuguesa, caldo verde, pastéis de nata, o famoso bacalhau e até a feijoada brasileira. Tudo made in China.

 Para nós brasileiros, Macau tem um significado muito original. Identificar traços tão familiares para nós da herança portuguesa, estando, literalmente, do outro lado do mundo e já com a cultura chinesa impregnada no viajante na vivência de uma viagem à Ásia, nos traz uma deliciosa sensação de universalidade.

Ao mesmo tempo em que vamos identificando as semelhanças, vamos reconhecendo e respeitando a diversidade de hábitos, culturas e a multiplicidade, traços que permanecem para sempre na memória do viajante sensível, o que faz deste lugar um destino inesquecível.

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