Leandro Rodriguez*

Não é segredo que a análise de dados desempenha um papel fundamental nos esforços de transformação digital das organizações. A ciência de dados tornou-se um campo que progride rapidamente, graças ao papel crucial que ela desempenha na compreensão da big data.

Embora os dados tenham se tornado um verdadeiro recurso para mudar o jogo, muitas empresas globais estão lutando para alavancar seus ativos a partir dos dados. Essas estratégias geram uma superabundância de informações – e ainda mais perguntas, exigindo mais análises do que a maioria pode imaginar. Elas também exigem avanços analíticos contínuos para alcançar uma verdadeira transformação digital.

Essa pressão para explorar os dados de novas maneiras e a crescente ênfase na transformação digital também exercem uma grande influência nas equipes de análise das organizações. Embora muitos estejam investindo pesadamente em tecnologias de dados para transformar suas organizações, o acesso rápido a informações e insights ainda é difícil – e muitas organizações ainda não conseguem colocar esses dados nas mãos das pessoas de negócios que precisam fazer uso deles.

Uma tática essencial para melhorar o acesso aos dados e assim obter conhecimento implica a reunião de dois elementos: dados e ciência de dados. Para muitas organizações, entretanto, uni-los para impulsionar a transformação digital continua sendo um desafio. Todas as verticais e os diferentes departamentos precisam absorver conteúdo diferenciado e executar processos analíticos complexos para gerar valor a partir do acúmulo maciço de dados escuros armazenados pelas organizações. Desbloquear o valor desse material por meio da análise de dados é essencial para orientar os líderes a tomar decisões mais informadas.

Uma das principais maneiras pelas quais as organizações podem unificar dados e ciência de dados é alterando o status quo e desenvolvendo uma cultura de análise nos negócios. As equipes analíticas servem como a espinha dorsal das transformações digitais, mas, na maioria das vezes, descobrimos que elas começam da maneira errada, tentando inovar com processos analíticos arcaicos, além de tecnologias obsoletas e pessoas herdadas de outras áreas. Essa situação é uma das maiores barreiras ao alinhamento analítico e à inovação.

Uma pesquisa realizada no final de 2019 pela Exec em parceria com a Panorama Research, com 600 executivos da América Latina, incluindo CEOs e diretores do setor financeiro, de consumo, farmacêutico, serviços, tecnologia e indústria, indica que a questão cultural é a maior dificuldade para a transformação digital, citada por 33% dos entrevistados.  Em seguida, aparecem como empecilhos para 29% dos executivos, a falta de um plano de negócios estruturado e de uma estratégia definida – problemas que no Brasil estão ainda mais acentuados, tendo sido mencionados por 38% e 44% dos entrevistados, respectivamente.

De fato, os líderes focados na transformação digital devem ter como alvo estratégias culturais e tecnológicas que ajudem a criar uma competência analítica para alimentar a inovação. Com a falta de mão de obra qualificada e a alta demanda por funções relacionadas a análise de dados, a tarefa não é fácil.

Vincular a habilidade no manejo de dados a pessoas com conhecimento vital de negócios é fundamental para as organizações que desejam aproveitar ao máximo a análise de dados. Além de permitir que a organização entenda a análise de dados em todos os níveis, isso permitirá criar um exército de ‘cidadãos cientistas de dados’. Segundo o Gartner, um cidadão cientista de dados é a pessoa que agrega valor ao processo de análise e é capaz de simplificá-lo usando modelos analíticos para diagnósticos avançados, mas não possui formação acadêmica nem sua função no trabalho está relacionada ao campo da estatística ou da analítica.

Essa conexão entre o negócio e a análise de dados permite unir departamentos que, de outra forma, estariam isolados, gerando análises mais perspicazes e valiosas. Capacitar esses cidadãos cientistas de dados é uma oportunidade única para as organizações competirem na economia digital de hoje. Esses indivíduos estão ansiosos para aprender e desenvolver novas habilidades para melhorar seu desenvolvimento pessoal e contribuir com os negócios, mas só podem ser aproveitados com as ferramentas de capacitação, suporte e autoatendimento corretas. Além disso, de acordo com uma pesquisa conduzida pela Forbes Insights, as empresas que possuem uma diretriz analítica central em sua estratégia geral de negócios têm aproximadamente cinco vezes mais chances de alcançar crescimento de receita e margem operacional superior a 15%, em comparação com as organizações sem uma visão analítica.

Aproveitar o efeito em rede da conjunção entre dados, pessoas e tecnologias abre caminho para a criação de um ciclo sustentável de inovação analítica que impulsiona a transformação digital.

*Vice-Presidente para a América Latina da Alteryx, empresa líder em software de análise de dados.