*Construction site

*Wanderson Leite

A pandemia do novo coronavírus acelerou a corrida das empresas por estratégias mais assertivas. Especialistas em vendas tentam antecipar tendências, analisando as necessidades e expectativas dos clientes. E todos querem apenas uma resposta: em um cenário de crise como a que enfrentamos, ainda existem oportunidades a serem exploradas?

Costuma-se dizer que o caos é um terreno fértil para a inovação. Mesmo sabendo que o empreendedor é um investidor por natureza, ninguém vai querer caminhar de olhos vendados, sem ter segurança de que o cenário é promissor e os resultados, compensadores. Nenhum investimento é feito sem que os riscos tenham sido muito bem calculados.

Neste momento, os empresários mais abertos às mudanças terão menos dificuldade de adaptar seu negócio. Embora a construção civil seja uma área ainda bastante engessada, é preciso entender que é hora de se reciclar. Os consumidores que você conhecia antes da pandemia não terão as mesmas preferências quando tudo isso acabar. É preciso retomar o contato, conhecê-los novamente.

A Prospecta Obras, startup que mapeia as obras em andamento no Brasil, realizou um levantamento com quase 35 mil proprietários e profissionais de obras em andamento ou a iniciar para entender suas necessidades e anseios. O estudo apontou, por exemplo, que a mão de obra é o item do setor que mais precisa ser melhorado, seguido pela diminuição da burocracia e o modelo ainda engessado do comércio.

A importância de um marketing digital bem feito também faz diferença: o posicionamento digital da marca, em comerciais, site e redes sociais, é o que mais atrai um cliente na hora de escolher uma loja para comprar produtos ou solicitar orçamentos pela primeira vez. Quando perguntados sobre quais ideias consideravam mais atrativas, mais de 70% dos entrevistados gostariam de canais de atendimento mais acessíveis, como WhatsApp, redes sociais e sites.

Em seguida, aparece a criação de um sistema para acompanhar a entrega dos materiais e a possibilidade de fazer orçamentos e consultorias online. E o desejo só deve se intensificar com a pandemia. Uma outra pesquisa da empresa mostra que 73% dos consumidores da construção civil escolhem onde vão fazer orçamentos depois de pesquisar na internet, seja por meio de propagandas ou contatos recebidos. Pelo visto, a transformação digital veio mesmo para ficar no setor.

Contudo, o maior aprendizado deste momento é que é preciso conhecer os clientes, conversar com eles, seja por meio de pesquisas, pelas redes sociais ou por um contato direto. O perfil mais conservador, que prefere ir às lojas e escolher os produtos, ainda existe, mas a tendência é que ele se digitalize cada vez mais. O empresário precisa pensar: minha empresa está de acordo com os clientes do setor? Se não, o público que eu atendo é suficiente para continuar meu negócio? Se sim, busque deixá-lo cada vez mais satisfeito. Se não, mude as estratégias para atingir esse cliente. O segredo é a cadência. Colocar os planos em ação e fazer ajustes de tempos em tempos. Com isso em mente e muito conhecimento sobre o setor, é possível encontrar grandes oportunidades mesmo em meio à crise.

*Formado em administração de empresas pelo Mackenzie e fundador das empresas ProAtiva, app de treinamentos corporativos digitais, ASAS VR, startup que leva realidade virtual para as empresas e escolas; e Prospecta Obras, plataforma de relacionamento do segmento de construção civil.

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