São várias as estratégias adotadas pelas empresas para continuarem funcionando em tempos de isolamento social

 Com  a  crise  econômica  provocada  pelo  coronavírus  (Covid-19),  pequenos  negócios  mineiros  têm buscado  soluções  para  se  adaptar  ao  momento  atual.  De  acordo  com  uma  pesquisa  feita  pelo Sebrae, 34,5% dos pequenos negócios do estado continuam em funcionamento, porém tiveram que se  adequar  à  nova  realidade  de  mercado  e  às  necessidades  de  consumo.  É  o  que  mostra  uma pesquisa  feita  pelo  Sebrae,  entre  os  dias  6  e  7  de  abril,  com  501  empreendimentos  mineiros  dos setores de indústria, comércio, serviços e agropecuária.

Algumas  empresas  estão  repensando  o  seu  modelo  de  negócio  para  continuarem  no  mercado. Esses empreendimentos estão enxergando uma oportunidade de se reinventar neste momento de crise‖, explica o superintendente do Sebrae Minas, Afonso Maria Rocha.

De acordo com a pesquisa do Sebrae, dos empreendimentos que estão em atividade, 44% estão funcionando em horário reduzido como forma de diminuir custos. Para 39% dos entrevistados, a estratégia foi apostar nos serviços de entrega em domicílio e/ou nas vendas online.

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As empresas tiveram que se reinventar e pensar como atender seus clientes a distância. O delivery e  o  e-commerce  são exemplos de  estratégias  adotadas  diante  do  cenário  desfavorável‖, justifica  o executivo do Sebrae Minas.

Além   disso,   para   ganhar   fôlego,   19%   das   empresas   afirmaram   estar   fazendo   o   rodízio   de empregados e 18% optaram pelo trabalho remoto para seguir com suas atividades.

Adequações

 Há  23 anos  no  mercado, a  empresa  Homeshock foi obrigada  a  mudar  o  seu funcionamento  para continuar  no  mercado.  Localizada  no  bairro  Carlos  Prates,  região  Noroeste  da  capital  mineira,  a empresa  especializada  em  segurança  eletrônica  teve  que  implantar  um  sistema  de  rodízio  de funcionários e alterar seu horário de funcionamento devido ao coronavírus.

Estamos   com   uma   escala   mínima   de   funcionários   trabalhando   presencialmente.   Também mudamos o horário de trabalho para que os funcionários chegassem e saíssem fora dos horários de pico. Além disso, disponibilizamos uma ajuda de custo para que os colaboradores se deslocassem para  o  trabalho  em  seus  próprios  veículos,  evitando  o  transporte  público‖,  conta  o  empresário Alexandre Santos Duarte.

Mesmo diante da pandemia, Alexandre afirma que houve um aumento considerável na demanda pelos serviços da empresa, principalmente, pelo monitoramento de estabelecimentos comerciais.

Antes monitorávamos durante 15 horas a empresa de um cliente. Agora, com o comércio fechado, estamos monitorando por 24 horas‖, diz Duarte.

A empresa instalou ainda um novo sistema de telefonia para que os atendimentos aos clientes fossem feitos pelos funcionários que estão em home office. Além disso, criou um canal de atendimento via WhatsApp e a possibilidade de o cliente solicitar o orçamento pelo próprio site da empresa.  ―São  mudanças  adotas  devido  a  dessa  pandemia,  porém  não  teremos  como  fugir  da tecnologia. A tendência é que as pessoas comprem cada vez mais pela internet e as empresas devem se preparar para essa nova realidade‖, enfatiza.

Mudança de rumo

 Adaptação foi a palavra de ordem adotada pelo Restaurante Metrópole, no bairro Santa Lúcia, região Centro-sul de Belo Horizonte. De acordo com a empresária Fernanda Pacheco, há cinco anos o restaurante à la carte vendia, em média, 40 refeições por dia. Com a pandemia, ela e o marido tiveram que reinventar o negócio para não fechar as portas.

Para continuar no mercado, eles apostaram no serviço de delivery e começaram a investir em um novo segmento: o de confeitaria. Agora, além das refeições, eles também passaram a fazer bolos caseiros e de festa, além de biscoitos, roscas e balas de coco. ―Percebemos que as pessoas, além da comodidade de receberem a comida em casa, queriam mais que um bolo de padaria. Foi aí que começamos a produção caseira e a entrega em domicílio‖, destaca a empresária.

Ainda segundo Fernanda, mesmo depois que a crise passar, a ideia é continuar com esse novo modelo e nicho de negócio. ―Foi com a crise que percebi uma oportunidade de fazer o que eu gosto e ainda ter a possibilidade de aumentar o faturamento que tinha antes‖, lembra.

Dados da pesquisa do Sebrae em Minas

 Sua empresa mudou o funcionamento com a crise?

Não mudamos a forma de funcionar: 7,89% Sim, mudamos o funcionamento: 34,54%

Interrompemos o funcionamento temporariamente: 55,05% Decidimos fechar a empresa de vez: 2,52%

Está funcionando como?

Apenas para entregas ou online: 39,32% Horário reduzido: 43,69%

Rodízio de funcionários: 19,42% Teletrabalho (home office): 18,45% Drive thru: 3,88%

A interrupção do funcionamento ocorreu principalmente por qual motivo?

Determinação do Governo: 80,47% Decisão da empresa: 19,53%

Como estava a situação das finanças da sua empresa antes da crise:

Boa: 26,94%

Razoável: 50,41%

Ruim: 22,64%

Como o seu negócio está sendo afetado, até este momento, pelo coronavírus, em termos de faturamento mensal?

Aumentou: 3,97%

Diminuiu: 86,45%

Permaneceu igual: 3,64%

Não sabe ainda/não quis responder: 5,95%