Paulo Queiroga

Com o advento da pandemia do Coronavirus, só faz sentido tratar da conjuntura vivida pelo setor de turismo com a pandemia. Se não fosse assim, estaria desconsiderando este momento excepcional de mudanças radicais em nossas vidas.

O turismo foi o primeiro setor impactado pelo Coronavirus. A seguir os protocolos, provavelmente será um dos últimos a sair da crise.

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A complexa equação a ser resolvida pelo setor de turismo é harmonizar a prática do deslocamento, que é o fundamento do turismo, com as exigências sanitárias do distanciamento social.

Todos os tipos de turismo foram brutalmente atingidos pela pandemia: Lazer, cultural, urbano, ecológico, de negócios, de esporte e os setores vinculados, como transporte, alimentos e bebidas, equipamentos culturais, de eventos e convenções, atrativos históricos urbanos e rurais e, grandemente, os cruzeiros, que agregam muito desses serviços num só lugar. Todos foram afetados.

O panorama mundial do turismo se assemelha, hoje, às medidas emergenciais de segurança adotadas logo após os atentados terroristas em 11 de setembro de 2001. A diferença é que o foco da crise do Covid 19 deságua na segurança sanitária e no esforço de todos os setores para se adaptarem a ela, durante e depois da pandemia, sonho ainda, aparentemente, bem distante.

As propostas já estão sendo chamadas de turismo responsável. Mas, os desafios são enormes.

Uma das dificuldades é a tremenda precariedade das políticas públicas dirigidas ao turismo. O setor é composto, em sua maioria, por pequenos empreendimentos, carentes de capital financeiro, que lhes permitam suportar déficits de faturamento no período do isolamento.

O Estado brasileiro, que deveria ser o agente de socorro emergencial a essa imensa maioria do trade turístico, contribui para o caos instalado. Os recursos públicos estão concentrados para os grandes grupos empresariais, como as cias aéreas, contempladas, por meio dos bancos de fomento, com injeção de capital.

Outra dificuldade se concentra no turismo emissivo internacional. Equívocos diplomáticos e, praticamente, a ausência de políticas públicas do governo federal de prevenção ao Coronavirus, somados ao câmbio proibitivo para a maior parte dos viajantes brasileiros, provocaram um isolamento compulsório do Brasil em relação à boa parcela dos países, inclusive o nosso vizinho Paraguai. Lembremos que o Real foi a moeda que registrou o maior índice de desvalorização em 2020 no mundo.

Por outro lado, os turistas estrangeiros são desestimulados a desembarcarem no Brasil, exatamente pela precariedade das políticas concretas do governo federal no combate à pandemia.

Na busca, de soluções para a sobrevivência do setor, de certa forma cegas, pois o cenário é novidade para todos, há muitas propostas, algumas viáveis, outras meio utópicas.

Na União Europeia algumas fronteiras devem ser reabertas e a Itália estuda a possibilidade de abolir a exigência da quarentena aos turistas oriundos do Espaço Schegen. Mas, não há unanimidade nesta flexibilização.

Alguns países querem manter a exigência de 14 dias de quarentena, antes que o turista possa começar a circular nos destinos, atitude que, simplesmente, impossibilita quaisquer férias.

O “passaporte biológico” com a testagem de passageiros antes do embarque, no desembarque é outra das propostas, mas pode ter impacto desastroso em locais de crescimento do número de contaminações.

Uma das maiores dificuldades, que envolvem adaptações e custos para a nova realidade talvez esteja no setor de hospedagem.

Todos os protocolos sanitários e de segurança terão que ser tomados pelos hóspedes e funcionários. As malas dos hóspedes devem ser desinfectadas quando forem retiradas do carro e quando chegadas ao quarto.

O café da manhã deve ser servido, ou no quarto, tomadas todas as medidas de higiene, que são complexas, ou servido no salão, com serviço à inglesa, ou seja, o prato é servido pelo funcionário.

Tiragem de temperatura no check in, como já ocorre na China com os entregadores de alimentos, uso obrigatório de máscaras, tanto dos funcionários, quanto dos hóspedes, adaptação dos espaços comuns para receber um número menor de pessoas por metro quadrado, são medidas consideradas essenciais.

Quanto aos destinos, a exigência de distanciamento social irá privilegiar lugares menores, pequenas vilas e uma permanência mais calma, sem agitos e privilegiados os deslocamentos por carro em distâncias mais curtas.

Fato é que ainda engatinhamos na busca de soluções para os problemas criados pela pandemia e nas necessárias adaptações. Elas exigirão criatividade e, seguramente, aumento de custos, que cairão nos ombros dos mais vulneráveis economicamente.

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